Pet King

Volume 15 - Capítulo 1422

Pet King

Ao se aproximarem do ferro-velho, uma placa na beira da estrada confirmava que estavam no caminho certo. Na verdade, nem precisava de placa; o cheiro no ar já dizia tudo.

Quando o Pequeno Branco avistou o local, pediu a Zhang Zian que parasse o carro. Ele planejava se separar de Zhang Zian, caso a negociação não desse certo.

Zhang Zian não sabia o que fazer se a negociação fracassasse, mas Vladimir havia avisado que o Pequeno Branco não era fácil de lidar.

Ele continuou dirigindo por um tempo até chegar a um conjunto de casas térreas.

O bairro estava deserto, sem outras casas comuns. Fazia sentido, já que morar perto de um ferro-velho significava conviver com mosquitos, ratos, pulgas e baratas aos montes. Sem contar a variedade de germes e o cheiro infernal do depósito.

Morar perto do ferro-velho exigia mais coragem do que morar perto de um aeroporto. Comparado ao barulho irritante dos aviões, morar ali era infinitamente pior!

As primeiras casas tinham grandes refletores que iluminavam as ruas, deixando tudo branco. Alguns caminhões estavam estacionados na sombra, mas ninguém era visto.

Zhang Zian estacionou o carro na beira da estrada e se aproximou de uma porta fechada. Ele bateu e perguntou: “Tem alguém em casa?”. Ninguém respondeu.

Ele foi até a janela e espiou para dentro da casa.

A casa estava iluminada, mas as janelas estavam sujas, dificultando a visão de qualquer pessoa se movimentando lá dentro.

Que estranho, ninguém estava ali? Será que todo mundo tinha saído para aproveitar a noite na cidade?

Como era um lugar isolado, ele não tinha certeza se havia internet banda larga na área. No entanto, as pessoas da região deveriam ter acesso à internet agora que as taxas de dados móveis estavam mais baratas. Mesmo assim, o único entretenimento noturno dos “nerds” era navegar na web. A internet nunca poderia substituir o entretenimento sexual pago.

O cheiro no ar era muito desagradável e dava náuseas. Nuvens de mosquitos pousavam em seus corpos, enquanto ratos cinzentos e gordos, sem medo de humanos, passavam correndo pelos seus pés de vez em quando. O solo estava cheio de insetos brilhantes se movimentando. O ambiente tornava difícil ficar ali por mais um instante.

Zhang Zian procurou no escuro pelo repelente de insetos que comprou no Pinduoduo e passou em todas as partes do corpo expostas, tentando afastar os mosquitos e os ratos. Ele começou a pensar em como os ratos poderiam carregar pulgas, e as pulgas poderiam infectar os ratos. Só de pensar, ele arrepiou.

Ele foi até outra casa e bateu na porta. Desta vez, alguém respondeu.

“Quem é?”, respondeu uma voz embaçada e impaciente.

“Bem… eu sou… vocês vieram outro dia para comprar algumas garrafas vazias minhas”, respondeu Zhang Zian.

“Espere.”

Depois de dois ou três minutos, um homem magro e bêbado, com cabelo sujo, abriu a porta. Ele estava sem camisa, mas usava uma calça jeans surrada de cintura baixa e um par de chinelos.

Zhang Zian nunca tinha visto essa pessoa de dia, ou talvez não tinha reparado nele.

“Qual o problema?”, ele se encostou na porta, tirou um cigarro do bolso e olhou para Zhang Zian com os olhos semicerrados. Ele parecia ter acabado de acordar ou ainda não ter se despertado completamente e ter sido interrompido por Zhang Zian.

Zhang Zian hesitou antes de dizer: “Durante o dia, vocês vieram comprar minhas garrafas vazias. No entanto, houve alguns erros no cálculo do preço; o número de garrafas estava errado e vocês me pagaram menos dinheiro.”

“Isso não me diz respeito. Procure quem fez o cálculo. Hoje ninguém está aqui, fala amanhã!”, o homem não esperou que ele terminasse, fez um gesto com as mãos para mandá-lo embora e fechou a porta às pressas.

A intenção de Zhang Zian era apenas explicar a situação para que eles não repetissem o erro no futuro. No entanto, o homem pareceu ter entendido mal a situação e achou que ele queria o resto do dinheiro pela manhã.

Mas isso era de se esperar. Era difícil recuperar dinheiro que já tinha ido para o bolso. Afinal, essas pessoas não eram exatamente exemplos de cidadania. Esperar gratidão delas seria inútil.

Ele voltou para o carro, mas não ousou ficar parado com medo de que pulgas entrassem em seus sapatos e calças.

Sem saber para onde o Pequeno Branco foi, ele só podia esperar que ele voltasse.

Em poucos minutos, um zumbido repentino veio da grama perto do carro, como se algo estivesse se aproximando. No entanto, estava muito escuro e ele não conseguia dizer se era um humano ou um animal.

O coração de Zhang Zian disparou enquanto ele perguntava baixinho: “Quem é?”

“Sou eu.”

O Pequeno Branco respondeu em voz baixa e surgiu das sombras.

“Como foi?”, ele perguntou.

O Pequeno Branco não respondeu, virou-se e fez um gesto. “Vem comigo.”

Zhang Zian trancou o carro e fechou bem os vidros. Então, seguiu o Pequeno Branco.

O Pequeno Branco o levou por várias casas e se esgueirou por trás do ferro-velho.

Ninguém estava guardando o caminho, mas nem precisava. Ninguém iria ao ferro-velho para roubar coisas.

Vozes vinham da frente, junto com sons comuns em um carnaval.

O Pequeno Branco virou a cabeça e fez sinal para Zhang Zian ter cuidado, pois havia alguém à frente.

Zhang Zian reconheceu o gesto e avançou com cautela.

Da esquina de uma casa, ele espiou pela metade e olhou silenciosamente na direção do barulho.

No espaço aberto entre os depósitos de lixo, várias pessoas estavam sentadas em volta da fogueira, acampando no meio do lixo. Havia alguns rostos familiares, alguns que ele havia visto durante o dia.

Havia caixas de latas de cerveja ao lado deles, e eles enchiam a boca com a bebida sem parar.

O que mais chamou a atenção de Zhang Zian foi que, no terreno ao lado deles, havia um cachorro com as quatro patas amarradas.

O Pequeno Branco olhou para o cachorro, voltou-se para Zhang Zian e lançou-lhe um olhar.

Será que era… o cachorro que quase foi atropelado pela van?

Por que ele estava amarrado?

Em situações assim, a intuição geralmente estava certa.

O cachorro era magro, sem uma gota de gordura no corpo. Não só seus membros estavam amarrados, mas sua boca também estava fechada com uma corda.

Ele não conseguia latir, apenas se contorcia e se debatia no chão.

À luz da fogueira, um homem se levantou segurando uma lata de cerveja e sorriu para os outros, dizendo: “Demos sorte hoje. Enganamos um otário e ganhamos algumas caixas de cerveja. Ia comprar comida, mas esse cachorro idiota apareceu na nossa porta. Vamos aproveitar hoje, meus irmãos! O resto do dinheiro vai pra mais cerveja amanhã!”

“Haha! Estou babando só de olhar! A carne de cachorro estava tão gostosa da última vez! Estou salivando só de pensar!”, exclamou outro.

“É verdade! O sabor da carne de cachorro é inesquecível, uma vez que você come, vicia!”, concordou um terceiro.

Alguém se virou para olhar para a casa atrás. Zhang Zian pensou que tinha sido descoberto e estava pronto para fugir.

“Meu filho ainda está dormindo? Devemos chamá-lo?”

“Esquece, esse cachorro não tem carne suficiente para dividirmos, deixa ele dormir!”, disse outro.

“Haha! Amanhã ele vai ter inveja de não termos chamado ele para comer carne de cachorro!”, brincou um dos homens.

“Chega de papo, vamos acabar com essa cerveja! Mãos à obra!”, exclamou alguém.

“Sim!”

O homem que se levantou rapidamente tirou uma faca de mola do bolso e olhou para o cachorro com uma expressão distorcida.

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