
Volume 2 - Capítulo 145
O Amante Proibido do Assassino
Era a garota Zi, não, não, não… o rapaz Zi.
Um homem de cabelo roxo, vestido com uma camisa preta de gola alta, da confeitaria, colocou duas taças na mesa: uma com um belo pedaço de bolo de esponja de morango, lindamente decorado, e a outra com crepes deliciosos, polvilhados com açúcar de confeiteiro e frutas vermelhas variadas.
Os clientes sorriram graciosamente, admirando a comida requintada em seus pratos, e o garçom acenou para eles antes de notar uma tia estranha sentada em uma mesa do lado de fora, agindo de forma suspeita.
Ele se desculpou antes de sair e interromper a mulher que estava espiando. "Ahem", ele limpou a garganta enquanto se posicionava atrás dela. Como ela tinha o pescoço torcido de um jeito estranho, quase caiu quando o ouviu falar.
"Shh, shh… você está tentando me pegar?", ela sussurrou enquanto endireitava a postura. Ela abaixou os óculos escuros, revelando um lindo par de olhos cor de pêssego.
O garçom ficou sem palavras por um momento, tendo reconhecido a identidade da pessoa. A esposa do Marechal era cliente frequente da confeitaria, com três ou mais compras por semana. Se ela não viesse pessoalmente com seus dois filhos pequenos, pedia que doces e bolos fossem entregues.
Mas hoje ela estava com a cabeça envolta como uma freira, espionando as pessoas. O garçom ficou sem palavras enquanto ficava ali parado com o robô de serviço gordinho, com formato de bola, flutuando ao seu lado, esperando pacientemente para receber seu pedido.
O garçom abaixou a cabeça e disse em um tom suave e educado: "Senhora…"
"Mn… traga o de sempre e embrulhe para viagem", disse ela antes de virar a cabeça levemente para espiar pelos vãos do arbusto.
Seus olhos penetrantes se concentraram no perfil lateral do jovem, e quando viu aqueles olhos espertos de raposa e lábios coloridos como orquídeas rosas, ela teve um momento de iluminação.
…
Era a garota Zi, não, não, não… o rapaz Zi. Ela sabia que algo estava acontecendo entre os dois, mas não tinha nenhuma prova. Era algo mais do que um simples relacionamento entre colegas de classe.
Ela sabia que seu filho saía muito com Li Ran, mas além de treinar e brincar na arena virtual com batalhas de mechas, eles nunca passavam o tempo em atividades tão fúteis. Não foi ela quem disse isso, mas o próprio Yi Chen.
Agora, essa mesma pessoa havia ido a um café voluntariamente e comprado um smoothie para alguém, para ficar sentado, nem mesmo para viagem. Essa mãe estava chocada além das palavras.
O que ela não percebeu foi que seu filho rigoroso, que raramente era influenciado por fortes emoções e conseguia abordar todas as situações com uma mente racional e imparcial, havia procurado na Starnet: "O que fazer com a minha paixão?", e essa era uma das coisas que apareceram.
Seu filho realmente se esforçou muito nesse encontro unilateral. Se ela soubesse, honestamente ficaria orgulhosa dele. Na velocidade em que ele estava indo, ela temia que ele fosse assexual ou ficasse solteiro para sempre.
O garçom se apressou, não ousando ficar mais tempo perto dessa grande "figura de respeito" [1], para não a ofender.
Yi Chen, que tinha um sexto sentido aguçado, sentiu que algo estava muito errado. Mas quando olhou ao redor, só havia clientes cuidando da própria vida. Quando Lin Ruoxi sentiu o olhar de seu filho, ela se escondeu atrás do arbusto e diminuiu sua presença.
Zi Han, que não tinha ideia de que estava sendo observado por uma mãe entusiasmada, afastou o café gelado enquanto zombava de Yi Chen, dizendo: "Isso é uma tortura em forma de bebida e você ainda pagou por isso".
Yi Chen sorriu maliciosamente antes de pegar o copo de café gelado e tomar alguns goles. Acontece que não precisava de adoçante, pois era especialmente doce.
Com um olhar satisfeito nos olhos, ele colocou o copo e olhou para Zi Han, que ainda estava lutando para limpar o paladar com o smoothie.
Zi Han notou seu olhar, então colocou o copo enquanto perguntava: "Você lembra daquela foto minha naquela coisa de encontro falso?"
Yi Chen, que lembrava exatamente a foto a que Zi Han se referia, tentou se fazer de bobo perguntando: "Que foto?"
"A da sua moto flutuante, você ainda tem?", explicou Zi Han com os dedos batendo levemente na mesa.
Yi Chen fingiu que estava pensando seriamente antes de responder: "Ah, aquela. Por quê?… Você quer?"
Claro que ele queria. Ele se sentia sexy naquela saia e queria guardá-la como lembrança. "Sim, eu estava pensando em colocá-la como meu avatar na Starnet e fingir que tenho uma irmã gêmea. Quero ver quantos tarados existem na primeira turma", explicou ele com um sorriso malicioso no rosto.
O que ele quis dizer com "quantos tarados na primeira turma" foi o número de pessoas que veriam sua foto de perfil assim que ele a postasse. A Starnet tinha esse recurso que podia dizer quem havia visto o perfil do usuário e quantas vezes o fizeram.
Essa resposta, no entanto, não caiu bem para Yi Chen. Ele respondeu imediatamente: "Eu apaguei… no mesmo dia…"
Zi Han, "..."
Ok, ele volta atrás. Ele não queria mais ser amigo de Yi Chen. O cara não só rasgou seu bichinho de pelúcia, mas também apagou sua foto. Era tão feia que ele não conseguia guardá-la por alguns dias? Se ele não quisesse no seu cérebro de luz, poderia ter enviado para ele antes de apagar.
"Presidente da turma, você é realmente sem coração. Você nem conseguiu guardar minha foto por tanto tempo. Era tão feia assim?", perguntou ele com um olhar de aborrecimento.
Yi Chen, que achava que sua desculpa era perfeita, de repente se sentiu culpado.
A razão pela qual ele mentiu com uma cara séria foi porque, quando ouviu os motivos de Zi Han para querer a foto, seus lábios se moveram subconscientemente e soltaram essa desculpa.
Ele sabia o quanto aquela foto era sexy. Nem ele mesmo conseguia guardá-la na pasta normal da galeria do seu cérebro de luz porque era muito provocante.
Caso sua família pegasse seu cérebro de luz, ele escolheu guardá-la em uma pasta criptografada para poder apreciá-la todas as noites antes de dormir.
Já era tarde demais para ele ser salvo. Ele havia caído fundo nessa armadilha e não conseguia se livrar. Ele até queria encomendar um travesseiro de corpo com a cara de Zi Han.
Se não fosse pelo fato de que ele temia que aqueles pequenos patifes invadissem seu quarto enquanto ele está dormindo, ele já teria feito isso.
Ele mal podia esperar para ter seu próprio quarto quando se alistasse para poder pegar aquele travesseiro de corpo e abraçá-lo todas as noites.
[1] - Expressão utilizada para se referir a uma pessoa importante ou influente, a quem se deve respeito e deferência, mesmo que não se goste dela. Similar a "figura importante" ou "autoridade".