
Capítulo 990
48 horas por dia
Menos de cinco minutos depois que Zhang Heng e Feng Zi deixaram o Bar Singularidade, uma van parou em frente ao estabelecimento. Um adolescente tirou o boné de beisebol e entrou no bar, mascando chiclete.
Ele passou pelos fãs fanáticos de Pandaren que assistiam a uma partida de futebol, sem cumprimentar ninguém, e foi direto para um canto a oeste, onde uma pessoa dormia em um sofá.
O barulhão do ambiente não parecia afetá-lo. Mesmo cercado de gente, ele dormia profundamente, a cabeça coberta com um casaco.
O garoto de boné esticou dois dedos, segurou a gola do casaco e o removeu, revelando o corpo de Red por baixo. Os olhos dela estavam abertos, com uma expressão furiosa de descrença gravada no rosto.
“Tsc…tsc… Você devia ter aceitado ser minha namorada. Ao menos teria provado a alegria de ser mulher antes de morrer.” O garoto resmungou, mascando o chiclete.
Ele colocou o casaco de lado, pegou a mão ferida de Red e examinou-a: “A profundidade desse corte mostra que foi uma faca de serra. Quem a feriu era fera com armas brancas e muito rápido. Tem cortes no indicador também. Parece que ela foi atingida quando tentou pegar a arma. O oponente era implacável, não teve dó nem de uma beleza como você.”
O garoto de boné fez uma pausa e continuou: “E essa roupa… Depois de ferida, ela percebeu que não era párea para o inimigo e tentou se misturar à multidão. Parece que conseguiu. Em termos de habilidade de assassinato, também não era lá essas coisas.”
Ele ergueu o queixo, os olhos finalmente pousando no ferimento na garganta de Red: “Ah, um corte implacável. Nem o nosso capitão conseguiria um golpe tão limpo. Não admira a cara de Red. Red, acho que você não esperava encontrar alguém tão poderoso aqui. Você virou presa em vez de caçadora. O capitão já te avisou: seu orgulho ia te matar mais cedo ou mais tarde. Você devia ter apagado sua memória de vez. Olha no que deu. Sua vida acabou por causa do seu orgulho.”
“Bem, é assim que termina. Morta, infeliz e inútil. Vamos tirar uma selfie. Apesar de você nunca ter admitido, você ainda é meu primeiro amor.” O rapaz se encostou no peito de Red e puxou propositalmente o vestido dela para mostrar o decote. Em seguida, fez o gesto de “V” e apertou o botão da câmera no seu bracelete.
Quase ao mesmo tempo, ele recebeu uma chamada. O garoto atendeu, e uma voz grave veio do fone: “O que está acontecendo? O que aconteceu com a Seis?”
“Que pena que ela morreu, mas a boa notícia é que ela não se recusou a tirar a última foto comigo.”
“Deixe de besteira. Quero algo útil.”
A voz do outro lado não era áspera, mas o garoto deixou de lado a atitude leviana e disse seriamente: “O inimigo era mestre em armas brancas. Rápido e preciso. Mas a luta não durou muito. A Seis tentou escapar rápido, o que indica uma grande diferença de habilidade entre os dois. O ferimento fatal foi na garganta – um golpe clássico de assassino. A expressão da Seis… maravilhosa. Ela não percebeu que o oponente estava perto antes do golpe.”
“Um mestre?”
“Absolutamente. A Seis tirou a sorte grande”, disse o garoto. “A hora da morte foi… dez minutos atrás. Ou seja, o assassino não foi muito longe. Não esperava que o tal Sr. G tivesse um subordinado tão poderoso. Esse cara é melhor que a F.”
O capitão não comentou, apenas disse: “Entendi. Recebi uma mensagem da união: eles estão se movendo em direção à Rua Wufang. Tem um mercado noturno lá. Acho que vão se livrar dos perseguidores.”
“Compreendo. Vou verificar, capitão.” O garoto respondeu respeitosamente.
“Sim. Não se meta em confusão, sem movimentos precipitados. O 7 e o 5 vão te encontrar em breve.”
“Entendido.”
O garoto de boné desligou a chamada e se levantou, só para descobrir que estava cercado.
Depois que ele levantou a roupa que cobria o cadáver de Red, as pessoas perceberam o assassinato e ficaram chocadas, chamando a polícia. Vários fãs de Pandaren, mais fortes, cercaram o garoto, o principal suspeito.
“Ah, vocês são cegos?” O garoto suspirou. “Deixaram o assassino escapar e agora querem me impedir de ir atrás dele?”
“De qualquer forma, você é a pessoa mais próxima do corpo. Não podemos acreditar em você. A polícia está a caminho. Que tal esperar e explicar sua inocência? Se estiver certo, eles te liberam.” O dono do bar disse, saindo da multidão.
“Proposta razoável”, o garoto assentiu, mas mudou de assunto imediatamente: “Mas não tenho tempo para esse joguinho.”
Disse isso, pegou um garfo da mesa e o examinou: “Peço educadamente que me deixem passar.”
“E se não deixarmos?” o dono perguntou. “Vai matar todo mundo com esse garfo?”
Todos riram da ameaça.
“Não vou chegar a tanto, mas vai servir de lição.” O garoto piscou para o dono: “Se doer muito, grite à vontade.”
No segundo seguinte, o garfo já havia perfurado a coxa do dono do bar. Em seguida, ele o usou para atingir um punho que se aproximava. Um após o outro, as pessoas começaram a gritar. Em dez segundos, mais de uma dezena estava ferida. Os restantes recuaram, abrindo caminho para a fuga do garoto.
Ele sacudiu uma gota de sangue do garfo, olhou para o dono do bar, deitado no chão, segurando a coxa, e perguntou: “Por quê?”
O dono era durão, o único que não gritou, mas não ousou responder. O garoto passou pela multidão até a entrada, colocou o garfo na mesa e sorriu: “Obrigado pela hospitalidade. Até breve.”