Volume 1 - Capítulo 42
Salvando o CEO Autoritário
Se este mundo tivesse um canal de previsão do tempo, teria emitido um alerta para a população: “Atenção, cidadãos! Furacão Qie Ranzhe se aproxima!”. Uma aura escura, invisível a olho nu, emanava de seu corpo, atraindo energias negativas e ressentidas de toda a cidade. Quem passasse perto dele sentia os músculos enrijecerem de medo, cada fio de cabelo se arrepiando, percebendo o perigo iminente. Era só o começo, uma gota no oceano comparado ao que Qie Ranzhe sentiria ao chegar ao abrigo e descobrir que o gato que ele acolhera ainda não havia chegado.
Com o corpo rígido, Qie Ranzhe sentou-se na cama, esperando Lin Jingxie aparecer, jurando não jantar até que ele surgisse. Mas a cada momento que passava, a possibilidade disso acontecer diminuía. Qie Ranzhe cerrava e descerrava os punhos repetidas vezes, tentando deduzir o que poderia ter acontecido. Quanto mais afundava em um mar de pensamentos negativos, mais raiva sentia, até que Machu teve que intervir para acalmar a fera.
“Ran-ge, provavelmente não é nada. Come primeiro, talvez ele apareça depois. Você sempre pode esperar até de manhã para falar com ele, senão pode acabar se expondo se o vir com uma garota”, disse Machu, com um pé na porta, pronto para escapar se suas palavras irritassem Qie Ranzhe.
Para sua surpresa, Qie Ranzhe concordou, levantou-se de repente e dirigiu-se à sala de jantar, rangendo os dentes e batendo os pés a caminho. A mesa estava posta com todo tipo de comida requintada e deliciosa, digna de um restaurante cinco estrelas, preparada pelo melhor chef. Qie Ranzhe parou, com os pauzinhos pairando sobre a mesa, as sobrancelhas franzidas. Apesar de apetitoso, a comida não era do seu agrado; algo definitivamente havia mudado. “O que é isso?”, perguntou Qie Ranzhe em tom solene, batendo os pauzinhos de volta na mesa.
Machu ficou petrificado, incapaz de articular uma única palavra. Lin Jingxie havia passado por lá, como de costume, e deixara pratos cuidadosamente embalados para Qie Ranzhe. Logo depois que ele saiu, Zhao Huangzhi apareceu procurando por Qie Ranzhe, só para descobrir que ele tinha ido para as montanhas treinar. Ela claramente vira Lin Jingxie se afastando antes de entrar no portão, então perguntou a um dos rapazes o que Lin Jingxie estava fazendo ali se Qie Ranzhe não estava.
Enfeitiçado por sua beleza, o rapaz revelou os detalhes, mencionando como Lin Jingxie trazia comida para Qie Ranzhe todos os dias, pratos especialmente preparados para ele. Uma pontada familiar de dor, verde de inveja, o atingiu no peito. Ela achou que esse dever era a razão pela qual Lin Jingxie era tão bem tratado, enquanto procurava a cozinha. Acreditava firmemente que Qie Ranzhe se sentia em dívida com Lin Jingxie por causa da comida que ele lhe trazia todos os dias.
Uma ideia brilhante, repentina como uma árvore de Natal acesa, surgiu em sua esperta mente. Ela então perguntou, em tom suave e doce: “Você poderia me mostrar a cozinha? Estou com muita sede e gostaria de beber um pouco de água?”. O rapaz não desconfiou de nada, especialmente porque já vira Qie Ranzhe e Lin Jingxie saindo com ela antes, e lhe mostrou o caminho. Com a xícara na mão, ela olhou pela cozinha, procurando por qualquer coisa que se parecesse com comida embalada, enquanto iniciava seu plano de sabotagem.
Ela tinha certeza de que, assim que Qie Ranzhe provasse a comida feita pelo chef da família dela, automaticamente rebaixaria Lin Jingxie e comeria a comida dela. O canto de sua boca se curvou levemente em um sorriso quando ela encontrou a elegante caixa de bento de madeira de três andares no final da mesa. Estava claramente separada das outras comidas embaladas, indicando sua importância. Não tinha dúvidas de que havia encontrado a certa, e então cambaleou para frente, fingindo ter tropeçado. Seu quadril bateu na mesa e a caixa caiu com um estrondo.
Os dois congelaram, com o corpo tenso, encarando-se. Zhao Huangzhi pediu desculpas com a maior sinceridade, mas quanto mais o rapaz encarava aquela caixa quebrada, com todo o conteúdo espalhado pelo chão, mais pálido ficava seu rosto. Ele colocou as mãos de cada lado da cabeça, parecendo um coveiro em um funeral, murmurando: “Ele vai me matar, ele vai me matar mesmo!”.
Machu ouviu o barulho e correu para ver o que havia acontecido. Seu rosto se contorceu ao olhar para o conteúdo espalhado do que deveria ter sido o jantar de Qie Ranzhe, uma das poucas coisas que ele sempre esperava ansiosamente. Zhao Huangzhi não entendia por que eles tinham reagido tão mal; não era apenas comida?
Machu estava prestes a correr para a Mansão Lin e convencer Lin Jingxie a preparar mais comida quando seu caminho foi bloqueado por Zhao Huangzhi.
Para ela, uma fruta era uma fruta; qual o sentido de ser exigente? Mas para Qie Ranzhe, você não podia lhe dar uma maçã tentando passá-la por abacaxi. Eram claramente diferentes; daí a reação de Qie Ranzhe à comida de qualidade estelar diante dele. Machu tinha uma ligeira ideia de que o plano dela não funcionaria, pois Qie Ranzhe não comia nada que não fosse cozido ou dado a ele por Lin Jingxie há muito tempo, o que o transformou em um comilão exigente. Basicamente, se não fosse do Jin-ge, ele não comia.
Era como tentar alimentá-lo com carne de cavalo, passando-a por carne bovina. “Ran-ge, por fa-favor, não fique bravo, seu jantar caiu no chão e… ah… Zhao Huangzhi trocou…” ele gaguejou, mas não conseguiu terminar quando o som de uma cadeira arrastando no chão chamou sua atenção. Qie Ranzhe se levantou com olhos escuros e venenosos que significavam assassinato, enquanto algo se quebrava dentro dele.
“Oh, droga!”, pensou Machu, com as pernas bambas tremendo como folhas, enquanto observava Qie Ranzhe sair porta afora, rumo a não se sabe onde.