
Capítulo 514
Turning
"O que está por vir?", a mente de Yuder dissecou as palavras tardiamente, tentando dar sentido a elas. Sua visão, encoberta pela veste de sua roupa formal, ficou turva. Perdido em uma escuridão familiar, Yuder parou de pensar completamente e simplesmente encarou aquele vazio negro silencioso.
Sua cabeça estava mais embotada que o usual. Os sons estavam abafados, e o mundo parecia se mover lentamente. Ele estava bem familiarizado com esse tipo de escuridão; era principalmente durante as noites que ele saboreava a sensação de embriaguez, sempre sozinho.
Naquela época, ele sempre estaria na sala dos comandantes. Quando consumido por pensamentos que não conseguia abafar sozinho, ele bebia Quelochet que guardava em um canto empoeirado da sala do comandante, localizada no topo do antigo quartel da Cavalaria.
Ele não conseguia se lembrar de quem tinha lhe dado, mas tinha certeza de que foi durante uma festa. Foi logo após um evento comemorando sua vitória perfeita contra grandes monstros no nordeste.
O Imperador Katchian lhe dera uma recompensa, enquanto os nobres murmuravam atrás dele, discutindo suspeitosamente sua força desumana e os perigos de ser um Despertar. E ainda assim, era o cenário mais banal para Yudrain Aile, o comandante da unidade de Cavalaria, onde várias pessoas furtivamente buscavam sua atenção, esperando pedir algo a ele.
Alguém brindou ao grande Comandante Yudrain Aile. Ele não era estranho a bebidas envenenadas servidas com más intenções, mas como nunca havia caído nessa antes, pegou a taça sem preocupação. "Quando eles vão parar com essa besteira?", ele se lembrava de ter pensado. Mas desta vez foi diferente.
No momento em que bebeu, seu estômago queimou e a tontura o dominou. Sentindo sua frequência cardíaca acelerar, ele franziu a testa, fazendo com que vozes preocupadas se levantassem ao seu redor. Claro, a maioria dessas vozes era desonesta, exageradamente alta para manter as aparências.
"Será que o dia finalmente chegou? O dia em que esse monstro desumano, esse plebeio, cai?",
"Será que eu serei o primeiro a testemunhar um espetáculo tão extraordinário e interessante?",
Por trás dessas expressões facilmente decifráveis, o rosto relaxado do Imperador Katchian era visível, sentado confortavelmente em seu trono dourado. Ele parecia indiferente ao estado de seu subordinado predileto, bebendo sua própria bebida.
Olhando além de um copo lindamente trabalhado, os olhos de Yuder encontraram os do imperador, turvos e vermelhos.
Naquele momento, quando seus joelhos quase cederam como se estivesse olhando através de um espelho quebrado, uma frase passou pela mente de Yuder.
"Você sempre terá aqueles que olham para você de cima. Mas lembre-se, um comandante não precisa se abaixar."
Para os outros, e para si mesmo.
A força voltou às pernas de Yuder. Ele não cambaleou nem caiu.
Firmando os pés no chão, ele olhou lentamente ao redor, como se nada tivesse mudado. Aqueles que cruzaram seu olhar desviaram o olhar apressadamente. A pessoa que lhe entregou a bebida já havia muito tempo pálido.
Embora sua cabeça ainda estivesse embotada e seu sangue ainda corresse rapidamente,
Nada havia mudado.
Yudrain Aile não vacilou diante daqueles que desejavam sua queda. Com uma expressão inalterada, ele bebeu mais, enviando um arrepio de terror pelos presentes. Ninguém ousou pará-lo enquanto ele saía da festa, garrafa na mão.
De volta à sala dos comandantes, Yuder tentou lembrar o gosto do Quelochet que havia bebido. Mas ele não conseguia se lembrar, talvez porque ele ficava bêbado imediatamente. Tudo o que ele conseguia evocar era o cheiro distinto de poeira daquela sala.
Yuder nunca mostrou a ninguém como ele ficava bêbado. Tudo o que ele fazia era sentar em uma cadeira, sentindo a temperatura do seu corpo subir e cair lentamente, enquanto olhava para o céu noturno além da janela.
E quando ele se entediava, ele contava a passagem do tempo com os olhos ofuscados, sem motivo particular, até sua embriaguez desaparecer.
Até que a temperatura do seu corpo voltasse ao normal e os sons se tornassem audíveis novamente, até que ele não pudesse mais se deleitar no silêncio sem pensamentos. E assim por diante.
Ele havia decidido que seria assim...
"...De repente se sentindo meio tonto, não é?",
Uma voz repentinamente perfurou seus ouvidos. Os ruídos abafados que o cercavam desapareceram, substituídos por uma clareza repentina de voz. Yuder abriu seus olhos pesados.
Embora sua cabeça e seus sentidos permanecessem embotados, a presença da pessoa à sua frente parecia incrivelmente vívida. Seu corpo sentiu a presença do outro antes de seus ouvidos.
Onde ele estava parado, o que ele estava olhando, como ele se aproximou, como ele estava estendendo a mão... Tudo parecia palpávelmente conectado por alguma força invisível.
Embora sua visão estivesse obstruída por uma veste cerimonial, seu corpo, altamente alerta, não se moveu um centímetro diante da mão que se aproximava. A tensão esporádica que o havia protegido dos arredores agora estava imóvel, matando suas respirações ofegantes.
E finalmente, a mão, imbuída de um aroma frio, lentamente levantou a aba da veste cerimonial que cobria o rosto de Yuder.
Quando o sol está no seu zênite, as pessoas facilmente esquecem que a noite existiu apenas algumas horas atrás.
No momento em que Yuder olhou nos olhos de Kishiar La Orr, ele momentaneamente esqueceu todas as memórias que haviam surgido da escuridão que havia coberto seu rosto.
"..."
"Yuder Aile, você pode me ouvir?",
Para encontrar o olhar de Yuder, Kishiar havia se ajoelhado. Yuder percebeu a familiaridade da cena.
'Quando foi isso?'
Ele cautelosamente encontrou o olhar de Kishiar; aquele rosto, embora gentil, não conseguiu reprimir totalmente a emoção ardente em seus olhos.
'Quando...'
"Yuder."
Pontas de dedos brancos tocaram a bochecha de Yuder. Naquele momento, Yuder percebeu o que ele havia tentado lembrar.
Foi o momento em que ele manifestou seu segundo gênero.
"...Comandante."
Seus lábios se separaram, levemente úmidos. Kishiar pareceu reconhecer instantaneamente a quem Yuder se referia, acenando com a cabeça.
"Bom, você pode ouvir minha voz."
"Quando... você chegou? Por que..."
"Isso não é importante."
Kishiar virou a cabeça levemente para melhor encontrar o olhar de Yuder, sua voz suave, mas firme.
"Posso tirar suas luvas? Ouvi dizer que você se machucou."
"Isso já... sarou, mas..."
"Eu sei. Tem algo que quero verificar. Só vai levar um momento."
"..."
"Tudo bem?",
Yuder se encolheu quando a mão puxando seus dedos fez seu movimento, mas não ofereceu resistência. Duas luvas foram removidas com uma sensação de formigamento; ele sentiu Kishiar passá-las para alguém atrás dele, mas deixou para lá.
"Se algo surgir, vamos cuidar disso imediatamente."
"É... sério? Ele... usou muita força? Ele está bem, Comandante?",
"Ele está bem. O sacerdote e o boticário disseram isso, então precisamos ter cuidado a partir de agora."
"Estou aliviado, mas ainda assim..."
"..."
"Entendido. Então..."
Após uma breve troca, a porta se fechou novamente. Agora, apenas os dois permaneceram na sala de estar.
Quando Kishiar tentou ajoelhar-se diante dele novamente, Yuder estendeu a mão, apertando e desapertando o punho. Ele queria falar, mas sua boca estava pesada demais para abrir. Ele simplesmente abaixou a cabeça levemente, mas o homem perceptivo rapidamente percebeu as intenções de Yuder.
"Você não gosta quando eu sento assim?",
""
"Eu entendo."
Logo depois, Yuder sentiu o assento ao seu lado afundar enquanto um peso palpável se instalava. Um calor reconfortante o envolveu, muito parecido com um cobertor.
Ele não havia percebido até então, mas alguém havia apagado todas as luzes da sala. O quarto estava assustadoramente silencioso e escuro. Uma janela, não muito longe, estava levemente entreaberta, deixando entrar uma brisa noturna que lhe acariciava o rosto.
Yuder deixou o silêncio o envolver, olhando para o espaço como que por hábito. Enquanto ele lentamente passava por isso, a tensão se esvaiu de seu corpo e ele relaxou completamente.
Foi então que ele ouviu a voz novamente.
"Em que você está pensando agora, meu assistente?",
Os olhos de Yuder piscaram lentamente. O rosto sorridente e pálido à sua frente parecia estranhamente familiar. A beleza excessiva do rosto o fazia parecer meio irreal, como algo de um sonho ou fantasia.
"Contando."
"Contando o quê?",
"Contando os momentos que passam."
"Contar a passagem do tempo também era um jogo que eu costumava jogar há muito tempo."
""
"No meu caso, era porque ficar na cama ficava tedioso. Você sente o mesmo?",
É tedioso? Yuder se perguntou, então balançou a cabeça.
"Não é tedioso."
"Você, na verdade, gosta de passar o tempo assim?",
Ele não respondeu, mas o outro homem não pareceu se importar.
"Hmm. Isso é bastante interessante, um fato que aprendi pela primeira vez."
O homem riu baixinho. Em meio a tudo se sentindo lento e embotado, aquela risada tocou algo profundo dentro de Yuder, fazendo seu peito formigar.
Talvez por causa disso, Yuder de repente se viu falando mais abertamente do que pretendia.
"Eu sempre contei assim, mesmo antes."
Por um momento, houve um breve silêncio ao seu lado, então uma voz um pouco mais baixa falou.
"Mesmo antes, você diz?",
""
"Você costumava contar o tempo enquanto estava tão embriagado quanto hoje à noite?",
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