Pet King

Volume 17 - Capítulo 1683

Pet King

Nas lembranças de infância de Zhang Zian, aquela rua sofria com apagões frequentes. Era uma área residencial antiga, com fiação de capacidade insuficiente. Nos horários de pico, a energia caía, principalmente no verão.

O verão era quente e úmido. Mesmo sem muito dinheiro, as pessoas ligavam o ar-condicionado quando necessário. Precisavam ferver água para o banho todo dia, às vezes mais de uma vez. Além disso, outros eletrodomésticos costumavam desligar à noite, justamente quando ele estava entretido com os desenhos animados. Assim que faltava luz, a rua inteira ficava às escuras. A volta da energia era incerta, dependia da disponibilidade do eletricista da região.

Toda vez que faltava luz, as crianças imersas no mundo da animação ficavam decepcionadas sem tamanho. Se a interrupção acontecia no clímax do desenho, era pior que tirar uma nota baixa na prova…

Com o tempo, as obras de revitalização do centro antigo reduziram os apagões. Depois, quase não houve mais. Crianças nascidas nos últimos anos nem sabiam o que era um apagão.

Se Xu Zhuang Zhuang tivesse nascido naquela época, não ia deixar de fazer a lição de casa só porque faltava luz. Ia fazer a lição de casa mesmo que tivesse que usar velas.

Normalmente, um apagão não era um grande problema, pelo menos não ficava completamente escuro. Mas dessa vez, Zhang Zian havia acabado de fechar todas as janelas e persianas, e até puxado as cortinas. A escuridão repentina era desconfortável para os olhos.

Felizmente, o laptop mudou automaticamente para a bateria interna, e a tela se tornou uma pequena fonte de luz. Era melhor que nada.

O grito de Sihwa veio do banheiro: "Quem apagou a luz?"

"Piu?"

Pi percebeu que a internet tinha caído e o computador não estava conseguindo acessar a rede.

Embora o laptop tivesse bateria, o roteador não. Mesmo desconectando e conectando o cabo de rede diretamente na porta do computador, seria inútil, pois o roteador da companhia telefônica lá fora provavelmente estava sem energia.

Zhang Zian compartilhou o ponto de acesso do celular com o laptop e pediu para Pi salvar o que precisava, já que a bateria daquele laptop antigo não duraria muito.

Ele apalpou no escuro e foi até o banheiro. Viu que o celular de Sihwa também estava aceso.

A maior parte do corpo dela estava fora d'água, encostada na borda da banheira, contra a parede. O rosto e o celular estavam pressionados contra a pequena janela do banheiro, e ela estava filmando o que acontecia lá fora.

– Por que você apagou as luzes? Quer economizar uns centavos na conta de luz? – ela se virou, furiosa. – Eu estava prestes a fazer uma transmissão ao vivo da tempestade para meus fãs!

– Transmissão ao vivo, que nada, caiu a luz.

Zhang Zian explicou brevemente e fechou as persianas do banheiro. O ambiente ficou quase totalmente escuro, apenas a tela do celular dela ainda iluminava.

– Ah? Quando vai voltar a luz? Deve ser porque você mora nessa casa caindo aos pedaços que faltou energia! – ela exclamou, ansiosa.

Zhang Zian suspeitava que a garota já sofria de dependência de celular, como muita gente. Tudo bem ficar um dia sem comer, mas um dia sem celular era o fim do mundo…

– Difícil dizer quando vai voltar. Hoje, pelo menos, a chance é pequena. Pode ser em dois ou três dias – respondeu ele. A interferência do vento, da chuva e dos trovões dificultava que os internautas na sala de transmissão ao vivo ouvissem sua voz.

– Dois ou três dias? – Ela coçou a cabeça, desesperada. – Vou morrer! E por que você fechou a janela? Eu ia fazer a transmissão ao vivo da tempestade!

Zhang Zian pegou uma vela no armário do banheiro, acendeu com um isqueiro e colocou na borda da banheira. A luz amarela e fraca iluminou o banheiro.

– A atmosfera está boa. Vou fazer uma live contando histórias de terror. Pode fazer sucesso – disse ele.

Depois de sair do banheiro, Zian também colocou uma vela na mesa para iluminar Pi e fechou todas as janelas e persianas dos outros quartos e depósitos.

As gotas de chuva caíam no telhado, o som vinha do teto. Os ralos das beiradas pareciam torneiras, escorrendo água. Ele verificou o teto do segundo andar com o celular. Não havia sinais de vazamento. Esperava que a impermeabilização do telhado feita pelo soldador Zhao resistisse ao tufão.

Desceu e viu que a equipe já havia fechado todas as portas e janelas, vedando as portas com fita adesiva e sacos plásticos. Com chuva tão forte, o sistema de drenagem da cidade poderia não dar conta de escoar toda a água acumulada, evitando que a água das ruas entrasse na loja.

O problema mais grave com o apagão era o sistema de resfriamento do aquário. Ele tinha um gerador pequeno, usado quando ajudou o Pequeno Branco, que mantinha a circulação e o fornecimento de água no aquário. Senão, não demoraria muito para os animais marinhos começarem a morrer. Ele também usou um freezer para fazer gelo, prevendo o apagão causado pelo tufão, então, por enquanto, dava para segurar.

Como todos estavam no primeiro andar, ele acendeu algumas velas por lá, tentando iluminar o máximo possível.

A Pequena Celery não podia ajudar, e todos temiam que ela se machucasse, então não a pediram ajuda. Ela ficou sentadinha ao lado do caixa. Ao ver a luz, abriu a mochila e tirou a lição de casa.

Diferente de Xu Zhuang Zhuang, que pretendia deixar a lição de casa para depois, ela planejava começar a fazer. Afinal, a professora tinha passado muita lição, e se ela não se apressasse, talvez não conseguisse terminar.

– Pequena Celery, não escreva mais. Está muito escuro. Vai fazer mal para seus olhos – Wang Qian a alertou gentilmente. – Tudo bem deixar a lição de casa para depois uma ou duas vezes. Não vale a pena usar óculos no futuro por causa disso.

– Tudo bem, não está escuro – a Pequena Celery respondeu, insistindo em fazer a lição.

Neste momento, o primeiro andar ficou bem mais claro. Embora não estivesse tão iluminado como de costume, pelo menos não estava muito escuro.

Zhang Zian foi até lá com a única lanterna de emergência da loja e colocou sobre o balcão do caixa. – Vou deixar essa luz aqui. Pode escrever se quiser.

– Uau! Obrigada, Sr. Gerente! – a Pequena Celery bateu palmas, surpresa.

Ela abriu a lição de casa e, com a ajuda da luz, começou a escrever letra por letra.

Apesar de portas e janelas fechadas, era impossível isolar completamente a casa do lado de fora. O vento lá fora era forte, mas dentro soprava uma brisa leve. As portas de enrolar e as persianas rangiam sem parar. A casa inteira parecia uma máquina enferrujada.

Às vezes, a porta de enrolar parecia ser atingida por algo no vento, um galho ou algum outro detrito, fazendo um barulho alto que assustava todos na sala.

Através da porta de vidro, eles viram que a porta de enrolar tinha algumas amassadas. Sem a proteção da porta de enrolar, a porta de vidro poderia ter quebrado.

– Mestre, você tem mahjong aqui? Já que estamos entediados, que tal jogarmos algumas partidas? – Li Kun sugeriu.

– Boa ideia – Wang Qian concordou. – Dizem que o som do vento, da chuva e do mahjong é agradável aos ouvidos. Perfeito para a ocasião!

Zhang Zian lançou-lhes um olhar fulminante, depois fez um sinal discreto para a Pequena Celery, querendo dizer: "Ela está fazendo a lição de casa aqui, e vocês querem jogar mahjong perto? Isso é apropriado?"

A Pequena Celery disse com generosidade que não tinha problema.

Os dois pensaram por um momento. Parecia que realmente não deveriam fazer algo que prejudicasse os outros e os beneficiasse. Deveriam ir para o aquário ao lado para jogar mahjong?

Zhang Zian olhou pela loja e pareceu perceber que faltava algo.

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