
Capítulo 410
48 horas por dia
O local combinado era do lado de fora de um matadouro.
Um cheiro desagradável pairava no ar.
Zhang Heng parou o carro. Não muito longe deles, quatro homens jogavam um jogo de facas em torno de uma pequena mesa.
As regras eram simples: basicamente, o jogador precisava colocar uma mão sobre a mesa e, com uma faca na outra mão, espetar rapidamente os espaços entre os dedos. Quem fosse mais rápido ganhava.
O processo todo era fascinante, muitas vezes visto como um símbolo de coragem para aqueles com estômago para participar. Por isso, os quatro homens estavam tão entretidos que não perceberam a aproximação de ninguém.
“Ainda faltam vinte minutos. O que fazemos? Esperamos no carro ou eu desço e falo com eles?”
“Sem necessidade de tanto trabalho”, disse Zhang Heng, ligando o farol alto do carro.
Os faróis atingiram os homens com tanta intensidade que eles não conseguiram mais continuar jogando. Irritados e aborrecidos, levantaram-se das cadeiras, pegaram suas armas e começaram a xingar alto.
O professor de química ficou chocado. “Nossa! Que falta de educação, não é?”
“Você já viu ladrões e bandidos falando educadamente?”, perguntou Zhang Heng. “Esses quatro estavam ali para te dar um bom susto. Eles sabem que você é uma pessoa comum, e aposto que nunca viriam atrás de você se você não saísse do carro. Se você for até eles, eles não vão te ouvir também. É assim que eles agem. Táticas como essas te deixam mais nervoso e com medo. Quanto mais medo você tem, mais eles se beneficiam na negociação.”
“É aqui o local que eles pediram? A câmera de segurança mais próxima fica a um quilômetro de distância, e com a visibilidade atual, não tem como capturar imagens nítidas. Em outras palavras, eles têm a vantagem de atacar primeiro.”
O professor de química ficou sem graça. “Eu achei que íamos nos encontrar na ponte onde você me pegou, mas a pessoa responsável me disse ao telefone que o chefe deles queria negociar em território próprio. Disseram que cancelariam o negócio se eu não concordasse. Eu sei que é uma má ideia, mas a pessoa responsável pela transação me garantiu que seria seguro...”
“Eles estão só te aplicando o velho ‘bom-mocinho-mau-mocinho’”, disse Zhang Heng. “Na verdade, não ter câmera de segurança não é tão ruim. Espere o meu sinal para sair do carro.”
“Hein?”
Antes que o professor pudesse entender o que estava acontecendo, Zhang Heng já estava indo em direção aos quatro homens.
“Moleque, você é o motorista? Você quer morrer? Que diabos você fez apontando suas luzes para a gente?!” o homem com tatuagens no corpo e rosto rosnou com fúria. “Você não sabe de quem é o território?”
“Duzentos anos se passaram, e vocês ainda não fizeram muito progresso. Vocês só conseguem fingir ser durões se apoiando em uma gangue e em uma maquiagem de quinta. Que decepção”, disse Zhang Heng calmamente. “Já que é assim, vou deixar vocês testemunharem o que é o verdadeiro mal.”
“Ei, babaca! Que tipo de louco você é?! Você deve estar louco por morte”, o homem tatuado sorriu enquanto esticava a mão para agarrar o colarinho de Zhang Heng.
“O que eu faço?!” gritou o professor em pânico dentro do carro, com um tom tão ansioso quanto uma formiga em cima de uma panela quente. “Por que eles começaram a brigar de repente? Deve ter algum mal-entendido. Eles podem não saber por que estamos aqui. Vou descer e falar com eles.”
Little Boy estendeu a mão e segurou o ombro do professor.
“Você ouviu o que ele disse antes de sair do carro. Deixe ele resolver isso. Só espere pelo sinal aqui.”
Apesar de suas palavras confiante, havia um toque de preocupação nos olhos de Little Boy.
No momento seguinte, ela viu o homem tatuado cair de joelhos, segurando o pescoço com a mão. Seu rosto estava vermelho como beterraba, e como um peixe fora d'água, ele abriu a boca e respirou ofegante, mas nenhum ar entrava em seus pulmões.
Os três homens restantes se entreolharam, chocados com o que viram.
Zhang Heng sacudiu os punhos.
“Os três vão me atacar ao mesmo tempo?”
Desta vez, as coisas foram diferentes da rápida luta contra os capangas do cassino. Zhang Heng não só tinha que derrotar os quatro homens na sua frente, mas também tinha que machucá-los o máximo possível para incutir medo neles.
Antes, o punho de Zhang Heng acertou a traqueia do homem tatuado, permitindo que ele experimentasse o prazer não tão sutil da sufocação. Embora a situação trágica do homem tivesse afetado seus três companheiros, o bando de albaneses aprendeu a viver sem medo. Covardes nunca sobreviveriam nesse ambiente cruel e sombrio.
Os três homens congelaram por um tempo. Se entreolhando, eles então partiram para cima de Zhang Heng. Um balançou um gancho de carne de ferro em suas mãos, tentando atingi-lo. Antes que ele pudesse fazer isso, porém, uma faca que surgiu do nada penetrou a carne de seu braço.
Zhang Heng sacou sua faca recém-adquirida, e o sangue começou a espirrar pelo chão. “Procure um hospital em 20 minutos e trate do seu ferimento. Você pode optar por não ficar aleijado pelo resto da vida”, disse ele ao azarado.
No entanto, o jovem com um corte profundo no pulso não recuou. Os ferimentos que sofreu só o enfureceram ainda mais. Ele soltou o pulso sangrando, rugiu de fúria e atacou Zhang Heng novamente. “Sua coragem é louvável, mas infelizmente, você é um idiota. Depois de virar um aleijado, você realmente acha que pode continuar aqui?”, disse Zhang Heng, dando um cotovelada no jovem que o atacou pelas costas. “Não existe essa de respeito aos mais velhos, amor aos mais novos e ajuda aos deficientes nesse ramo.”
Para o último oponente, Zhang Heng optou por quebrar sua perna e deixá-lo no chão gemendo. Ao mesmo tempo, o jovem valente também havia começado a atacar. No entanto, Zhang Heng simplesmente ficou parado sem se mover até que seu oponente se aproximasse. Se afastando, ele conseguiu desviar do ataque facilmente. Em resposta, o joelho de Zhang Heng acertou com força o abdômen do sujeito.
Desta vez, a paz finalmente retornou.
Zhang Heng guardou a faca dobrável, foi até o homem tatuado, agarrou seu cabelo e o arrastou pelo chão por três metros até a mesa onde jogavam o jogo de facas. Ele bateu a cabeça do homem na mesa e pegou a faca que estava por perto. “Qual olho você prefere, o esquerdo ou o direito?”
O homem tatuado não conseguia mais ser o durão de antes. Lágrimas e melecas escorriam descontroladamente, e tudo o que restava no gangster temível era o medo mais primitivo e instintivo do homem.
De repente, uma voz foi ouvida dizendo:
“Chega.”
Um homem mais velho com um avental de couro saiu do matadouro. Ele estava vestido como um açougueiro, a barba e o cabelo aparados cuidadosamente. Ele então tirou um lenço do bolso e limpou o sangue em suas mãos.
“Me desculpe. Me perdoe. Minha memória me falhou. Já nos conhecemos antes, meu amigo?”