Eu tenho um Super USB Drive

Volume 7 - Capítulo 606

Eu tenho um Super USB Drive

John já havia ouvido falar do nome Chen Chen.

Fazendo as contas, John tinha quarenta anos. Na casa dos vinte, ele testemunhou a ascensão meteórica da Blackwatch. Naqueles anos inacreditáveis, era essa empresa, com sua lendária trajetória, que dominava as manchetes do mundo da tecnologia e dos negócios.

Quando todos se deram conta, a empresa já estava no topo do mundo.

Naqueles anos, ele ouvira esse nome ocasionalmente. Era mencionado junto com a Blackwatch, considerado uma figura poderosa como Jack Ma e Musk, mas toda vez que a fama parecia estar no auge, uma mão invisível surgia para frear o sucesso.

Na época, John achou a pessoa simplesmente muito discreta.

O tempo voou, e mais de dez anos se passaram num piscar de olhos. O nome havia sido enterrado na internet e na realidade. Até John o havia esquecido — substituído por Qian Wenhuan, Liu Zhijian, Xia Yin e outros CEOs da Blackwatch nos continentes. Essas pessoas se tornaram figuras lendárias no mundo dos negócios, e um simples gesto seu causava um terremoto no mercado.

Só agora, com a menção do nome, John se chocou ao perceber. O fundador original sempre esteve lá, mas, consciente ou inconscientemente, não havia mais informações sobre ele na internet.

Uma pessoa da nova geração nem saberia que a Blackwatch tinha um fundador chamado Chen Chen...

Ao ouvir o nome novamente, John sentiu um frio na espinha ao se lembrar de tudo. Esse cara transbordava poder e dinheiro, mas preferiu se esconder à vista de todos por mais de uma década. Não podia ser coisa boa...

Tudo isso passou pela sua cabeça. Quando John se recompôs, o avião descia em direção ao Aeroporto Internacional de Walvis Bay.

Após a aterrissagem do jatinho particular na pista dedicada, uma limusine e um grupo de psíquicos aguardavam John.

Eram cinco pessoas ao todo. O líder tinha uma aura comparável à de Sarah. Embora os outros quatro fossem um pouco mais fracos, eram de nível Beta ou superior!

Vendo o grupo, John franziu a testa, pensando que aquela era mesmo a sede que inventara o composto L. Só na recepção, havia cinco psíquicos de nível Beta, e dos melhores.

“Sr. Oppenheimer.”

O líder se aproximou, estendeu a mão e cumprimentou John com firmeza. “Sou o chefe do B.S.S., o Black Security Service. Meu nome é Brando, Clark Brando.”

“John Oppenheimer.”

John respondeu casualmente. Diante daqueles, sentia-se um pouco orgulhoso: eles tinham seus poderes por causa do composto L, mas ele era diferente. Sua energia psíquica despertou após a infecção pelo vírus de fusão.

Em termos de status, John era o único psíquico puro.

Era como uma mulher com seios 36D encontrando outra com implantes 36D no vestiário. Ao observar aqueles peitos duros, que nem balançavam, sentiria orgulho.

“Os poderes psíquicos do Sr. Oppenheimer são muito fortes.”

Após o aperto de mão, Brando sorriu. “Não admira que tenha matado mais de uma dúzia de psíquicos de nível Beta durante a noite, sem que descobrissem sua identidade.”

“Os seus também não são ruins.”

John respondeu friamente. Não invejava aqueles que obtiveram poderes com o composto L, pois sabia que uma pessoa podia receber no máximo três injeções na vida. A primeira tinha 10% de mortalidade, a segunda, 30%, e a terceira, 50%.

Além disso, mais injeções não significavam mais poder. Os poderes despertados eram aleatórios. Havia os fortes e os fracos. Com azar, poderia-se ter apenas um poder fraco mesmo com três injeções de alta letalidade.

Quanto à quarta injeção? Péssimo. Segundo os dados, a taxa de mortalidade era de 100%. A grama sobre os túmulos daqueles que receberam quatro injeções já devia estar com mais de três metros de altura.

“Tá bom, chega de bajulação.”

Sarah se adiantou. “O chefe está esperando. Vamos encontrá-lo logo.”

Ao ouvir Sarah, Brando deu de ombros e lançou um olhar para John. Três pessoas entraram na limusine e as outras quatro em outro carro. Depois, seguiram em direção à Cidade da Ciência Ecológica.

John não era estranho àquela cidade mundialmente famosa. Afinal, quem vivesse neste planeta conhecia a cidade construída pela Blackwatch. Sua população talvez não fosse grande, mas havia uma piada na internet: se alguém fosse às ruas da Cidade da Ciência Ecológica comprar um maço de cigarros, encontraria nove bilionários, alguns deles políticos de certos países.

Embora um pouco exagerado, demonstrava a prosperidade da Cidade da Ciência Ecológica. Diariamente, ricos buscavam os melhores tratamentos e estrelas internacionais vinham em busca da melhor cirurgia plástica. Era a cidade mais próspera da Federação Terrestre.

Observando os semáforos e outdoors holográficos e os arranha-céus futuristas, John sentiu que havia entrado num mundo cyberpunk. Porém, diferente das descrições em filmes e livros de ficção científica, não havia favelas nem lado negro da cidade, pois pobres e criminosos não tinham acesso ao local.

Olhando para a cidade única, os olhos de John brilharam. Então, olhou para o banco do motorista.

Estava vazio. Mesmo com direção autônoma, deveria haver um motorista como reserva para situações inesperadas.

“Não é uma direção autônoma comum.”

Brando percebeu a dúvida de John e riu. “A inteligência responsável pela direção não está no carro, mas no centro de gestão inteligente da cidade.”

“O quê?”

John perguntou curioso.

“Controla toda a inteligência eletrônica da cidade.”

Brando respondeu: “Há um supercomputador que controla todos os veículos. A vantagem é que nunca haverá acidentes. Além disso, exceto áreas privadas, todos os locais são monitorados por câmeras. Não há pontos cegos. Até os semáforos, os anúncios gigantes no céu e as placas eletrônicas das lojas são gerenciados por esse centro.”

“Impressionante.”

John concordou.

Com Brando iniciando a conversa, John relaxou. Durante a conversa, o veículo chegou ao térreo da sede da Blackwatch.

“Clique!”

O carro parou diante do portão, a porta abriu automaticamente e John saiu.

Olhou para cima e viu o prédio imponente. Estava tão limpo que não havia vestígios de poeira. O piso era liso e transparente, como se o prédio fosse feito de vidro e cristal.

John se lembrou do jogo Mirror’s Edge Catalyst. Os arranha-céus eram quase idênticos aos do jogo.

“Por favor, me acompanhe.”

Brando e Sarah entraram no prédio. Após atravessar o vasto hall, chegaram a um elevador panorâmico, onde um androide aguardava.

“Bem-vindos.”

A androide, com traços belos, vestia uniforme. Sem perguntar o andar, apertou o botão do último andar e acrescentou: “O Sr. Chen os espera há muito tempo.”

Finalmente encontraria Chen Chen?

Observando os pedestres diminuindo rapidamente sob seus pés, John sentia-se complexo. Não conseguia explicar a sensação. Em relação à figura lendária, sentia curiosidade e orgulho.

Curiosidade para saber como era o fundador da Blackwatch. E orgulho — afinal, era o psíquico mais poderoso, segundo a Federação Terrestre, e Chen Chen provavelmente era um cara comum. Quantos ousariam arriscar a vida com a letalidade do composto L, considerando suas vidas tão preciosas?

Com esses pensamentos, o elevador chegou ao topo. Um “ding”, e a porta se abriu.

Ao abrir, John viu apenas uma figura de costas. O homem estava sentado diante da janela, olhando silenciosamente para fora, aparentemente observando a multidão.

Brando e Sarah saíram primeiro, abaixaram levemente a cabeça e Brando disse: “Chefe, ele chegou.”

Então, a figura se virou e John o observou. Era um homem bonito, na casa dos vinte anos.

Apesar de não ser mais atraente que John, emanava uma presença estranha, principalmente com aqueles olhos escuros e profundos. Ao vê-los, John sentiu um choque!

Num instante, John parecia ver um mundo destruído. Aqueles olhos eram como buracos negros. O homem apenas o olhou, mas a alma de John tremeu.

“Hum —!”

Inconscientemente, uma luz escarlate brilhou em seus olhos. Estava prestes a se defender!

“John Oppenheimer?”

Mas o outro falou. O terror invisível dissipou-se rapidamente e o mundo reapareceu. John acordou, mas o homem havia voltado ao normal.

Como se tudo fosse ilusão...

“Sr. Chen.”

John escondeu o horror, abaixou a cabeça e respondeu.

“Você se saiu muito bem.”

O homem se levantou, caminhou até ele e pareceu avaliá-lo. “Um psíquico de nível Alfa, considerado o mais forte do mundo pela mídia. Matou cinco líderes inimigos numa noite. Realmente impressionante.”

“Sr. Chen?”

John levantou a cabeça e tentou avaliar Chen Chen. “Gostaria de saber qual o motivo de me chamar aqui?”

“Tenho um acordo.”

O homem sorriu, virou-se e entregou algumas folhas de um contrato a John. “Deveria ter se juntado à Zona Proibida de Deus, mas como não escolheu o B.S.S., decidiu ficar em público. Mas agora, com o contrato de dez anos expirado, você tem uma nova escolha.”

“Eu...”

John franziu a testa. Embora estivesse interessado na Zona Proibida de Deus, não queria deixar seu emprego anterior.

Nos últimos dez anos, havia se acostumado a ser uma figura influente. Gostava da euforia do público, da admiração e do amor. Era intoxicante...

“Não se preocupe, o novo contrato não o fará deixar a Força de Combate de Superpoderes.”

O homem parecia ler seus pensamentos e continuou: “Este novo contrato também é de dez anos, mas os termos são muito mais generosos. Seu novo cargo será vice-presidente da sede norte-americana da Blackwatch, subordinado apenas a Liu Zhijian. Ao mesmo tempo, entrará formalmente na Zona Proibida de Deus, terá autoridade de nível Alfa e os mesmos benefícios.”

Os olhos de John brilharam.

Pegou o contrato e leu os termos.

Ao ver os termos favoráveis, Brando e Sarah ficaram emocionados. John estava subindo na carreira na frente deles.

“Assino este acordo.”

John levantou a cabeça, escondendo a alegria.

“Ótimo!”

O homem riu. “John, você está disposto a lutar pelo bem da empresa?”

A expressão de John ficou séria. Respirou fundo e declarou: “É meu dever proteger os interesses da empresa, e farei o meu melhor!”

...

Minutos depois, Brando e Sarah levaram John embora.

Mas o elevador subiu novamente e a Pequena X saiu. “Senhor Padrinho, John Oppenheimer deixou o prédio. Disse a Sarah que partirá hoje para Nova York.”

Chen Chen acenou sem falar.

“Você confia nele?”

Pequena X ficou curiosa. “Dando-lhe condições tão superiores, ele se esforçará pela empresa? A natureza humana é complexa. Mesmo o tendo impressionado, e se ele nos trair?”

“Você não entende.”

Chen Chen sorriu. “Aqueles ligados aos nossos interesses fazem parte da nossa equipe. Isso não tem a ver com confiança. Afinal, como um acionista, quem destruiria a empresa em que investiu?”

Pequena X assentiu.

Ela estava inquieta porque estava acostumada a usar o chip Deus para controlar humanos. Mas com um psíquico como John, o chip era inútil.

O chip só restringia pessoas comuns e psíquicos de baixo nível, mas para John, o Guardião, com corpo quase invencível, o chip não era ameaça. Nem a implantação seria possível.

A menos que a âncora da realidade fosse usada para bloquear todos os poderes psíquicos num raio de alguns quilômetros, o chip poderia ser implantado temporariamente.

Mas, ao remover a âncora, a forma espiritual de John se recuperaria rapidamente. Retirar o chip seria como tirar um espinho.

Por isso, Pequena X estava preocupada.

“O chip Deus não é a única forma de controlar os corações.” Chen Chen a corrigiu.

Observando John sair do prédio pela janela, Chen Chen ficou pensativo.

“Espero que ele seja uma boa arma...”

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