
Volume 2 - Capítulo 128
O Amante Proibido do Assassino
Yi Chen, ainda tremendo levemente por causa do medo e da ansiedade, respondeu gaguejando: “Mn... ahem”. A razão para ele ter limpado a garganta era que ele percebera que suas mãos não eram as únicas coisas tremendo. Sua voz também estava trêmula. Os efeitos da adrenalina ainda não tinham passado completamente.
Ao se inclinar para pegar a primeira arma no chão, seu corpo foi jogado contra a parede e o frio metálico do cano de uma pistola de laser o atingiu na têmpora.
Ele se deparou de repente com a expressão cheia de ódio de Zi Xingxi. Seu coração disparou ao ver aquilo. Ele entendia que Zi Xingxi não gostava dele e ela havia enfatizado inúmeras vezes que não o queria perto do filho. Inúmeras vezes ele a desafiou, como se estivesse testando os limites de uma mulher enlouquecida.
Mas havia algo enterrado fundo naqueles olhos cheios de ódio. Algo além do problema atual. Devia ter algo a ver com seu pai, porque ele não havia feito nada que justificasse tanto ódio.
“O que eu te disse antes... hein?!” perguntou Zi Xingxi, e quando ele não respondeu, ela agarrou seu pescoço e o encarou com os olhos vermelhos de raiva. O ar estava carregado de pólvora, e a qualquer momento ela poderia explodir.
Os olhos de Zi Han se arregalaram antes que ele se apoiasse na parede e fosse segurar a mãe para impedi-la.
Ele agarrou o braço dela que segurava a pistola e engoliu em seco, com gotas de suor escorrendo pelo rosto. Tentou puxar o braço dela gritando “Mãe!”, mas Zi Xingxi era uma assassina treinada de nível SSS. Isso significava que ele não conseguia tirar a mão dela. Nunca antes ele havia desprezado tanto a própria fraqueza.
Ele só conseguia implorar que ela deixasse Yi Chen ir. “Mãe! Eu queria vir... só, só deixa ele ir”, sussurrou, mas a desespero na voz era nítido.
Zi Han ouviu passos atrás dele e, quando se virou, viu a secretária K correndo em sua direção. Desesperado, pediu ajuda a ela, mas assim que sua voz morreu, Zi Xingxi apertou ainda mais o aperto.
O rosto de Yi Chen ficou vermelho, com as veias do pescoço saltando, mas ele não recuou, nem havia traço de medo em seus olhos vermelhos e injetados de sangue. Era como um confronto entre titãs.
Os passos da secretária K pararam ao ver o aperto se intensificar. Se falasse agora, só pioraria as coisas, então ele deu um passo para trás e fez um gesto para Zi Han, indicando que ele tinha que conversar com ela.
Mas logo se arrependeu de ter pedido isso a Zi Han, pois, como os fatos provaram, ele era tão maluco quanto a mãe. Ofégante, com a ponta da língua pressionando forte contra a bochecha, ele pegou sua própria arma e a apontou para si mesmo.
Não, ele não era suicida, nem ia apertar o gatilho, mas era a única maneira de acabar com o conflito. Como esperado, Zi Xingxi saiu da sua fúria e imediatamente soltou Yi Chen. Com os olhos sem brilho, ela correu e tirou a arma da mão de Zi Han.
Não foi só ela quem ficou abalada. Yi Chen estava tão assustado que gritou: “Zi Han!”, mas antes que pudesse dar um passo à frente, Zi Xingxi empunhou sua arma novamente e ameaçou:
“Fica aí”, antes de se virar para Zi Han.
Zi Han se sentiu muito desconfortável vendo uma pistola apontada para Yi Chen. Ele abaixou a mão dela, e desta vez ela não se debateu. Obedientemente, guardou a arma e tentou conversar com Zi Han.
“Você não pode fazer isso nunca mais, você me ouviu?!” disse ela, afastando o cabelo do rosto dele antes de pressionar as duas palmas nas bochechas dele.
Zi Han segurou a mão dela, tentando acalmá-la: “Não vou, mas não ameace meu amigo. Se você continuar fazendo isso, quem vai querer ser meu amigo?”
Zi Xingxi queria dizer que já havia proibido ele de se aproximar de Yi Chen, mas engoliu as palavras e só pôde aceitar que não havia nada que pudesse fazer para impedi-los de ficar juntos.
Ela talvez tivesse se conformado, mas não ia deixar Yi Chen impune. Com esse pensamento em mente, virou-se para Yi Chen e, com um forte baque, deu um soco no rosto dele. Seus movimentos foram tão rápidos que Zi Han não conseguiu impedi-la a tempo.
“Mãe!” gritou Zi Han enquanto corria para ajudar Yi Chen a se levantar, mas sua mãe agarrou seu braço e disse:
“Isso é por ter pedido para ele vir quando sabia que algo ia acontecer.”
Depois de dizer isso, Zi Xingxi arrastou o filho para fora do beco, sentindo-se satisfeita. Toda aquela raiva e ressentimento contra Yi Chen haviam diminuído significativamente.
Ela talvez não aceitasse a interação entre o filho e ele, mas pelo menos, cada vez que visse os dois juntos, não teria mais vontade de socar a cara dele.
A secretária K estava sem reação naquele momento. Queria amenizar a situação, mas a expressão de Yi Chen não parecia muito boa. Ele simplesmente seguiu Zi Xingxi e Zi Han.
Ao sair do beco, encontrou Yi Feng e alguns almirantes do Marechal que estavam lá para dar apoio a Yi Chen, mas, infelizmente, chegaram tarde demais.
A secretária K parou ao lado de Yi Feng e, com os dois virados para lados opostos, sussurrou: “Diga a ele para não levar para o lado pessoal. Esse ódio não tem nada a ver com ele, mas sim com o pai dele.”
Yi Feng não entendeu do que ele estava falando, mas não precisava. Tudo o que ele tinha que fazer era transmitir a mensagem. Logo ele entendeu o significado de “diga a ele para não levar para o lado pessoal”.
Metade do rosto do primo estava inchada, ele sangrava pelo nariz e o lábio estava cortado. Zi Xingxi realmente o atingiu com força. Se não fosse pelo nível SS de Yi Chen, ele poderia ter tido o crânio esmagado.
“Você está bem?” perguntou Yi Feng enquanto tirava seu kit médico.
Yi Chen limpou o sangue do nariz com o dorso da mão enquanto se encostava na parede, tentando lutar contra a tontura. Ele estava muito irritado naquele momento e poderia acabar descontando em alguém inocente.