
Volume 2 - Capítulo 199
Senhor Fu, eu realmente te amo
“Chenzinho…” Liang Mulan chamou Lin Chen baixinho.
Lin Chen colocou a pasta em cima da sapateira antes de entrar. Levou as mãos para desabotoar o colete, seu corpo exalando um leve cheiro de álcool.
“Eu estava jantando com o Velho Zhou, da comissão de disciplina. A situação do seu tio é muito mais grave do que pensávamos. Ele realmente apostou no cavalo errado dessa vez, e se o pegarem, vão certamente sacrificá-lo para servir de exemplo. Temo que não haja salvação para ele.”
Lin Chen tirou o colete e o jogou sobre o encosto do sofá, sentando-se naturalmente ao lado de Lin Nuan. Seu olhar profundo se voltou para Lin Jingquan, as órbitas fundas dos olhos carregando um traço quase imperceptível de exaustão enquanto dizia: “Pai, agora não é hora de falar em laços fraternais e lealdade. O tempo urge; salvar um é melhor que nenhum. O tio me pediu para lhe transmitir a mensagem. Ele pensa da mesma forma.”
Lin Jingquan não esperava um fim tão trágico. Ficou calado, puxando o cinzeiro e batendo o cigarro na borda, as sobrancelhas franzidas.
Quando Lin Jingquan e Lin Jinghui estavam no auge, não deixaram de cogitar tal possibilidade. Como irmão mais velho, Lin Jingquan certa vez garantiu a Lin Jinghui que, se as coisas chegassem a esse ponto, ele certamente se sacrificaria para que Lin Jinghui sobrevivesse.
Lin Jingquan nunca havia esquecido aquele juramento.
“Pai, se decidirmos salvá-lo, Mãe, Nuan e Ran Ran não podem ir para o exterior, seria muito suspeito!”, disse Lin Chen, sua voz grave e pausada, não alta, mas cheia de firmeza. “O departamento financeiro da empresa está correndo para acertar as contas, mas haverá mais ou menos algumas falhas. Se o levarem para depor, ele nunca escapará! No pior dos cenários, ele irá a julgamento, mas sua vida será salva. Para pensar em um cenário ainda pior, mesmo que ele tenha que ir para a cadeia, quando as coisas se acalmarem, podemos usar alguns truques para tirá-lo mais cedo.”
Lin Chen tinha tudo organizado e sua aura forte e madura ressoava em cada palavra e gesto. Não demonstrava pânico, tão sereno que parecia capaz de carregar sozinho o enorme peso que recaía sobre os Lin.
Lin Jingquan continuou fumando seu cigarro em silêncio.
Lin Nuan entendeu a situação; seu tio, Lin Jinghui, havia apoiado o lado político errado, o que levou a esse desastre.
“Irmão, o que eu posso fazer?”, perguntou Lin Nuan, acalmada pela análise de Lin Chen, querendo ajudar em algo.
O olhar profundo de Lin Chen se voltou para o rosto de Lin Nuan, e um traço de calor brilhou em seus olhos, quando ele disse: “Você pode me ajudar a cuidar bem da Mãe e de você mesma!”
Lin Nuan abaixou a cabeça. O abajur alto atrás do sofá iluminava Lin Chen, sua sombra caindo sobre a bolsa em seu colo, fazendo-a parecer ainda mais pesada.
Lin Jingquan permaneceu em silêncio o tempo todo. Lin Chen sabia que o pai ainda planejava tentar manter Lin Jinghui vivo usando a própria vida.
“Pai… O tio me pediu para lhe trazer uma mensagem.” Lin Chen disse de repente.
Lin Jingquan ergueu a cabeça, a branca dos olhos completamente avermelhada, sem saber se era por cansaço ou frustração.
Sentindo que era a hora, Lin Chen se levantou e pegou o colete, vestindo-o sobre a camisa branca impecável. Abotonou-o, e sua figura alta permaneceu ali enquanto ele dizia em sua voz grave: “As relações são frágeis como papel nessa sociedade, por favor, cuide-se.”
Lin Jingquan reprimiu as emoções que lhe inundavam os olhos, sem querer mostrar sua fragilidade diante dos filhos, mas a metade restante do cigarro quebrou entre seus dedos.
Lin Chen ajustou o colete e perguntou a Lin Nuan: “Você vai ficar em casa ou vai voltar hoje à noite?”
Lin Ran ergueu a cabeça e olhou para Lin Nuan. Vendo-a em silêncio, disse após uma breve pausa: “Você não disse que também é da família Lin! O que, está pensando em fugir agora que aconteceu isso?!”
“Vou ficar esta noite…” respondeu Lin Nuan.