
Volume 5 - Capítulo 442
O Amante Proibido do Assassino
Ele realmente havia transformado sua respiração fedorenta em uma arma.
Quando o guarda-chefe viu a etiqueta na aeronave, suas sobrancelhas se franziram. Era da equipe enviada para capturar a besta gigantesca do Deserto das Caveiras, mas não havia sinal deles, apenas dos cativos que levaram como isca.
Ele imediatamente ergueu seu rifle e disse: “Saiam da aeronave... Agora!”
Nayeli, levemente ansiosa, não conseguia mover os pés, seus músculos tensos por um instante. Ela olhou lentamente para o irmão e depois para Zi Han, atrás dela. Zi Han percebeu seu nervosismo a quilômetros de distância, então piscou para ela, e Nayeli sentiu uma pontada no coração. Ela abriu a boca e estava prestes a falar quando o homem gritou novamente:
“AGORA!”
Os dois se levantaram às pressas, mas Zi Han permaneceu sentado, com expressão totalmente despreocupada. Ele estava totalmente indiferente ao que acontecia fora da aeronave.
“Onde estão os outros?! Me diga! Você os matou, sua vadia estúpida?”, berrou o guarda furiosamente, enquanto o outro se aproximava para tentar puxar Zi Han para fora da aeronave.
“Saiam do veículo. Você não entende o que eu estou dizendo? Você é idiota, por acaso?”, gritou o homem, mas Zi Han levantou o pulso amarrado, mostrando que estava preso ao chão. “Veja, está um pouco inconveniente para mim obedecer”, disse ele, e o guarda, furioso, puxou a corda e a cortou. Ele estendeu a mão para agarrar o ombro de Zi Han com suas mãos sujas, com manchas de tabaco em suas unhas descuidadas.
O homem que havia sido evitado como se estivesse com uma doença incurável olhou para ele furiosamente, mas quando viu aquele rosto, ficou tão deslumbrado que seu cérebro travou por um minuto.
Zi Han era como qualquer outro homem, alto e forte. A única diferença era que ele parecia um imortal inatingível, descido dos céus, com uma pele perfeita que dava vontade de tocar.
…
O olhar nos olhos do homem era o que se poderia chamar de amor à primeira vista. Seu olhar seguiu Zi Han enquanto ele saía da aeronave com um ar digno e frio ao seu redor.
Zi Han passou por ele, e o guarda só conseguiu segui-lo como um servo seguindo seu mestre.
“Me diga. O que você fez com eles?!”, gritou o guarda, seguido por um forte baque de Nathan levando um soco no rosto.
“Não! Irmão!”, gritou Nayeli enquanto corria para socorrer o irmão, que estava caído no chão, mas antes que ela pudesse alcançá-lo, recebeu um chute na lateral da cintura e caiu no chão com um estrondo.
Zi Han se sentiu muito desconfortável assistindo a isso, mas não podia fazer nada para salvá-los, já que deveria fingir ser um cativo.
Com um sorriso de canto, ele olhou para o guarda que achava divertido torturar os fracos e disse: “Não admira que seus homens morreram. São tão patéticos e fracos quanto você.”
O homem que queria bater em Nayeli novamente olhou para cima, e sua fúria se voltou para Zi Han. Ele pulou por cima de Nayeli, encolhida no chão, e pisou nela enquanto berrava: “O que você disse? Quer repetir isso, hein? Repete isso, garotão.”
Zi Han, “…”.
Quem esse homem pensava que era para chamá-lo de “garotão”? Ele não era um “garotão”. Bonito, sim… “garotão”, não. Parecia que, depois de entrar, ele teria que ensinar a essa pessoa algum vocabulário e fazê-lo entender a diferença entre bonito e “garotão”.
Zi Han estava realmente tentando manter a calma, mas o homem foi até seu rosto e cuspiu nele. Pior ainda, seu hálito cheirava a tabaco podre, como se ele não escovase os dentes há décadas e deixasse aquilo “curtir”. Ele realmente havia transformado sua respiração fedorenta em uma arma.
Zi Han desviou o olhar, sem querer se rebaixar. O cheiro era tão intenso que ele não conseguiu evitar engasgar várias vezes. Zi Han deu um passo para trás e estava prestes a oferecer ao sujeito um bala de menta quando Nayeli falou.
“Senhor, nós… nós encontramos este homem e ele tinha algo valioso. Algo que o senhor gostaria de saber”, ela estendeu a mão, mostrando três nectarinas frescas e suculentas.
Os guardas ficaram atônitos olhando para as frutas em suas mãos. Havia algumas frutas espalhadas pela República, mas eram caras e raras.
Nenhuma delas parecia tão apetitosa, então eles não conseguiram evitar a baba. Um forte instinto de brigar por essa coisa preciosa surgiu neles, mas nenhum deles ousou dar um passo à frente. Eles sabiam que, se ousassem tocar nisso, seu chefe os mataria.
“Este homem deve ter mais, ou pelo menos saber onde conseguir mais disso. É por isso que o trouxemos conosco. Gostaríamos de trocar pela liberdade de nossa mãe”, continuou Nayeli, seus ombros tremendo de medo.
“Levem-nos para dentro!”, gritou o guarda antes de agarrar o braço de Zi Han e puxá-lo bruscamente para frente. “Vamos, princesinha”, disse ele, e Zi Han quase vomitou. Ele jurou que faria seu namorado pagar por isso quando colocasse as mãos nele. Aqueles homens eram imundos, sem nenhum conceito de higiene pessoal.
O grande portão de ferro se abriu e as três pessoas foram arrastadas para a pequena cidade. O lugar era degradado, com telhados cobertos de poeira e lixo espalhado por toda parte, mas os moradores não pareciam se importar.
Havia homens e mulheres brigando nas ruas, alguns estavam jogando e sons obscenos podiam ser ouvidos vindo das casas dilapidadas nas laterais. Uma mulher saiu correndo de um dos quartos, com a parte superior do corpo exposta, enquanto ria, fugindo de um grupo de homens.
Em pouco tempo, eles a alcançaram e a apalparam em público antes de arrastá-la para outro quarto. Pelo jeito, todos estavam chapados com alguma coisa.
A sobrancelha de Zi Han se arqueou enquanto ele seguia silenciosamente atrás do grupo de homens. Aquele lugar era muito mais caótico do que as favelas dos distritos de um a dez em que ele cresceu. Pelo menos, aquelas pessoas não teriam conduta sexual inadequada abertamente em público. Aquele lugar parecia desesperador em comparação com o lugar onde ele cresceu. Era como o inferno, especialmente para as crianças que nasciam ali. A taxa de natalidade da República era extremamente baixa devido à exposição constante à radiação, e aqueles que nasciam viviam na miséria.