48 horas por dia

Capítulo 688

48 horas por dia

“Desculpa. Estou muito nervosa”, murmurou Bai Qing.

“Tudo bem. Só tome cuidado. Eles obviamente estão um passo à nossa frente”, Zhang Heng disse, um pouco irritado. “Essas coisas estão por toda parte, chatas como baratas.”

“O que a gente faz agora?”, perguntou Bai Qing.

“Temos que achar outro jeito. O Palácio das Crianças é um beco sem saída”, disse Zhang Heng. “E parece que eles também estão de olho em você. É impossível voltar para qualquer hotel em que você tenha se hospedado. Vamos primeiro encontrar um lugar seguro.”

“Temos que procurar um lugar onde nenhum de nós tenha estado antes”, acrescentou ele.

“Onde?”, perguntou Bai Qing.

“Conheço o dono de um cybercafé. Posso convencê-lo a nos dar uma sala privativa no segundo andar.”

“Como você saberia se os alienígenas não o substituíram?”

“Não se preocupe. Eu mesmo o examinei antes”, disse Zhang Heng. “O lugar é na verdade parecido com um hotel. Tem comida e bebida, e podemos ficar lá até elaborarmos um plano para nossa próxima jogada.”

“Okay.” Bai Qing respirou fundo. No entanto, ela não se moveu. “Sei que não é a hora, mas posso te fazer uma pergunta?”

“Claro. Pode me perguntar qualquer coisa. Vou te responder com sinceridade, desde que eu saiba a resposta.” Zhang Heng assentiu.

“Quero saber...” Bai Qing olhou nos olhos de Zhang Heng, “Você gosta de mim?”

Zhang Heng ficou surpreso com a pergunta. “Uh, eu não esperava que você...”

“Desculpa, eu sou muito boba, esquece que eu perguntei.” A cabeça de Bai Qing caiu, aparentemente pesada de vergonha.

“Não, eu quis dizer, eu não esperava você ser tão corajosa. Eu deveria ter sido eu a te perguntar.”

“Qual a sua resposta?”

“Sim, claro. Eu gosto muito de você também”, respondeu Zhang Heng carinhosamente.

Bai Qing tampou a boca ao ouvir a resposta. Lágrimas começaram a encher seus olhos.

“Você está bem?”

“Estou bem. Só estou... radiante”, Bai Qing disse entre soluços. “Você é o único que ficou ao meu lado depois da tragédia indescritível que aconteceu com nossa família.”

“Ah, relaxa. Estou apenas fazendo o que devo fazer.” Zhang Heng estendeu a mão novamente para tocar Bai Qing. Desta vez, ela não se afastou, e sim permitiu que ele limpasse as lágrimas de suas bochechas.

Antes mesmo que ele pudesse recolher as mãos, novas lágrimas quentes caíram e molharam seu dedo indicador. Foi então que Zhang Heng ficou desconfiado.

No entanto, no momento seguinte, ele viu Bai Qing dar meio passo em sua direção, se jogar em seus braços e soluçar: “Essa é a primeira vez que me declaro para um garoto. Você não sabe o quanto eu estava com medo. Achei que você ia me rejeitar.”

Zhang Heng acariciou as costas de Bai Qing com um toque reconfortante, mas firme. “Ei, não chore. É algo pelo qual você deveria estar feliz.” Ele então espiou pela banca de jornal. “Aquele carro se foi. Vamos sair daqui.”

“Okay.” Bai Qing levantou a cabeça. Ela finalmente havia parado de chorar. “Eu vou te seguir para onde você for”, disse ela com determinação.

“Bem, eles tomaram conta deste lugar. Vamos um pouco mais adiante de táxi.”

Como todos os jovens apaixonados, o casal caminhou de mãos dadas por 300 metros. Inicialmente, Zhang Heng queria pegar um táxi ali, mas Bai Qing insistiu em andar mais 200 metros.

Depois de um tempo, o rosto de Bai Qing repentinamente ficou vermelho. “Eh, eu... eu preciso ir ao banheiro.”

Zhang Heng levantou a cabeça e olhou em volta. “Parece que não há banheiros públicos por perto. Vamos para o cybercafé primeiro. É muito perto. Levará apenas dez minutos para chegarmos lá de táxi. Você consegue segurar um pouco mais?”

“Estou no meu limite”, sussurrou Bai Qing.

Zhang Heng franziu a testa. Pacientemente, respondeu: “Tem um restaurante de ramen na nossa frente. Vamos lá.”

“Ótimo.” Bai Qing assentiu.

Quando os dois chegaram, Bai Qing soltou a mão de Zhang Heng. “Vou entrar sozinha.”

“Okay.” Zhang Heng então ficou na frente da janela e observou Bai Qing entrar no restaurante. Bai Qing disse algo ao garçom antes de ir ao banheiro. O garçom então a indicou na direção certa. Ela acenou para seu recém-descoberto amado que estava parado do lado de fora da janela.

Bai Qing entrou na cabine, trancou a porta imediatamente e lágrimas inexplicavelmente se formaram em seus olhos novamente. O desespero a atingiu com força desta vez. Se os alienígenas tivessem substituído Zhang Heng, não haveria como ela escapar.

Ela pensou em chamar a polícia, mas a polícia acreditaria no que ela dissesse?

A Diretora Gao pretendia acabar com o relacionamento entre ela e Zhang Heng, mas sua dedução era inquestionavelmente razoável. A única fonte de informação de Bai Qing até agora era Zhang Heng, sem falar que nenhuma prova conclusiva havia sido apresentada a ela ainda. Em comparação com aceitar uma história tão bizarra, todos estariam mais dispostos a acreditar que seu trauma a fez inventar uma mentira tão bonita para se anestesiar.

E mais cedo ou mais tarde, ela seria substituída pelos alienígenas de qualquer maneira. Ou ela poderia até seguir os passos da equipe de observação planetária.

Bai Qing abriu a torneira e deixou o som da água esconder seus soluços.

Dito isso, ela se permitiu chorar por apenas meio minuto antes de rapidamente enxugar as lágrimas. Depois disso, ela começou a procurar uma maneira de sair daquele lugar.

No entanto, uma voz familiar veio de repente de fora da porta do banheiro: “Como você está? Se sentindo melhor?”

“Já estou saindo. Espere um pouquinho.” Bai Qing não esperava que Zhang Heng entrasse tão rápido. Ela havia se aproximado da janela do banheiro enquanto falava, só para perceber que elas eram equipadas com uma daquelas redes anti-roubo. Sair do local pela janela estava fora de questão. Novamente, Bai Qing começou a sentir uma ansiedade iminente a atormentá-la.

Do outro lado, Zhang Heng estava ficando desconfiado dela. Então ele colocou a orelha na porta do banheiro para escutar Bai Qing.

Depois de um tempo, ele ouviu a água sumir e o som de passos se aproximando da porta.

Zhang Heng então deu meio passo para trás e voltou à sua posição original.

Quando Bai Qing abriu a porta, ela mal conseguiu esboçar um sorriso. Sem conseguir escapar, ela teve que fingir que nada havia acontecido antes de sair.

“O que foi? Se sentindo mal?” Zhang Heng olhou para os olhos vermelhos de Bai Qing.

“Não. Só lembrei da minha mãe de novo.”

“Tudo bem. Tudo vai ficar bem.” Zhang Heng segurou a mão de Bai Qing enquanto falava. Ele sentiu que suas mãos estavam mais frias do que antes, mas imaginou que ela devia tê-las passado apenas na água fria.

“Vamos.”

A olhos do garçom da rameneria, os dois pareciam um jovem casal apaixonado. Casais na lua de mel geralmente ficavam grudados um no outro o tempo todo. As pressões da vida pareciam ser quase esquecidas, e eles desfrutavam livremente do período de paixão.

Nenhum deles conseguia ver o medo enterrado fundo nos olhos de Bai Qing.

Bai Qing não queria ir ao cybercafé que Zhang Heng mencionou, mas ela não sabia para onde mais fugir.

Comentários