48 horas por dia

Capítulo 129

48 horas por dia

Os piratas arrastaram Zhang Heng para o restaurante do quartel. Durante a guerra, a incrível pontaria de Zhang Heng havia impressionado a muitos, especialmente o último tiro, decisivo para virar o jogo. Por isso, cada pirata nutria um respeito imenso por ele. Com a guerra encerrada, queriam ir ao bar com ele, bebericar e comemorar. Até mesmo Marvin recebeu o convite. A curiosidade era tanta que todos queriam saber como ele havia usado os dentes para matar o soldado que tentara assassiná-lo. Marvin, antes um pária a bordo do Leão Marinho, viu seu tratamento mudar radicalmente após a batalha.

A caminho do restaurante, cruzaram com Orff. Por um instante, todos temeram uma repreensão. Afinal, ainda havia muito a fazer após a batalha. Cada pirata tinha uma tarefa diferente. Lógico, não era a hora ideal para comemorar com bebidas no restaurante.

Para surpresa geral, Orff não repreendeu ninguém. Em vez disso, acenou para Zhang Heng e disse: “Bom trabalho!”

Eles o saudaram e seguiram para o restaurante. Orff pediu que terminassem suas tarefas depois da festa, mas poucos o ouviram – ou fingiram não ouvir. Orff balançou a cabeça e bateu na porta da cabine do capitão.

“Entre.”

“Os prisioneiros estão sendo transferidos para o Leão Marinho aos poucos, em pequenos barcos. Owen está lá ajudando a recrutar homens. Agora precisamos de alguém que saiba manusear os canhões. Considerando que temos 90 canhões… e o cara está trancado na cabine do carpinteiro. Para ser sincero, achei que você o mataria agora mesmo.”

“Você realmente pensa que sou o tipo de pessoa que não enxerga o quadro geral?”

O homem de barba negra ainda usava o casaco manchado de sangue da batalha. O braço sangrava, mas ele não procurou um médico. Parecia não se importar com o ferimento. Pegou dois copos de uma gaveta e serviu vinho tinto.

“O culpado daquele incidente ainda está vivo. Comparado a ele, Elmer é um ninguém. Não podemos parar agora. Sabendo que Elmer é cúmplice, vou me certificar de que ele pague pelo que fez. Eu prometo.”

Orff tomou o vinho e continuou a conversa.

“Quatorze anos, e finalmente chegamos aqui. Para ser sincero, pensei em desistir algumas vezes. Achei que toda esperança estava perdida. Agora, Belmont é o último da lista. Nossa missão está quase terminando. Já não sou tão jovem. Quando isso acabar, pretendo me aposentar. Quero um lugar isolado, onde possa pescar e cuidar do jardim. E você? Quais seus planos? A senhorita Agnes ainda lhe escreve?”

O homem de barba negra ficou sem palavras.

“Você e eu sabemos bem. Uma vez que escolhemos esse caminho, não há volta. Não é verdade, Orff? Se a civilização falhar em me fazer justiça, usarei a força bruta para destruí-la.”

“Haha. Essa é a sua cara. Deixe-me caminhar com você até o fim dessa jornada.”

Orff ergueu o copo, esvaziou-o de um gole e se levantou.

“Por enquanto, o moral na nossa embarcação está alto. Mas o Frazer que eu conheço não vai desistir tão fácil. Aquele velho patife é como uma cobra venenosa. Está se escondendo. Se mostrarmos nossas fraquezas, ele não hesitará em nos atacar.”

“Você é o timoneiro deste navio. Tenho certeza de que vai nos ajudar a lidar com essa ameaça, certo?”

“Vou fazer o meu melhor. Como antes, você fica com o combate, e eu cuido dos piratas da nossa tripulação. Não consigo imaginar o que aconteceria com você se eu deixasse este navio.”

Orff deu de ombros, caminhou até a porta e lembrou-se de algo.

“Ah, certo! Quase esqueci um detalhe importante. Devemos dar um novo nome a este navio, já que agora ele nos pertence!”

“Um nome? Vamos chamá-la de Vingança da Rainha Anne.”

¹Os olhos do homem de barba negra ardiam de paixão, mas seu tom era extremamente calmo.

“Soa bem. Gosto do jogo. Aproveite a vitória por enquanto, Capitão. Eu resolvo o resto.”

¹Depois disso, Orff saiu da cabine do capitão e fechou a porta atrás de si.


Zhang Heng havia perdido a conta de quantos copos de cerveja havia tomado. Felizmente, o teor alcoólico da cerveja não era alto. Cada pirata celebrava a vitória milagrosa. 170 piratas haviam derrotado um navio de guerra com 700 homens. Após a batalha, capturaram 400 pessoas. Ninguém acreditaria se não visse com os próprios olhos. Uma história dessas daria para contar e recontar em tavernas por anos. Com aquele navio de guerra, eles poderiam dominar o mar, roubar quem quisessem com 100% de chance de sucesso.

Normalmente, os piratas não ficavam parados. Após as bebidas, a maioria queria inspecionar o navio de guerra. Em votação, decidiram deixar a banda de Elmer ali. Os músicos foram obrigados a acompanhar os piratas, tocando canções de vitória. Antes, tocavam músicas populares da aristocracia, mas os piratas não as apreciavam. Não era a primeira vez que eram obrigados a tocar algo divertido e animado. Era difícil para os músicos ver suas obras de arte serem "contaminadas". Porém, ao verem os piratas brandindo suas espadas diante deles, souberam que tinham que engolir o orgulho e fazer o que lhes pediam.

“Não acredito que conseguimos!”

Um canhoneiro tocava um canhão de 24 libras no segundo convés.

“Com essa coisa, posso destruir tudo que aparecer na nossa frente.”

“Cuidado, Bill. Só um homem de verdade consegue lidar com uma peça tão grande”, disse um velho canhoneiro.

Imediatamente, todos riram de Bill.

“Mal posso esperar para atirar em alguns navios com esse canhão! Imaginem a reação daqueles navios mercantes que cruzarem nosso caminho. Estou começando a sentir pena deles.”

“Por que vocês pararam de tocar? Eu pedi para vocês pararem?”

“Fui eu quem pedi para eles pararem.”

Orff caminhou lentamente até a multidão.

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