
Volume 1 - Capítulo 62
O Amante Proibido do Assassino
62 Luvas para proteção...?
Vendo o filho balançar a cabeça, o Marechal Yi explicou melhor: “Na antiga civilização humana, os homens não iam para a guerra durante as épocas de plantio e colheita, porque, se o fizessem, correriam o risco de ambos os lados sofrerem com a fome, já que as batalhas pisoteavam uma grande quantidade de terras cultiváveis.”
“Assim, sempre que possível, a guerra era feita após a colheita principal ou no inverno, antes da forte nevasca. É por isso que as luvas brancas eram de grande importância. Eram para proteger as mãos dos homens do frio.”
“Elas não podiam ser grossas para não atrapalhar o manuseio das armas, mas mesmo as luvas finas podiam ser de grande ajuda. Elas também tinham um propósito secundário, mas isso não é importante. Então... você entende o que eu quero dizer?”
Yi Chen, ‘.....’
Não, ele não entendeu nada. Que diabos luvas têm a ver com isso? Vendo a expressão de indiferença do filho, ele suspirou antes de explicar.
“O que eu quero dizer é que rapazes da sua idade começam a ter desejos e, assim como os soldados que tinham que ir para a batalha com suas luvas, vocês devem ir para a batalha com proteção. Você entende o que eu quero dizer?”
Yi Chen parecia calmo na superfície, mas, na verdade, estava gritando internamente. Ele não conseguia entender por que o pai escolheu ter essa conversa agora. Será que ele fez algo que deu ao pai a impressão de que estava tendo relações sexuais?
O carro voador caiu em um silêncio constrangedor e embaraçoso que, no momento em que chegaram à entrada da academia, Yi Chen saiu bruscamente do veículo como se a própria vida dependesse disso.
“Pai, tenha um ótimo dia”, disse Yi Chen, com o resto da frase quase inaudível porque ele já estava a quase um metro do carro voador.
“É... você também”, respondeu o Marechal Yi, apertando a ponte do nariz com irritação.
“A-hem... senhor, o senhor ainda precisa dos recursos visuais?”, disse o motorista após muita hesitação.
Marechal Yi, “....”
“Eu pareço que ainda preciso de uns recursos visuais do caralho? *Suspiro... vamos.”
A expressão de Yi Chen estava mais sombria do que o usual enquanto ele caminhava direto para o campus. Quando virou a esquina para chegar à sala um, ele de repente notou Zi Han, que estava no corredor com Hela discutindo sei lá o quê pela manhã.
Seu pé inconscientemente virou para voltar para onde ele tinha vindo quando Li Ran apareceu do nada e passou o braço pelo ombro de Yi Chen. “Ainda de mau humor? Puta que pariu! Por que você parece um cadáver, cara? Você nem dormiu ontem à noite?”
“Eu não quero falar sobre isso”, disse ele enquanto olhava para os dois, que também o notaram. Agora que ele tinha sido visto, não podia se virar e ir embora, então teve que engolir seco e ir até eles.
“Bom dia, presidente de turma Chen”, disse Hela, parecendo estar de ótimo humor.
Yi Chen acenou com a cabeça ao passar. Ele nem lançou um olhar para Zi Han, o que deixou Hela um pouco surpresa. Yi Chen era do tipo frio que, além do seu círculo de amigos, mantinha todos à distância, mas nunca era rude.
Ele tomava a iniciativa de cumprimentar os outros, mesmo que fosse apenas um aceno de cabeça, mas hoje ele simplesmente passou por Zi Han sem dizer nada. Ela não pôde deixar de sentir um cheiro de fofoca entre os dois.
Ela queria investigar, mas Li Ran não foi atrás de Yi Chen. Em vez disso, ficou lá olhando para o desenho chibi que Hela estava mostrando a Zi Han.
“Vice, suas habilidades melhoraram muito, mas eu ainda prefiro o que você desenhou de m-”, disse ele antes de Hela empurrar a cabeça dele para o lado gritando:
“Não me chama assim, porra.”
“Mas ele me chama. Ele te chamou assim ontem”, reclamou Li Ran esfregando a têmpora dolorida.
“Sim, ele pode, mas você não. Me chama assim mais uma vez e você vai se arrepender”, disse ela, com uma expressão tão intimidadora quanto a de um touro enfurecido.
Li Ran, que se sentiu tão feliz por ter capturado a atenção de Hela, reprimiu um sorriso enquanto a encarava com um olhar provocador nos olhos. “Como você vai fazer isso?”, perguntou ele, o sorriso no rosto crescendo cada vez mais.
“Tenta e você verá como vou te fazer pagar”, disse ela, levantando a manga como se estivesse pronta para partir para a briga.
Como um idiota provocando um jacaré com um pau, Li Ran disse diretamente: “Vice”. Dois segundos depois, Zi Han ficou sozinho ali, tentando descobrir se ele tinha acabado de presenciar um flerte ou uma briga.
Ele podia sentir a fúria vindo de Hela enquanto ela perseguia Li Ran, mas havia uma certa doçura pairando no ar.
Zi Han deu de ombros antes de se virar para entrar na sala, apenas para sua testa bater diretamente no peito duro como pedra de alguém.
“Sério...? Quanto tempo você está parado aí?”, reclamou ele enquanto encurvava os dedos para estrangular a pessoa. Ele honestamente pensou que era o baixinho parado atrás dele, mas quando ergueu a cabeça, foi recebido pelo iceberg de um homem o encarando.
“Você está parado bem na porta”, disse Yi Chen, com um tom plano como uma tábua de cortar.
O olho de Zi Han se contraiu quando percebeu que realmente tinha ficado parado na porta da sala. Ele tinha medo de ser pego no fogo cruzado daqueles dois, então inconscientemente bloqueou a porta para os outros.
“Uh... desculpa”, disse ele antes de se afastar. Ele estava prestes a entrar na sala quando ouviu Yi Chen dizer:
“Desculpa pela minha grosseria agora. Eu deveria ter te cumprimentado.”
Zi Han riu com um sorriso desconcertante antes de dizer: “Eu também não cumprimentei o presidente de turma, então não há necessidade de se desculpar.” Depois de dizer isso, ele foi embora, deixando Yi Chen um pouco sem jeito.
Parecia que, para qualquer tipo de amizade acontecer entre eles, Yi Chen teria que fazer um gesto tão grandioso que Zi Han não teria escolha a não ser aceitá-lo.