Regas

Capítulo 3

Regas

As estações mudaram várias vezes, passando-se dois anos. O dia a dia de Abel não mudou, mas recentemente, seu mestre teve um problema. O mestre adoeceu durante vários dias, com uma febre inexplicável e estranhamente, parou de falar e muitas vezes passava horas olhando fixamente para lugar nenhum.

Naquele dia, Abel foi para a cidade e voltou no dia seguinte. Ele trazia consigo um punhado de medicamentos, todos comprados com dinheiro obtido com a venda de ervas secas e cogumelos.

Quando se aproximava no local onde morava com o mestre, ouviu uma voz cheia de preocupação.

“Bem, se há alguém que gostaria de ouvir, seria o duque Trudeau, Ministro do Interior, ele é razoavelmente decente, herdou recentemente seu título, por isso é flexível, mas ainda tem poder para resolver situações. Então, se houver uma chance, pode ser que ele ouça, mas olha…” ele suspirou “qualquer um acharia essa afirmação absurda.”

O dono da voz era Melmond, um dos antigos discípulos da seita. Depois que o mestre adoeceu, Abel enviou uma carta pedindo para que ele visitasse o mestre, mas Abel não esperava que Melmond viesse tão rápido.

Assim como Abel e seu mestre, Melmond recebeu treinamento para se tornar um Regas, mas, ao contrário do mestre, ele entrou cedo para o palácio e trabalhou como parte da equipe nomeada do rei, treinado pelos Regas.

O trabalho de Melmond era simplesmente retirar a poeira dos livros antigos da biblioteca abandonada do palácio, que ninguém usava. De acordo com uma seita, ele pôde ser contratado porque a lei impedia que uma única seita ocupasse todos os cargos do palácio. Segundo o seu mestre, ele se candidatou a esse emprego pois procurava um cargo estável. Entrar na seita foi um propósito obscuro para encontrar um atalho, já que era praticamente impossível entrar no “coração do rei”.

Talvez por isso, enquanto outros partiam em poucos dias com o orgulho ferido, ele permaneceu no cargo por quinze anos.

Desde que entrou no palácio, houve pouco contato entre Melmond e o mestre, já que ele sempre se irritava com Melmond por ele ter entrado no palácio sem o treinamento adequado, por isso Abel só o via uma ou duas vezes por ano. Ainda assim, talvez pelo carinho do que restou do passado, ele frequentemente mandava cartas à seu mestre, contando sobre as novidades do palácio que o mestre desejava saber, mesmo que ele sempre estivesse de mau humor.

“O Regas atual já está com o príncipe há um ano. É de costume que o Regas ajude o herdeiro do trono quando ele completa dez anos, e começa a aprender sobre as questões de Estado, mas deve haver algum problema com o príncipe. De acordo com os rumores…”

Como se tivesse contando um segredo, a voz ficou mais baixa e nada mais pode ser ouvido. Melmond era um discípulo, mas ao contrário do mestre, que já possuía cerca de cinquenta anos, ele ainda estava na casa dos trinta anos. As vezes, o mestre dizia que Melmond parecia mais como um filho do que um discípulo.

Parecia que algo importante estava sendo discutido lá dentro. Abel estava em dúvida se deveria ou não entrar, quando ouviu a voz abafado do mestre.

“Idiotas estúpidos! Que diabos! E daí que ele tem olhos de serpentes ou algo assim? Isso significa que ele nasceu com a marca do dragão, então deveríamos estar felizes!”

“Mas ele não herdou nenhuma habilidade.”

“E como você sabe? As habilidades podem se manifestar mais tarde!”

“Mas nunca ouvi falar de nada assim.”

“Assim como nunca ouviu falar de um herdeiro com a marca de dragão manifesta no corpo.”

“…”

O mestre suspirou.

“Porque todos são tão estúpido? O príncipe pode ser aquele que reconstruirá o poder da família real, que está colapsando à muito tempo! Certamente suas habilidades em breve vão… cof, cof, cof!”

Quando a tosse do mestre se intensificou, Abel abriu a porta sem hesitar e entrou correndo.

“Mestre!”

Ao ver Abel aparecer com um grito, Melmond levantou a mão, impedindo-o de continuar. Quando Abel acalmou sua mente agitada, viu uma espessa fumaça se espalhar pelo cômodo. Melmond soprava a fumaça de um galho seco em direção ao mestre, que estava sentado no meio da cama. Era de uma árvore que era boa para tratar doenças pulmonares.

“Seu mestre não morrerá por enquanto, então não se preocupe.”

Melmond murmurou para Abel, enquanto se aproximou e ajudou o mestre a se deitar na cama novamente, depois que a tosse diminuiu.

No entanto, como se ele ainda não tivesse terminado de falar, o professor agarrou o braço de Melmond, e ofegante sussurrou.

“Quero me encontrar com o duque”

“Eu não consigo fazer algo assim” murmurou.

“Eles estão errados, eu tenho que fazer eles entenderem.” cof, cof “Você tem que entender que se o príncipe não tiver um Regas adequado ao seu lado agora, mais tarde, quando ele for mais velho…” cof, cof.

Melmond esfregou as costas de Weidel com a testa franzida, murmurando em seguida, como se estivesse envergonhado.

“E daí? Quem acreditaria na destruição de um país só porque você viu isso em um sonho?”

*******

Nas montanhas, o sol se punha mais rápido do que na cidade, a temperatura caindo rapidamente. Melmond sentia que tudo tinha mudando desde que se mudara, por que não sentiria? Nada acontecia naquele lugar, e agora que se acostumou com a vida confortável na capital, sentia-se desconfortável no campo.

Talvez seja porque ele ganhou peso. Melmond deu um tapinha na barriga sobressalente e suspirou. Este lugar, que deu continuidade à linhagem com apenas um ou dois sucessores, tinha padrões totalmente diferentes para a criação de Regas, do que os do “coração do rei”.

Antigamente, quando a lenda da antiga família real começou, este lugar que ensinou e formou mais Regas do que qualquer outro. Existindo até hoje porque teimosamente insistiram em lecionar com o mesmo método desde a fundação do reino. Os outros lugares do país que ensinava Regas desapareceram, restando somente o “coração do rei” e esta montanha.

Seria bom se eles pudessem aproveitar isso e chegar a um acordo, sendo razoável com a realidade. Melmond balançou a cabeça, e pensou em seu mestre que havia deixado o mundo há muito tempo. Ele era tão teimoso quanto seus superiores e colegas. Ao contrário do Coração do Rei, que enfatizava a aparência para encantar rei, e ensinavam dança e canto, eles ensinavam sobre a natureza aqui.

Ele veio para este lugar ainda jovem, mas tudo o que aprendeu foi como identificar plantas, como se comunicar com a animais e treinamento físico. Mas de que adianta identificar plantas e conhecer ervas se você não vai ser farmacêutico?

Além disso, aprender a se comunicar com animais foi uma perda de tempo, afinal, que utilidade há em persuadir um javali que encontram na montanha na hora de se comunicar com o rei, que é humano?

Melmond apenas sobreviveu aos treinamentos ridículos diariamente, que serviam apenas para treinar sua paciência e resistência, mas antes da morte de seu mestre, surgiu uma oportunidade de ir ao palácio real, que ele agarrou sem hesitar.

O motivo pelo qual a pobre família de Melmond o enviou para esta montanha, foi porque não queriam que ele morresse de fome e que fosse para o palácio e ele desejava o mesmo. Poder viver bem, foi o único motivo que o fez suportar todas as dificuldades do palácio, não hesitando em cumprir todos os tipos de tarefas.

Essa era a razão do seu desinteresse em trabalhar como Regas, e o que acontecia com o rei, não era da sua conta. Poder viver comer e viver uma vida tranquila era suficiente para ele. Tanto fazia se o rei era um demônio, ou a encarnação do dragão que reapareceu depois de centenas de anos.

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Notas da tradutora.

1- Gente, estou adiantando o capitulo 3, porque não vou conseguir publicar no final de semana, mas provavelmente, vou fixar as atualizações da sexta pro sábado.

2 – Mais um aviso quando as atualizações, é que peço paciencia se eu acabar atrasando algumas vezes, eu comecei um curso de pós-graduação essa semana e ainda estou tentando conciliar o trabalho com o curso e a tradução.

3 – outra coisa, é que o livro é divido em volumes, como se fossem livros, então eles não tem capítulos, então quem está fazendo a divisão sou eu, caso vocês notarem alguma coisa estranha, me avisem por favor.

E por último, comentem se gostarem 🙂

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