Salvando o CEO Autoritário

Volume 1 - Capítulo 56

Salvando o CEO Autoritário

O coração humano pode ser volúvel, mas não o de Zhao Huan. Seu plano havia sido ainda mais bem-sucedido do que ela imaginara inicialmente, e finalmente ela conhecia os verdadeiros sentimentos de Qie Ran. Ela deduziu que a frieza e a indiferença dele em relação a ela eram apenas uma máscara; na verdade, o homem estava disposto a matar por ela.

Três dias se passaram com ela confinada em seu pátio sob a supervisão da avó. A velha não estava brincando quando se tratava de sua teimosa neta, nem era boba. Ela tinha certeza de que toda aquela situação era obra de sua neta, mas ainda especulava sobre o motivo.

No quarto dia, Zhao Huan finalmente teve a chance de sair de casa, pois sua avó havia ido a um chá com algumas senhoras. Ela nem se importou em saber o que a velha estava aprontando; tudo o que ela queria era ver Qie Ran. A vontade de vê-lo aumentava a cada dia que passava, e a solução era simples. Apenas um vislumbre de Qie Ran a faria se sentir completa novamente, e assim ela deixou a mansão assim que teve a oportunidade.

Sua serva a seguiu de perto, em protesto silencioso. Quando a senhorita saiu sem ela, a serva levou dez chicotadas por falhar em seu dever. Antes de a Senhora Zhao sair, ela já havia ameaçado a serva, dizendo que se Zhao Huan desse um passo fora do pátio, ela receberia vinte chicotadas — não que sua patroa se importasse.

Assim que os meninos terminaram o café da manhã, Zhao Huan chegou com um sorriso radiante que poderia agitar os sete mares. Ela os cumprimentou com entusiasmo, mas, para sua surpresa, não obteve a resposta esperada. Os meninos fingiram não tê-la visto, contornando-a para sair da sala com a cabeça baixa. 'Uns ingratos, não sabem quem eu sou?', pensou ela, ainda usando a máscara gentil e calorosa que enganaria facilmente qualquer um.

Os meninos esvaziaram o refeitório, deixando Zhao Huan e sua serva confusa. "Minha senhora, acho melhor irmos embora", disse a serva em voz baixa. Elas já haviam ido ao abrigo inúmeras vezes antes, mas nunca havia sido tão hostil. Ela temia que Zhao Huan causasse problemas e a fizesse levar mais chicotadas, então decidiu falar.

Zhao Huan rasgou sua máscara, finalmente mostrando sua raiva. "Quem eles pensam que são para me ignorar assim? Esses órfãos imundos têm sorte de respirar o mesmo ar que eu, e ainda ousam me ignorar. Uns bastardos tão desrespeitosos e ingratos", disse ela, rangendo os dentes. Ela nunca havia sido tão desrespeitada, pior ainda, desrespeitada por meros camponeses. Se não fosse por Qie Ran, ela teria destruído aquele lugar e o teria reduzido a pó antes do pôr do sol.

Manchu, que acabara de ser informado da chegada de Zhao Huan, foi dar uma olhada. Ele estava plenamente consciente do motivo pelo qual a mimada Senhora os havia agraciado com sua presença, mas não havia como Qie Ran atendê-la, especialmente em seu estado mental atual. A atmosfera no abrigo era extremamente sombria, sem um raio de sol à vista.

A ausência de Lin Jin havia cultivado uma atmosfera capaz de desanimar qualquer um assim que entrasse. Desesperados por animar Qie Ran, eles até mesmo foram à Mansão Lin tentando convencer a "saozi" [1] a voltar com eles, mas a cada vez eram rejeitados com a mesma resposta. Os meninos não conseguiam suportar ver Qie Ran daquele jeito, então, quando ouviram passos se aproximando, imaginaram que era Lin Jin, pois ele era a única pessoa que podia entrar sem se anunciar.

Imagine só a decepção deles ao ver Zhao Huan se exibindo como se fosse dona do lugar. Eles não gostavam dela e não fizeram nenhuma tentativa de esconder seus verdadeiros sentimentos, especialmente agora que sabiam que ela gostava do irmão mais velho deles. Foi por isso que saíram rudemente, deixando Manchu para lidar com a situação.

Manchu estava prestes a entrar no refeitório e encontrar uma desculpa educada para mandá-la embora quando a ouviu falar mal de seus irmãos. Sua língua maldosa não conhecia limites, dizendo o que bem entendia como se estivesse em sua própria casa. Suas palavras o enfureceram, mas ele se conteve ao pensar em Lin Jin, que sempre falara muito bem dela.

Ele entrou imediatamente, pronto para mandá-la embora, sem mais interesse em ouvir seus insultos. Manchu estava prestes a resolver a situação o mais rápido possível quando foi recebido pelos olhos lacrimejantes e vermelhos de Zhao Huan, com lágrimas se acumulando nas bordas de seus belos olhos, fazendo-o esquecer completamente o que queria dizer.

'Droga! Como ela consegue mudar de pele tão rápido?', pensou ele, vendo aquele rosto lastimável; ele teria facilmente acreditado se não tivesse ouvido as palavras dolorosas que ela estava proferindo um segundo antes. Vendo-o assustado, Zhao Huan intensificou seu jogo, implorando a ele enquanto o segurava pelo braço.

"Irmão Manchu, por favor, deixe-me vê-lo. Tenho que agradecê-lo por ter me salvo naquele dia. Quero vê-lo e ter certeza de que está bem. Por favor, eu imploro, irmão Manchu, só desta vez", disse ela, quase ajoelhando-se no chão, chorando. Manchu ficou estupefato, olhando para aquela mulher que merecia ser uma atriz mundialmente famosa. Ela era tão convincente que ele começou a duvidar do que havia ouvido antes.

Manchu estava prestes a se livrar daquela garota grudenta quando ouviu uma voz gelada e ameaçadora vindo da porta, dizendo: "O que você está fazendo aqui?". A sala foi subitamente preenchida por uma aura opressiva e arrepiante que fez Manchu e a serva tremerem.

Em meio a tudo isso, Zhao Huan foi a única exceção, correndo direto para os braços de Qie Ran enquanto ela começava a chorar, dizendo: "Senti saudades, Ran-ge."

[1] - Saozi: termo carinhoso para se referir a uma pessoa querida, neste caso, a Lin Jin. A tradução literal seria algo como "pequena" ou "menininha", mas o contexto sugere um afeto maior.

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