
Volume 4 - Capítulo 349
O Amante Proibido do Assassino
Yi Chen suspirou, sentindo-se um pouco derrotado. Acariciou as costas de Zi Han, inclinou levemente a cabeça e esfregou o lóbulo da orelha do amado antes de sussurrar: “Eu fico, mas... tenho que ir antes do sol nascer, tá bom?”
Os lábios de Zi Han curvaram-se num leve arco que demonstrava alegria e tristeza ao mesmo tempo, uma sensação agridoce.
Dez minutos depois, ele estava tendo dificuldades para lidar com suas emoções, a ponto de ficar inquieto. Mexia em tudo, reclamava do que a mãe havia dito ou do que o avô fizera.
Ele ainda prestava atenção em Yi Chen, mas não exatamente atenção. Era porque temia se apegar ainda mais a Yi Chen, o que tornaria muito difícil a separação em algumas horas.
Era como se, inconscientemente, tivesse construído uma parede de metal em torno do seu coração para que não doesse tanto quando Yi Chen o deixasse no dia seguinte.
Insistiu em preparar algo para comer e levantou-se, mas Yi Chen levantou-se abruptamente e bloqueou o caminho de Zi Han.
“Deixa que eu faço alguma coisa. Prometo que será rápido”, disse Zi Han com um leve sorriso, mas, na verdade, seu coração doía. Vendo que Yi Chen não respondeu, Zi Han deu um passo para a esquerda para passá-lo, mas Yi Chen moveu o pé para o lado, bloqueando novamente seu caminho.
Zi Han deu um tapinha no peito de Yi Chen e disse: “Não vai demorar. Vou fazer o seu favorito, tá bom?”, antes de dar um passo para o outro lado.
Yi Chen moveu-se abruptamente e bloqueou seu caminho novamente, sua expressão parecendo despreocupada. “Amor, não faça manha, tá? Agora seja bonzinho e sente ali. Ou pode ir tomar um banho e se esquentar. Você se molhou na chuva”, disse Yi Chen tentando acalmar Zi Han.
...
Desta vez, Yi Chen não bloqueou seu caminho. Zi Han beijou seu queixo com um toque leve como pena, o suficiente para enviar faíscas direto para seu coração.
Assim que Zi Han passou por ele, Yi Chen agarrou o braço do amado, e Zi Han foi forçado a parar. Zi Han ergueu a cabeça, olhando o perfil de Yi Chen, o coração batendo forte contra o peito.
Um clarão de raio assustadoramente brilhante rasgou o céu, seguido por um estrondo de trovão, enquanto a chuva lá fora começava a cair forte, batendo contra as janelas de vidro.
Quando o trovão estrondoso abalou os céus, o coração de Zi Han saltou do peito, mas seu olhar permaneceu naquele belo perfil. Era como se o clima estivesse transmitindo a mágoa de Yi Chen em seu lugar.
“Minha mãe me pediu para trazer a lasanha congelada que ela fez antes de ir embora...”, disse ele, e Zi Han lambeu os lábios antes de dizer:
“Então eu preparo alguns acompanhamentos.”
Yi Chen suspirou antes de fitá-lo pelo canto do olho e dizer: “É assim mesmo que você quer passar essa noite? Pode ser que eu não te veja por muito tempo... Pense bem.”
Depois de dizer isso, Yi Chen relutantemente o deixou ir e virou-se para a escada. Ele cruzou os dedos silenciosamente, esperando que Zi Han o seguisse. Pensou que seu amado o abraçaria pela cintura como antes e diria algo doce para acalmá-lo, mas na metade da escada, percebeu que Zi Han não iria impedi-lo. Um toque de decepção brilhou rapidamente em seus olhos, mas ele não voltou o olhar.
Ao entrar no quarto, tirou a camiseta e a calça jeans antes de remover seu pingente. Ao colocar o pingente no pedestal, lançou um olhar para o anel em seu dedo.
Seus lábios comprimiram-se numa linha fina enquanto ele torcia o anel como se para removê-lo. Ninguém poderia dizer o que ele estava pensando naquele momento. Ao pensar nas palavras de seu pai, seus olhos escureceram levemente.
Ele nunca tinha pensado nisso antes, mas agora que seu pai havia mencionado, não conseguia deixar de pensar demais e questionar se Zi Han realmente o amava ou não.
Apesar de estarem juntos por tanto tempo, Zi Han nunca dissera aquelas palavras que ele desesperadamente queria ouvir. Ele sempre se disse que os sentimentos de Zi Han cresceriam com o tempo e ele finalmente as diria.
Quando ele disse, Yi Chen ficou tão feliz, mas logo depois Zi Han, intencional ou não, sabotou o relacionamento deles.
Após dias longe dele e longe da influência de Zi Han, ele começou a duvidar do amor de Zi Han por ele. Suas dúvidas foram ainda mais exacerbadas pelo que acabou de acontecer. Apesar de saber que só tinham algumas horas juntos, sem nenhuma certeza de quando poderiam se encontrar novamente, Zi Han estava escolhendo passar parte desse tempo precioso longe dele.
Esse pensamento o fez torcer o anel com a intenção de tirá-lo, mas quando estava a meio caminho, ele franziu a testa e o colocou de volta.
E daí se Zi Han não o amasse tanto quanto ele amava Zi Han? Ele deixaria de amá-lo então? Ele deixaria esse relacionamento? A resposta para todas essas perguntas era não. Ele preferia morrer. Mesmo que Zi Han não o amasse tanto quanto ele o amava, Yi Chen nunca o deixaria ir. Ele faria o que fosse preciso para que isso funcionasse, mesmo que agora estivessem em lados opostos da fronteira.
Yi Chen esfregou o anel no dedo carinhosamente, seus olhos radiantes e brilhantes. “Se o amor me deixa idiota, então eu escolho ser um idiota pelo resto da minha vida”, sussurrou ele com um leve sorriso no rosto.
Ele abaixou a cueca e entrou no chuveiro. À medida que a água morna escorria por seu corpo, um peso enorme parecia ser removido de sua alma.