
Volume 1 - Capítulo 13
O Amante Proibido do Assassino
Seus olhos, que antes brilhavam como pérolas ao luar quando falava do filho, agora eram a própria imagem da morte. Ao mesmo tempo hipnóticos e aterradores, uma combinação perfeita para arrebatar a alma de qualquer um.
“Es-espera, por favor. Uma pistola... ele queria uma pistola, uma pistola inteligente... uhuhuhu, por favor, não me mate”, implorou, o orgulho e o ego jogados pela janela.
Zi Xingxi estreitou os olhos, observando-o em busca de qualquer sinal de falsidade. Ao constatar sua honestidade, ela girou a mão que segurava a arma, incentivando-o a continuar.
Lamendo os lábios rachados, Dage prosseguiu: “Ele disse que era por causa dos arrombamentos. Ele, ele estava com medo, medo de que algo acontecesse a você, então ele... ele veio até mim.”
Um silêncio pesado caiu sobre a sala, quebrado apenas pelos arquejos de dor de Dage. Parecia que Zi Xingxi estava perdida em pensamentos. Ela já havia se encarregado daqueles indivíduos desonestos que invadiram seu apartamento, mas não imaginava que o incidente tivesse afetado Zi Han a ponto de recorrer a tal método para protegê-la.
Naquele momento, ela não pôde deixar de pensar que ele talvez não se parecesse com o pai, mas com certeza era filho dele. Assim como o pai, ele desprezaria a própria segurança para protegê-la.
Ela jogou a embalagem de salgadinhos na mesa, desinteressada, e colocou os pés no chão, a expressão impenetrável. Ele queria protegê-la, mas se algo acontecesse ao filho, ela não conseguiria suportar. Com os olhos vermelhos, perguntou: “Então quem o bateu?”
…
Dage, que não tinha ideia de que Zi Han havia levado uma surra, ficou surpreso. Ele a encarou, arregalando os olhos, sem saber como responder. “Eu nu-”, murmurou, incapaz de completar a frase.
O que ele tentava dizer era que nunca bateria naquele rosto bonito, tão parecido com o dela, mas engoliu as palavras de medo de morrer.
“Deve ter acontecido na Cidade Celeste”, disse ela, acenando para o homem atrás de Dage que trouxesse algo. Com um estrondo, o cérebro de luz caiu na mesa perto de Dage, enquanto ela continuava: “Seus clientes usam softwares anônimos para esconder suas identidades reais, mas eu sei que canalhas como você têm um jeito de decifrar suas informações privadas... Você tem meio minuto para descobrir quem foi.”
Enquanto dizia isso, sua mão tremia de raiva. Ao lembrar como aquele rostinho fofo havia sido atingido, ela sentiu uma pontada de dor. O filho que ela carregou com tanto cuidado na barriga e colocou no mundo em condições extremamente difíceis havia sido espancado por alguém.
Nem mesmo ela ousaria bater nele com tanta força quando ele era travesso, e alguém ousara fazê-lo. Ela precisava de um cigarro para acalmar os nervos, ou ia matar Dage num impulso.
O Secretário K a conhecia bem. Ele já sabia seus sinais, então pegou uma caixa de cigarros e a abriu para ela. Ela tirou um e, enquanto o levava aos lábios, o secretário acendeu para ela.
Com a fumaça enchendo seus pulmões, ela fechou os olhos, inclinando levemente a cabeça para trás. Seus longos cílios tremeram sob a luz. Cruzando as pernas, afundou-se na cadeira e exalou a fumaça.
Enquanto a nuvem de fumaça se formava acima de sua cabeça, ela ouviu o homem em frente a ela hesitando, exibindo uma tela holográfica.
Zi Xingxi abaixou lentamente a cabeça, colocando o cigarro entre os lábios. Diante dela, uma identificação girava. O rosto provavelmente era falso, mas como a pessoa que reprogramou essa identidade era amador, Dage ainda conseguia decifrar o nome original.
Ao ver o nome, seu corpo congelou, o sangue parecendo drenar de seu rosto. Ela não conhecia o nome Feng, mas conhecia o sobrenome Yi. O Secretário K percebeu sua anormalidade, assim como os homens ao redor. Curiosos, esticaram os pescoços para ver, e seus rostos se transformaram.
“O jovem senhor... ele...”, murmurou o secretário, antes que Zi Xingxi se levantasse bruscamente e dissesse:
“Droga!”
O tilintar de seus saltos altos expressava claramente sua ansiedade enquanto ela se afastava. O Secretário K perguntou apressadamente: “O que fazemos com ele?”
Ela deu uma longa tragada em seu cigarro, quase engasgando com a fumaça, antes de responder: “Acabe com ele e queime tudo. O marechal virá procurá-lo, então certifique-se de que todos os vestígios de nossa presença sejam apagados.”
Ela continuou andando enquanto dizia isso, mas seus passos pararam abruptamente quando se lembrou de algo: “Execute nossa estratégia de saída. Devemos estar fora deste planeta em dois dias.”
Depois de dizer isso, ela virou o rosto para Dage, cuja garganta foi cortada naquele mesmo instante. “Ele já estava morto de qualquer jeito... Se fosse deixado vivo, o Marechal apenas o faria falar, e quem sabe o que ele diria antes de morrer”, disse ela, antes de jogar o cigarro pela metade no chão e pisar nele.
Zi Xingxi saiu da casa de jardim e sentiu de repente um mau pressentimento. O dia realmente não estava a seu favor. Diante dela estava um veículo flutuante que obviamente não era dela, e os homens que deveriam estar sob suas ordens agora agiam como se não a conhecessem.
Isso só acontecia na presença de uma pessoa: seu pai. Fechando os olhos, ela murmurou um palavrão, hesitando em entrar no veículo. O que Zi Han fez na Cidade Celeste realmente lhe causou problemas. Ele não apenas brigou com um membro da família do marechal, como também teve seu cérebro de luz escaneado.
Ela havia se preparado para esse dia, mas agora que ele havia chegado, ela estava extremamente relutante. “Jovem senhorita... por favor”, disse o auxiliar de confiança de seu pai, gesticulando para a porta aberta.