48 horas por dia

Capítulo 1229

48 horas por dia

O coração de Olai e Alicia desabou ao verem a poça de sangue.

Embora os dois tentassem se convencer de que Ali ainda estava bem, a poça de sangue pertencia a outra pessoa, e poderia ter vindo da pessoa que o atacou. No entanto, a localização do sangue era exatamente onde Ali havia estado sentado antes; além disso, havia vestígios na sua cadeira, como se tivesse sido atingido por uma arma afiada. Aliás, o paradeiro de Ali ainda era desconhecido, e eles não conseguiram contatá-lo até agora. Olai e Alicia sabiam, ambos, que seu companheiro provavelmente estava morto.

Zhang Heng os seguiu até a van e examinou a cena. “Sim, o sangue não veio de um único ferimento. A vítima foi esfaqueada pelo menos vinte vezes. Seu corpo também se contorcia durante todo o processo, razão pela qual há marcas de faca no assento. Isso também prova que a habilidade do agressor não era tão boa. No entanto, pelo jeito, os movimentos da vítima estavam restritos. No mínimo, suas mãos e pés estavam amarrados, por isso ele não conseguiu se esquivar.”

“Ele… ele ainda está vivo?” Sonja perguntou.

“Impossível. Com essa quantidade de sangue, mesmo que não tenha atingido órgãos vitais, não há esperança”, disse Zhang Heng.

A expressão de Sonja se tornou sombria. Ela viu Zhang Heng olhando para a distância, então perguntou: “O que foi?”

“Estou preocupado que algo possa acontecer ao Dr. Baker”, disse Zhang Heng. “Olai e Alicia disseram que estavam de olho na clínica do Dr. Baker para protegê-lo, mas agora eles acham que somos apóstolos de algum espírito maligno. Eles nos seguiram até aqui, então ninguém está mais vigiando o Dr. Baker.”

Sonja ficou chocada. Ela só conhecia o grupo de três de Olai naquele dia, especialmente Olai. Só o tinha encontrado uma vez em um bar. Embora estivesse triste ao saber que ele poderia ter sido morto, ela não teve outros pensamentos. Já o Dr. Baker, ela o conhecia desde criança e tinha interagido com ele muitas vezes. Sonja não pôde deixar de se preocupar com ele. “Então vamos até a clínica dele dar uma olhada.”

“Ok.”

Depois de dizer isso, Sonja olhou para Olai e Alicia ao lado dela e perguntou se eles estavam viajando juntos. No fim, os dois esquimós balançaram a cabeça e Olai disse: “Pedimos para alguém enviar a relíquia sagrada até aqui. Algo aconteceu com Ali, então temos que garantir a segurança da relíquia sagrada. Me desculpe, realmente não podemos cuidar do Dr. Baker, mas já pedi ao meu mestre que peça à tribo para enviar mais gente para ajudar. Na hora, vamos procurar o Ali juntos. Se houver gente sobrando, ajudaremos vocês também.”

Olai apertou os punhos enquanto falava. Era perceptível que ele e Alicia haviam sofrido um grande golpe. Ali era membro do trio e também seu amigo mais próximo; ao perceber que Ali poderia ter sido morto, eles não viam a hora de encontrar o assassino e se vingar imediatamente.

No entanto, mesmo o mais explosivo Olai não agiu impensadamente naquele momento. Isso porque eles sabiam que a segurança da relíquia sagrada era mais importante, especialmente quando perceberam que alguém já poderia tê-los como alvo.

“Tudo bem, vamos trocar nossos contatos primeiro”, sugeriu Sonja. Ela e Olai trocaram números de telefone às pressas e depois correram para a SUV. No entanto, quando estava prestes a chegar na frente do carro, percebeu que Zhang Heng já estava sentado nele, e desta vez, ele estava no banco do motorista.

“Eu dirijo dessa vez, para chegarmos mais rápido”, disse Zhang Heng.

“Ah, tá.” Sonja se surpreendeu. Sem dizer nada, abriu a outra porta.

Então, Zhang Heng deu a partida. A SUV rugiu e saiu disparada pela rua. À medida que o carro acelerava, Sonja não só afivelou o cinto de segurança, como também esticou a mão para agarrar o apoio de teto; ela até esqueceu de fazer a pergunta que queria fazer antes. Sentiu a paisagem dos dois lados da rua recuando cada vez mais rápido, e o som do vento enchia seus ouvidos.


Em menos de três minutos, os dois chegaram à clínica do Dr. Baker. Antes mesmo de saírem do carro, viram que a porta fechada da clínica estava escancarada, o que parecia confirmar a suposição anterior de Zhang Heng.

Ele sacou a pistola na cintura e disse a Sonja: “Depois, você me segue.”

Zhang Heng originalmente queria que Sonja ficasse no carro, mas depois de pensar no que havia acontecido com Ali, acabou optando por levá-la junto. No entanto, isso permitiu que Sonja mantivesse certa distância, e assim, os dois se esgueiraram para a clínica do Dr. Baker um após o outro.

Havia pouco tempo, eles tinham acabado de fazer uma viagem até ali. Na ocasião, Sonja já havia sentido que a atmosfera ali era um pouco opressiva, mas agora, a sensação de opressão era ainda maior. Além disso, havia frascos de remédios espalhados pelo chão, o armário de remédios estava vazio, e a mesa e o sofá estavam virados no chão. O mais chamativo e perturbador era a linha de palavras rabiscadas em vermelho na parede. Parecia que alguém tinha cortado o dedo; estava escrito com sangue.

Zhang Heng olhou para ela. Era uma frase muito simples, e estava em inglês, então ele não precisou que Sonja traduzisse para entendê-la.

— Está vindo!

“O que é?”, perguntou Sonja, e assim que terminou a frase, ouviu o som de música de violino vindo do andar de cima.

No entanto, o som não estava conectado a nenhuma partitura. O tocador simplesmente juntava ruídos desordenados, como se alguém estivesse arranhando um quadro-negro com giz; algumas notas simples podiam causar intenso desconforto físico.

Zhang Heng não respondeu à pergunta de Sonja. Em vez disso, seguiu o som do violino e subiu as escadas. Ele viu uma figura encurvada no quarto do Dr. Baker.

O homem estava sentado em uma cadeira de costas para eles, então Zhang Heng não conseguia ver seu rosto. No entanto, ele tinha certeza de que não era o próprio Dr. Baker. A julgar pela forma como estava vestido, parecia mais um músico de rua, com seu amado violino, vagando pelo mar da música.

Contudo, ouvindo sua apresentação, Sonja entendeu por que ele estava vagando pelas ruas. Para ser honesta, chamar aquilo de apresentação era blasfêmia. A garota sentiu que seu cérebro ia explodir se continuasse a escutar; além disso, ela estava ansiosa para descobrir o paradeiro do Dr. Baker, então disse: “Olá.”

Infelizmente, o violinista no quarto parecia estar completamente imerso em sua apresentação e não conseguia ouvir mais nada. Sonja não teve escolha a não ser aumentar o volume novamente e até bater na porta; desta vez, finalmente houve uma reação do outro lado.

O violinista abaixou o violino e se virou.

Só então Sonja percebeu que a outra pessoa era mais jovem do que ela havia imaginado. Ele parecia ter pouco mais de vinte anos, mas por causa de sua aparência desgrenhada e seu olhar cansado, parecia um pouco mais velho; enquanto isso, seus olhos brilhavam com um estranho fanatismo.

“Quem é você? O que está fazendo na casa do Dr. Baker?”, perguntou Sonja.

A pessoa do outro lado não respondeu. Em vez disso, falou animadamente em voz baixa e rouca.

“Fingeru Magnafuke Suaruke Suaruke Lalaiye Ugynafuke Tan.”

Depois de dizer isso, imediatamente se virou e pulou pela janela.

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