
Volume 17 - Capítulo 1691
Pet King
Fazia cerca de duas semanas que a pequena Celinha ia sozinha para a escola. Ia e voltava todos os dias. Já conhecia bem as ruas próximas, sabia até qual sinal de trânsito tinha o verde mais longo e qual tinha o mais curto. Mas o mesmo caminho sempre tinha gente diferente. Ela saía em horário fixo todo dia; os outros pareciam se atrasar ou adiantar. Via rostos diferentes a cada dia, todos estranhos. Só o casal de meia-idade da pet shop podia ser considerado… familiar.
Tirando as barracas de café da manhã, os outros lojistas da rua pareciam preguiçosos. Quando Celinha passava correndo de manhã, todas as lojas estavam fechadas; mas quando ela voltava à tarde, todas estavam abertas. Afinal, Binhai não era uma cidade grande com ritmo de vida acelerado.
Essa pet shop era exceção. Toda vez que Celinha passava correndo pela loja, ela espreitava para dentro. Havia poucos clientes, mas as duas pessoas na loja sempre pareciam ter um trabalho infinito a fazer. Estavam sempre ocupadas, e não era fácil vê-las paradas.
Suas habilidades de observação eram muito detalhadas, tanto que ela conseguia desenhar um mapa de rota preciso. E com a mesma precisão observava a pet shop e o casal de donos, inconscientemente tirando-os da categoria de "estranhos".
Celinha parou quando a mulher de meia-idade lhe ofereceu um lenço, mas não o pegou. Em vez disso, balançou a cabeça e disse: "Obrigada, tia. A mamãe não deixa eu pegar coisas de outras pessoas".
Depois disso, continuou a correr.
Embora não tenha pegado o lenço, foi a primeira frase completa que ela disse a eles.
No dia seguinte,
Celinha avisou a mãe e preparou um lenço para enxugar o suor. Como Celinha era muito viva e agitada, a mãe não achou estranho.
Ao passar pela pet shop, inconscientemente diminuiu a velocidade e, por hábito, lançou um olhar furtivo para a direita.
Hábito é uma coisa assustadora mesmo.
"Onde ele foi?"
"Pega ele!"
"Eu acabei de passar por você pulando!"
A mulher de meia-idade não estava na frente da pet shop naquele dia. A loja estava uma bagunça. O casal andava por ali, olhando para o chão e meio curvados, como se procurassem algo ou estivessem brincando.
"Ai, meu Deus! Minhas costas… " O homem de meia-idade contorceu o rosto, bateu nas costas e ofegou.
"Rápido, fecha a porta primeiro, não deixa ele escapar!" A mulher de meia-idade apressou.
Crianças são curiosas como gatos, e Celinha não era exceção. Ela olhou para a loja confusa e não conseguiu evitar dar alguns passos mais perto, ficando fascinada por um instante. Ela tinha saído cedo de casa e corrido o caminho todo. Ainda faltava bastante tempo para a aula começar, então ela tinha tempo de sobra para assistir à "farra".
Neste momento, um bichinho peludo e pequeno pulou de repente da loja. A pelagem estava molhada, e suas duas orelhas compridas e macias caíam. Sua boca de três pétalas estava semiaberta, mostrando dois dentes da frente, parecendo muito fofo.
A criatura era parecida com os coelhos que Celinha via nos desenhos animados, mas não exatamente igual. Os coelhos dos desenhos tinham orelhas retas, mas as orelhas deste bichinho eram caídas.
De qualquer forma, esse pequeno não tinha nada a ver com a palavra "feroz".
Celinha e o bichinho se encararam. Ela parecia estar bloqueando sua rota de fuga.
"Não deixem ele escapar!" O casal de meia-idade na loja gritou.
Os dois eram idosos, e suas pernas não eram tão ágeis como na juventude. Além disso, a loja acabara de ser lavada, e o chão estava escorregadio. Eles não ousavam correr, com medo de cair.
"Ei!"
Celinha assumiu a postura de uma águia pegando um pintinho, com os braços abertos e os pés numa posição de luta, bloqueando ainda mais o caminho.
A professora disse na escola que uma boa criança deve ajudar os outros com alegria. Isso deveria ser considerado ajudar os outros, certo?
O bichinho peludo e molhado viu que não conseguia escapar em linha reta, então só podia pular para o lado. Mas quando pulou, Celinha também se moveu para o lado.
Parecia muito medroso. Depois que seu caminho foi bloqueado, ele tentou parar o corpo em emergência. Como resultado, acidentalmente pisou nas escadas e rolou para baixo. Como suas patas dianteiras eram curtas e as traseiras compridas, ele não era bom em subir escadas.
Celinha era a mais próxima dele, então foi muito ágil. Correu e o segurou com as duas mãos.
"Eu peguei!" Ela gritou animada.
Nesse momento, o casal de donos também saiu da loja e disse alegremente: "Obrigado, amiguinha! Quase deixamos o coelho escapar!"
Poder ajudar os outros e ser agradecida deixou Celinha muito feliz. Ela riu e disse: "De nada. É o que eu devia fazer!"
O homem pegou o coelho.
Celinha o encarou e perguntou curiosa: "Que tipo de coelho é esse?"
"Um coelho orelhudo. Você nunca viu um antes?" A mulher de meia-idade enxugou o suor da testa.
Celinha piscou os olhos, tentando entender aquele nome estranho: "Coelho orelhudo…"
"Esse pequeno geralmente fica em uma gaiola, mas a gaiola é relativamente pequena, então o deixamos sair todos os dias para se movimentar. O tempo não está muito fresco agora, e a pelagem dele é grossa. Estávamos prestes a dar banho nele, mas ele viu uma abertura e pulou da banheira, fazendo a gente correr atrás dele…" A mulher de meia-idade explicou o que havia acontecido.
Celinha ficou fascinada pela história, era interessante imaginar a cena.
O homem voltou para a loja com o coelho orelhudo nos braços, e os olhos de Celinha seguiram o coelho relutantemente.
"Quer entrar na loja e dar uma olhada?" A mulher de meia-idade percebeu seu olhar e franziu os lábios em um sorriso. Os pensamentos da criança eram fáceis demais de adivinhar, estavam praticamente escritos na sua cara. Então, ela apontou para a loja e a convidou.
"Não, não, eu vou para a escola."
Celinha acenou as mãos em pânico e saiu correndo. Ela realmente queria ver o coelho, e ainda era cedo para a aula, mas…
Depois da escola naquele dia, ela revisou o mapa de rota novamente. Apagou o desenho de cabeça de gato da pet shop e o substituiu por uma cabeça de coelho. Primeiro, ela desenhou as orelhas do coelho caídas, mas descobriu que suas habilidades de desenho eram muito ruins. O coelho que ela desenhou dessa forma ficou feio e não parecia um coelho de jeito nenhum, então ela mudou para orelhas de coelho normais.
Durante o jantar, ela contou para a mãe as coisas interessantes que aconteceram na escola naquele dia, como de costume. Enquanto comia, ela disse de repente: "Mamãe, você já viu um coelho orelhudo?"
"Não, é um tipo de coelho?"
Sua mãe respondeu casualmente. Desde o começo do jantar, ela parecia um pouco distraída. Sempre que estava ocupada com o trabalho, ela ficava assim. Precisava ser assim. Ela jantou com a boca, mas a mente estava no trabalho, porque se não trabalhasse, não teria comida para comer. E toda vez que isso acontecia, Celinha a observava e sabiamente não a incomodava com pequenas coisas.
"Sim."
Celinha não continuou. Depois do jantar, ela foi ajudar a mãe a lavar a louça e depois voltou para o quarto para fazer a lição de casa.
Sua mãe arrumou os utensílios de cozinha e voltou para o quarto para trabalhar até muito tarde.
Quando Celinha estava dormindo, ela encontrou um longo pelo branco de coelho na roupa e sonhou com o coelho orelhudo à noite.