
Capítulo 2
Família Moderna: Nova Vida
Capítulo 2 - Família
Andrew estava confuso. Teria ele renascido em um programa de TV? Que diabos era aquilo? Ele agora era um personagem sendo observado por pessoas não identificadas? Aquilo era real?
— Andrew, você está bem? — Cameron e Mitchell perguntaram com rostos preocupados.
Não era agradável pensar sobre essas coisas. Ele podia aceitar reencarnação ou transmigração, mas aceitar isso em um mundo que, para ele, era ficcional, era estranho, e ele precisava de mais tempo para processar.
Então, ele permaneceu em silêncio, observando Mitchell e Cameron, que ficavam mais preocupados a cada segundo, já que não recebiam resposta e eram recebidos com o olhar fixo de Andrew.
— Deixe-me examiná-lo rapidamente — disse o médico, caminhando em direção a Andrew com uma expressão profissional, mas tranquilizadora.
O médico pegou uma pequena lanterna do bolso e se inclinou em direção a Andrew.
— Andrew, preciso que você siga a luz com os olhos, por favor — disse ele gentilmente, movendo a lanterna de um lado para o outro enquanto observava as pupilas de Andrew para garantir que respondessem adequadamente à luz.
Em seguida, o médico pegou seu estetoscópio e o colocou no peito de Andrew, ouvindo seus batimentos cardíacos e sua respiração. — Respire fundo para mim — pediu, e Andrew obedeceu, enchendo os pulmões de ar e depois expirando lentamente.
Finalmente, o médico apalpou suavemente ao redor da ferida na cabeça de Andrew, certificando-se de que não havia inchaço incomum ou sensibilidade extrema. — Você sente dor aqui? — perguntou, observando qualquer reação de Andrew.
Andrew balançou a cabeça lentamente. — Minha cabeça dói um pouco... e estou tonto — respondeu em voz baixa, ainda processando tudo o que estava acontecendo.
O médico assentiu, satisfeito com a avaliação. — É normal sentir alguma tontura e dor de cabeça após uma contusão como a sua. É importante que você descanse e evite qualquer atividade extenuante por um tempo. Vamos mantê-lo em observação, mas parece que você está se recuperando bem.
Cameron e Mitchell suspiraram de alívio. — Obrigado, doutor. Ele se lembra de nós, certo? — Mitchell perguntou.
O médico ajustou os óculos novamente, adotando uma expressão pensativa. — É difícil dizer com certeza neste momento. Após uma lesão cerebral traumática como a que Andrew sofreu, é possível que ele tenha algumas lacunas de memória. Já que ele está com vocês há apenas uma semana, é provável que suas memórias recentes sejam as mais afetadas.
Cameron quase desmaiou, mas conseguiu agarrar o braço de Mitchell, que fez uma careta de dor, mas não disse nada.
— Vamos deixá-lo descansar — disse o médico, escoltando Mitchell e Cameron para fora do quarto. Ele então disse à enfermeira para trazer algo para Andrew beber.
— Isso é um pesadelo — disse Cameron, desabando em uma das cadeiras feias do hospital.
— O pesadelo acabou. Andrew está bem — disse Mitchell, não preocupado com a perda de memória.
— Ele não se lembra de nós, Mitch! Nosso pequeno não sabe quem somos! — Cameron disse, exasperado.
— Qual é o problema? Ele só morou conosco por uma semana. Na verdade, ele nem chegou a uma semana completa. 6 dias, 23 horas e 45 minutos — disse Mitchell, olhando para a hora em seu relógio de pulso.
— Perdemos todas as belas lembranças que criamos nesse tempo! — disse Cameron.
— Belas lembranças? O garoto mal fala conosco, prefere passar todo o tempo brincando sozinho no quintal... — Mitchell disse, sentando-se ao lado de Cameron.
— Você está bem? — Cameron perguntou, notando a expressão de Mitchell.
— Eu não sei... Fizemos a coisa certa? — Mitchell perguntou.
— O que você quer dizer? — Cameron perguntou, erguendo uma sobrancelha.
— Adotar Andrew... Ele já tem cinco anos, era o mais novo que podíamos pegar. Foi um milagre adotar uma criança sendo um casal gay... — Mitchell respondeu em um tom baixo.
— Não se escandalize, estou vendo sua cara mudar — Mitchell acrescentou rapidamente. — Quero dizer, o garoto é tão quieto, ele mal faz um som. Acho que cinco anos é demais... Achei que uma criança órfã ficaria feliz em ser adotada, mas agora ele tem dois pais, acho que isso é estranho... — disse Mitchell.
— O garoto é tímido, é normal. A vida dele mudou de repente. Ele só ficou conosco por uma semana, não é tempo suficiente para ele se sentir confortável e ser mais amigável conosco. Precisamos dar a ele tempo e abordá-lo lentamente, tentando ser os melhores pais que pudermos — disse Cameron, descansando a mão na de Mitchell.
— Você está certo. Eu não sei o que estava pensando — disse Mitchell. Quando viu alguém se aproximando deles, ele rapidamente puxou a mão da de Cameron.
— Mitchell... — Cameron disse, notando que Mitchell ainda tinha dificuldade em demonstrar afeto em público. Na verdade, ele não demonstrava afeto em público. Sem abraços, sem beijos, sem mãos dadas.
Felizmente para Mitchell, naquele momento, sua irmã Claire chegou com seu marido Phil e suas duas filhas.
— O que aconteceu?! — Claire perguntou, tendo vindo o mais rápido possível. Ela até trouxe Alex, que era um bebê.
Dez minutos depois, tanto Claire quanto Phil suspiraram de alívio ao saber que seu novo sobrinho estava seguro.
— Como vocês podem deixar uma criança de cinco anos escalar uma árvore de quatro metros...? — Claire perguntou, olhando especificamente para Mitchell com um olhar crítico.
Mitchell olhou para Cameron e com o olhar pareceu dizer: Eu te avisei.
— O garoto é muito aventureiro, nos distraímos por um momento e ele já estava lá em cima. Ele é muito bom em escalar. Seus bracinhos têm resistência — disse Cameron.
— Vocês contaram para o pai? — Claire perguntou.
— Sério? Eu saí do armário há quatro anos e ele ainda luta para aceitar. Ele nunca aceitará Andrew, uma criança adotada criada por um casal gay. Ele não o visitou uma vez — disse Mitchell, franzindo a testa.
— Não seja tão duro. Faz apenas uma semana que eles o adotaram, ele provavelmente não teve tempo de visitar por causa do trabalho... — disse Claire, não muito certa de si mesma.
— Onde está o médico?! — perguntou a mesma enfermeira de antes, olhando ao redor com suor na testa.
— Ele foi atender outro paciente, eu acho... — Mitchell respondeu.
— Aconteceu alguma coisa com Andrew?! — Cameron perguntou, levantando-se de seu assento.
— Sim... É difícil explicar, é melhor se vocês virem por si mesmos — respondeu a enfermeira, e todos voltaram para o quarto onde o menino estava descansando. O que Mitchell, Cameron e os Dunphy viram os deixou congelados no lugar.
Até a garotinha chamada Haley, que tinha cinco anos, parou de brincar com seu bicho de pelúcia e olhou para o menino de cabelos pretos como azeviche.
Andrew estava no chão fazendo flexões. Seu rostinho estava coberto de suor enquanto ele contava as flexões em voz alta.
— Dez! Onze! Doze! — Andrew exclamou com determinação, não percebendo a presença de sua nova família.
— Quando eu saí, ele estava na flexão número cinco... Eu tentei impedi-lo, mas ele não ouve — disse a enfermeira, insegura sobre o que fazer. Ela não queria pegar o menino e colocá-lo de volta na cama; ela tinha medo de machucar sua cabeça ou algo assim e ser culpada por isso.
— Andrew, o que você está fazendo? — Cameron perguntou, aproximando-se.
— Treze! — Andrew exclamou, parando e mantendo a posição de prancha por um momento antes de virar a cabeça em direção a Cameron.
— Exercício para clarear minha mente — Andrew respondeu e, em seguida, retomou as flexões. Ele sentia dor nos braços, que tremiam como gelatina, e uma sensação de queimação no abdômen.
A dor era real. Ele estava vivo.
— Isso é bom, mas não é a hora... — Cameron disse depois de alguns segundos, não esperando essa resposta.
— É melhor você voltar para a cama, Andrew. Você precisa se recuperar totalmente e está fazendo o contrário do que o médico disse — disse Mitchell, assumindo o papel de "pai mau".
— Não. Eu ainda tenho mais oitenta e seis flexões para fazer... — disse Andrew, voltando a se concentrar em seu exercício.
Cameron e Mitchell trocaram olhares nervosos. Eles não sabiam como proceder. Deveriam repreendê-lo e colocá-lo na cama, mesmo que ele estivesse se exercitando?
— Deixe comigo. Eu tenho mais experiência em lidar com crianças, eu sei como lidar com isso — disse Phil com um sorriso gentil, dando tapinhas nos ombros de Cameron e Mitchell.
— Sério? — Cameron perguntou.
— Sim, sim... Apenas observem e anotem. Eu sou o pai legal — disse Phil, caminhando até Andrew e se agachando para se aproximar.
— E aí, camarada? — Phil perguntou, olhando para Andrew.
— Phil... — Andrew pensou, olhando para cima por um segundo antes de voltar a olhar para o chão. Ele não conseguia falar ou perderia a energia necessária para suas flexões.
Um silêncio constrangedor encheu a sala. O único som era a respiração ofegante de Andrew. Phil sentiu o peso dos olhares de todos em suas costas, mas continuou sorrindo confiantemente.
Ele continuou tentando iniciar uma conversa com o garoto, mas nenhum de seus esforços funcionou.
— Por que você está ignorando meu papai? — Haley perguntou, com as bochechas infladas. Ela não gostava nem um pouco que seu pai estivesse sendo ignorado. Andrew novamente ignorou tudo e continuou com suas flexões.
— Mau! Meninos maus são punidos! — Haley exclamou, inflando as bochechas de raiva por estar sendo ignorada. Antes que alguém pudesse impedi-la, Haley esticou sua perninha e chutou Andrew na costela direita.
Andrew perdeu o equilíbrio por causa da dor perto do estômago e caiu no chão, seus braços cedendo. — Ai! — ele gritou, rolando no chão.
— Haley! — Claire exclamou, horrorizada com o que sua filhinha acabara de fazer. Seu sobrinho tinha acabado de ser salvo da morte e agora estava recebendo um chute nas costelas.
— Andrew! — Mitchell e Cameron gritaram, correndo para o menino que estava rolando no chão.
— Eu preciso terminar meu treinamento... — disse Andrew, cerrando os dentes e deixando a dor de lado.
Aquilo tinha que ser um sonho. Não podia ser verdade que ele agora estava vivendo em um programa de TV. Assim que ele perdesse toda a sua força, ele acordaria em sua vida anterior com seus amigos, ainda um campeão estadual. Os olheiros teriam visto seu desempenho incrível no jogo final e lhe ofereceriam bolsas de estudo das melhores universidades.
Uma universidade com um grande programa esportivo lhe daria uma bolsa de estudos e ele logo jogaria na NFL.
— Eu serei um campeão, sim... sim... campeão — Andrew murmurou para si mesmo com uma expressão meio maníaca.
— Claro que não, jovenzinho! É hora de voltar para a cama e descansar como você deveria — disse Mitchell com a testa franzida e um tom autoritário.
— Me deixe em paz! Eu estou bem! — Andrew gritou, lutando e tentando escapar das mãos de seus pais.
No meio do caos e da luta, enquanto Cameron e Mitchell tentavam levar Andrew de volta para a cama, sua cabeça bateu em uma parte dura da estrutura da cama.
— Ai! — Andrew exclamou antes de perder a consciência novamente, ficando mole nos braços de Phil e Mitchell.
A sala caiu em um silêncio atordoado por um momento antes de Cameron soltar uma risada nervosa. — Bem... Agora descanse bem, Andrew... — disse ele enquanto o colocava suavemente de volta na cama e o cobria.
— Haley, você não pode chutar as pessoas assim! — disse Claire, tentando ensinar uma lição à filha.
Haley cruzou os braços, ainda chateada. — Hmph! Eu só estava ajudando!
Phil suspirou, olhando para o médico, que havia retornado a tempo de testemunhar o desastre. — Bem, doutor, você pode fazer mais alguma coisa por ele?
O médico ajustou os óculos, olhando para a criança inconsciente. — Eu acho que um pouco mais de descanso deve ser suficiente desta vez.
— Podemos esperar aqui até que ele se recupere? — Cameron perguntou com olhos suplicantes.
— Sim... Contanto que vocês não causem mais dano do que ele já tem — disse o médico, saindo do quarto depois de fazer um exame rápido em Andrew.
Andrew abriu os olhos lentamente. Ele sentiu a dor em sua cabeça novamente.
— Tudo é real... — ele pensou, com um olhar estranho ao notar Mitchell, Cameron, Phil, Claire, Haley e o bebê Alex no quarto. Todos estavam dormindo desconfortavelmente nas cadeiras. A única acordada era Haley, brincando com dois bichos de pelúcia.
Andrew pensou que tudo poderia ser um pesadelo e que ele acordaria depois de levar seu corpo ao limite e desmaiar.
— Parece que eles estão esperando há muito tempo — Andrew pensou, vendo todos dormindo. Seus novos pais estavam com a cabeça apoiada em sua cama.
— Eles são minha nova família? — Andrew pensou com um olhar estranho no rosto. Ele tinha assistido a Modern Family e era um programa que o fazia rir muito.
Ele sempre teve ciúmes da família que mostravam no programa. Ele sempre esteve sozinho com seu avô. Eles não eram numerosos. Eles só tinham um ao outro.
— Da próxima vez, não ignore meu papai ou você vai ver — disse Haley, notando que Andrew havia acordado.
— Um chute não é suficiente? — Andrew pensou.
— Sim. Me desculpe — ele disse depois de alguns segundos, oferecendo um leve sorriso. Ele não havia ignorado Phil para fazê-lo se sentir mal; ele apenas pensou que tudo era um sonho estranho após sua morte prematura e repentina.
— Andrew, você está acordado. Você está se sentindo bem? — Cameron perguntou, levantando-se. Mitchell e os outros também se aproximaram, olhando para ele com preocupação.
— Sim, eu estou bem. Me desculpe, pai. Me desculpe, tio Phil. Me desculpe por preocupar todo mundo — disse Andrew, tentando soar o mais natural possível para uma criança de cinco anos.
Cameron ficou emocionado ao ouvir Andrew chamá-lo de "pai" pela primeira vez. Seus olhos se encheram de lágrimas enquanto ele sorria orgulhosamente. — Oh, Andrew, estamos tão felizes que você está bem — disse ele, abraçando-o apertado.
Andrew sentiu o calor e a sinceridade do abraço de Cameron. Pela primeira vez em muito tempo, ele sentiu que tinha uma família novamente. Uma nova chance de ser feliz, não apenas por si mesmo, mas também para cumprir a promessa que fez a seu avô.
— Abraço em grupo! — Phil disse com um sorriso, gesticulando para que todos se juntassem. Mitchell, Haley, Claire e ele rodearam Andrew com entusiasmo.
Andrew sentiu o calor de sua nova família, mas estava ficando sem ar por estar sendo abraçado por tantas pessoas.
— Eu não consigo respirar... — Andrew murmurou, e todos se separaram rapidamente.
— Opa, desculpe, camarada! — Phil disse, rindo nervosamente.
— Sim, não queremos te sufocar logo depois que você se recupera — Claire acrescentou, dando um tapinha na cabeça de Andrew.
Mitchell e Cameron trocaram olhares, sorrindo para a cena. — Viu? Não foi ruim contar para sua irmã. Eles são família — Cameron disse, e Mitchell assentiu com um leve sorriso.
O incidente pareceu ter melhorado o relacionamento deles com Andrew, seu filho adotivo. Talvez nem tudo fosse negativo hoje.
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