Pet King

Volume 14 - Capítulo 1371

Pet King

Zhang Zian não conseguia descrever exatamente aquela sensação de vazio no peito. Tinha a impressão de ter deixado algo para trás na Casa de Chá na Névoa Oculta, uma espécie de arrependimento.

Será que era por não ter provado aquele lanche sofisticado que acabou saindo de graça?

Na verdade, ele não era nenhum gourmet. Não tinha apego nenhum a buscar comidas extraordinariamente saborosas. O jogo de chá era bonito, mas nada além disso.

Que vazio era esse em seu coração?

Zhuang Xiaodie percebeu sua hesitação em ir embora. Parou e perguntou: "Você esqueceu o celular?"

Ele apalpou o bolso. O celular estava lá. Negou com a cabeça. "Não."

"Se não esqueceu nada, vamos então", ela insistiu.

Zhang Zian: "..."

De um lado, uma saudade inexplicável de algo que talvez tivesse deixado para trás. Do outro, uma mulher linda que escolhera descer a montanha com ele, entre nuvens de névoa. Qualquer um naquela situação não escolheria a segunda opção?

Embora soubesse que aquela mulher não era para ele, mesmo que não tivesse feito papel de bobo na casa de chá, sentia-se mal em deixar uma garota tão bem vestida, com um quimono tradicional, descer a montanha sozinha. E se ela tropeçasse no próprio vestido e caísse? Seria péssimo. Descer a montanha sempre é mais difícil do que subir.

"Tá bom, vamos."

Tentou não pensar naquela sensação de vazio e desceu a montanha com ela.

A Casa de Chá na Névoa Oculta foi ficando para trás, até sumir na névoa.

Os pedestres que subiam a montanha os encontravam no caminho e ficavam maravilhados com o brilho dela. Muitos paravam, boquiabertos. Outros se escondiam em um canto para admirá-la. Até os mais velhos a olhavam.

Ela, no entanto, ignorou os olhares. Disse, indiferente: "Não tivemos muito tempo para conversar na casa de chá. Vamos aproveitar essa oportunidade para nos conhecer melhor. O que você acha?"

"Ok."

Zhang Zian assentiu, sentindo que pelo menos devia cumprir as formalidades do encontro às cegas.

“Sou da região. Não fiz faculdade em nenhuma universidade de ponta. Atualmente trabalho numa startup na cidade… Ah, sim, minha família tem uma pet shop na Rua Zhonghua. Acho que a Tia Liu te contou tudo isso, né?”

Agora estava calmo, sabendo que era pouco provável que eles ficassem juntos, então se soltou e falou livremente. Era como conversar com um estranho na rua.

"Eu sei de tudo isso, mas quero saber mais sobre você – que tipo de pessoa você é?", disse ela.

"Eu?"

É difícil ser justo consigo mesmo. A gente sempre superestima ou subestima suas qualidades. Além disso, a pergunta era muito ampla...

"Na minha vida, a maior conquista foi ganhar o Prêmio Pessoa do Ano da China de 2008. Fora isso, nada mais", disse ele, modestamente.

Zhuang Xiaodie ficou impressionada.

"Brincadeira! Estou brincando!", ele temia que ela acreditasse que ele era algum magnata. Explicou rapidamente: "O prêmio especial daquele ano foi para 'todos os chineses'. Como eu sou chinês, ganhei. Quem sabe você também não ganhou! Não vale se gabar!"

Não sabia se ela ia achar a piada engraçada. Talvez fosse demais para um primeiro encontro? Mas estava completamente relaxado. Não sentia mais a necessidade de ganhar ou perder. Por isso, conseguia brincar como normalmente fazia. E daí se ela o achasse inferior?

Ela ficou em silêncio por dois ou três segundos e, de repente, sorriu.

Aquele sorriso era como se gelo e neve derretessem e cem flores desabrochassem. Era radiante e lindo.

Mesmo relaxado, Zhang Zian viu o sorriso dela. De repente, entendeu por que um rei abdicaria do reino inteiro por uma única mulher. Chegaria até a começar uma guerra para conquistar um sorriso dela.

Ela riu baixinho no começo, mas quanto mais ria, mais alto ria. Ria tanto que o eco ressoava pela montanha.

O riso dela o contagiou. A piada era tão engraçada assim? Ou ela ria de tudo?

"Interessante! Interessante! Muito interessante!"

Quando parou de rir, estava quase chorando de tanto rir.

"Bem, aprendi uma piada hoje. Então essa viagem não foi tão ruim", disse ela.

Zhang Zian se perguntou se aquela frase tinha algum significado oculto que ele não entendia. Mas não se importou em pensar muito nisso.

Então, simplesmente explorou seus pontos fortes, inventando histórias e piadas grandiosas, deixando as palavras fluírem sem parar. Estava totalmente à vontade diante dela. Em comparação com o primeiro encontro, era uma pessoa completamente diferente.

Ela às vezes ouvia, às vezes sorria, às vezes pensava na piada e no duplo sentido. Muitas vezes precisava que ele explicasse para entender completamente. Isso significava que o riso dela não era falso.

Enquanto desciam a montanha, Zhang Zian basicamente fez um stand-up comedy só para ela. Contou algumas experiências e eventos passados. Claro, a maioria era humor negro ou piadas autodepreciativas. A jornada monótona ficou bem mais divertida. Afinal, tinha uma mulher linda ao lado – embora fosse uma beleza não destinada a ele.

A estrada sinuosa parecia muito mais curta do que na subida.

Enquanto ainda apreciava sua pequena apresentação, o pé da montanha já estava à vista.

No sopé da montanha, a névoa havia desaparecido. De um lado da estrada, um vale, do outro, uma floresta densa e silenciosa.

De repente, o sol apareceu.

Um instante depois, como mágica, inúmeras borboletas levantaram voo da grama, como uma névoa em movimento.

Zhang Zian fechou a boca e parou com ela para admirar a cena.

Pensando bem, sem o sol, as asas das borboletas estavam cobertas de orvalho. Elas só conseguiam pousar na grama porque o orvalho estava pesado. Quando o sol secou as asas, elas conseguiram voar juntas.

"É lindo!", exclamou ele.

"Quem diria o contrário?", ela sorriu. "Que pena que as flores não desabrocham sempre, e os bons momentos não duram."

Parecia haver algo implícito, mas Zhang Zian não entendeu. Nem se preocupou em pensar muito a respeito.

A névoa colorida de borboletas pairou no ar por um tempo. A maioria voltou para a floresta. Mas um pequeno grupo, particularmente bonito, voou até ela e dançou ao seu redor. Talvez fosse a roupa dela, com grandes estampas de flores, ou a fragrância que atraía as borboletas. Algumas até pousaram em seu ombro.

Ela estendeu as palmas das mãos, e elas pousaram ali também. Elas batiam as asas uma a uma.

Ele as olhou, maravilhado, e não pôde deixar de sorrir. "As borboletas parecem gostar muito de você."

"Talvez porque eu também goste delas."

Ela levantou levemente as palmas, e as borboletas voaram juntas. Mas não foram longe, e seguiram ela, ou melhor, eles.

Zhang Zian ficou curioso e queria perguntar que marca de sabonete ela usava para atrair tanto as borboletas. Mas parecia uma pergunta meio sem sentido, então desistiu.

No pé da montanha, uma limousine preta, muito cara, a esperava. Parecia ter um motorista particular. Isso confirmou sua suposição – ela, ou sua família, era muito rica.

"Como você veio? Quer que eu te leve?", perguntou ela.

"Não precisa. Vim de ônibus. Por favor, vá antes". Ele sorriu.

"OK, tchau."

Ela não insistiu, entrou no carro e foi embora.

Zhang Zian ficou sozinho no ponto de ônibus esperando o ônibus.

Para sua surpresa, ainda havia borboletas pairando ao seu redor.

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