
Volume 2 - Capítulo 167
O Amante Proibido do Assassino
167 “Chen-ge, você está com sede?”
Sabe aquela cara que a gente faz quando vê alguém brincando com fogo, principalmente alguém que não tem ideia de como dói uma queimadura? Pois é, Yi Chen tinha exatamente essa expressão enquanto Zi Han ajoelhava-se diante dele, entre suas pernas abertas.
Se Yi Chen não começou a imaginar certas coisas naquele momento, então ele não era homem. Com o cara de quem gosta ajoelhado na sua frente, como se fosse prestar algum tipo de serviço especial, ele não conseguia evitar ter algumas expectativas.
Ele inconscientemente passou a língua no lábio inferior, enquanto colocava a mão que Zi Han queria agarrar no apoio de cabeça do assento. Aquela mão havia cometido um ato sem-vergonha, e ele não queria que Zi Han a tocasse.
Zi Han agarrou a outra mão e começou a beliscar sua palma, dizendo: “Suas mãos são tão ásperas.”
Yi Chen inconscientemente ajustou sua posição sentada e perguntou: “Você não gosta?”
Zi Han balançou a cabeça em negação enquanto continuava beliscando sua palma. Yi Chen se sentiu um pouco melhor, mas ainda não estava convencido, então perguntou: “Aquele garoto era melhor que eu… quer dizer, na massagem?”, gaguejando.
Zi Han levantou a cabeça e sorriu, olhando para o rosto de Yi Chen. “As mãos dele eram muito macias. Claro que eu prefiro que você faça… é que você é muito pão-duro”, disse ele, com a última frase dita com a cabeça abaixada novamente.
Zi Han começou a traçar brincalhonamente as linhas na palma de Yi Chen enquanto negociava: “Que tal você aumentar os dias para quatro por semana? Meus músculos ficam realmente doloridos com tanto treino pesado.”
Yi Chen recuou a mão, mas Zi Han agarrou seu pulso e o puxou de volta. “Chen-ge, você quer que eu volte para o spa…”, sua voz como a de um namorado tentando convencer a namorada a fazer sem camisinha.
…
Apesar das consequências, Yi Chen estava muito interessado e queria aceitar a oferta. Ele limpou a garganta enquanto desgrudava a mão de Zi Han do seu pulso.
“Senta direito primeiro para a gente conversar direitinho”, disse ele, com a voz grave e um pouco rouca. Sua maçã do Adão se moveu antes que uma leve exalação escapasse entre seus lábios entreabertos.
Zi Han olhou para ele e, com um sorriso encantador, disse: “Chen-ge, você está com sede?”
A respiração de Yi Chen falhou, seu coração batendo forte contra o peito. Claro que ele estava com sede. Ele estava morrendo de sede, mas como dizer isso? As pontas das orelhas estavam tão quentes e o calor subia para o rosto.
Seu nariz já havia parado de sangrar, mas na velocidade que as coisas estavam indo, ele ia ter outro sangramento nasal. No entanto, o que Zi Han disse em seguida apagou instantaneamente o fogo que corria desenfreado em seu corpo.
“Eu posso te pegar um pouco de água, se você quiser… aqui”, disse Zi Han, completamente alheio ao que Yi Chen estava pensando.
Yi Chen, “…”
Okay, foi mesmo culpa dele. Foi culpa dele por ter pensado demais. Zi Han entregou-lhe a garrafa de água enquanto se levantava.
Mas antes que ele pudesse voltar para o seu assento, um alerta de proximidade alto foi emitido e, com uma guinada brusca, o carro voador mudou de curso e o corpo de Zi Han foi arremessado para longe.
Zi Han sentiu um braço forte puxá-lo para um abraço e proteger seu corpo de bater na estrutura do carro voador.
Assim que o veículo parou, Zi Han abriu os olhos e foi recebido pela expressão ansiosa de Yi Chen. “Você está bem?” perguntou Yi Chen, abraçando Zi Han com força, sem querer soltá-lo.
Zi Han piscou distraidamente por um segundo, traçando o rosto de Yi Chen com o olhar. Foi preciso Yi Chen esfregar sua bochecha com o polegar, chamando-o suavemente, para trazê-lo de volta à realidade.
“Han Han”, disse ele, e Zi Han, que o havia encarado, voltou a si.
“Eu estou bem…”, respondeu ele antes de se sentar apressadamente, “você está bem?”
Yi Chen acenou com a cabeça antes de ajudá-lo a levantar. Suas costas estavam um pouco doloridas, mas não valia a pena mencionar.
“Raylan… o que está acontecendo?” ele perguntou, e o sistema de IA respondeu prontamente.
“Senhor, um portal acabou de se abrir no meio da estrada, causando um acidente de múltiplos veículos”, respondeu, enquanto uma tela flutuante com imagens ao vivo do exterior aparecia.
Ele podia ver um aglomerado de veículos encravados uns nos outros, enquanto uma besta menor em tamanho em comparação com aquelas com as quais lutaram estava engajada em batalha com o sistema de defesa de Capital Star, Sheba.
O portal já havia desaparecido, como se tivesse a intenção de liberar uma besta antes de se fechar. Devido ao ataque anterior a Capital Star, Sheba havia recebido uma atualização massiva e, portanto, era especialmente implacável, despedaçando a criatura.
“Deveríamos…”, perguntou Zi Han, seu olhar fixo naquela besta tentando fugir, apesar de ter seu braço e pernas dilacerados.
Yi Chen balançou a cabeça com uma expressão pensativa. Não havia absolutamente nenhuma necessidade deles irem ajudar. O sistema de defesa cuidaria de tudo.
Seu coração, naquele momento, estava em turbulência. O que aconteceu naquele dia aconteceria novamente no futuro, colocando Zi Han em risco. Ele tinha que descobrir como parar aquilo, caso contrário, se algo acontecesse com Zi Han, ele não saberia o que fazer.
Ele desviou o olhar e olhou para o jovem ao seu lado. Zi Han ainda estava olhando para a tela, sua expressão séria, como se estivesse pensando em algo. A mão de Yi Chen inconscientemente se estendeu. Ele estava prestes a tocar a mão de Zi Han, mas sua mão congelou ao roçar o dorso da mão de Zi Han com os dedos.
Zi Han distraído entrelaçou o dedo de Yi Chen com o seu, como que o tranquilizando. Seu coração acelerou enquanto desviava o olhar.
Por sua expressão, ninguém diria que seu eu interior estava tão feliz que poderia pular de alegria. Aquele era realmente um sinal. Zi Han devia ter se comovido com ele e não o recusaria se ele confessasse seus sentimentos, certo?
***
“Isto é inaceitável… muito inaceitável. Alguém tem que se responsabilizar por isso!”
“Admita, Marechal Yi. Você falhou em cumprir seu dever sagrado, que é proteger a federação e seu povo.”
“Ninguém está seguro. Minha família nem consegue sair de casa com tranquilidade. Quem sabe quando o próximo portal vai se abrir e causar estragos?”