
Volume 12 - Capítulo 1160
Pet King
“Fina!”
Fina ergueu a cabeça apressadamente.
Quem estava chamando seu nome?
O som estava tão distante, mas tão familiar, que lhe causava uma imensa saudade.
Olhou em todas as direções. O som havia desaparecido, e apenas o vento leve soprava em seus ouvidos.
Onde estava?
Onde diabos ficava esse terreno baldio coberto de entulho e grama?
Não reconhecia o lugar, mas por que havia vindo parar ali?
Era inconcebível. Deveria se virar e ir embora, então por que não conseguia se mover?
“Fina!”
Fina virou a cabeça de repente, mas só viu entulho e mato.
O sol, inclinado para o oeste, projetava longas sombras das paredes das ruínas, e o som parecia vir das sombras.
Sua cabeça doía muito. Devia ser por ter ficado muito tempo sob o sol.
Nesse calor, deveria estar deitada no hotel tirando uma soneca. Por que havia vindo parar nesse terreno baldio desconhecido?
“Fina!”
Virou a cabeça novamente, mas ainda era incapaz de dizer de onde vinha o som. A cabeça começou a doer ainda mais.
Quem era?
Quem estava brincando esse tipo de jogo sem sentido?
Se quisessem brincar de esconde-esconde, havia alguém bem mais apropriado por ali.
“Fina!”
De repente, abriu os olhos bem grandes, e desta vez ouviu claramente que o som não vinha de uma direção, mas de todas as direções!
O vento trazia o som passando por seus ouvidos, o tom circulando seu corpo, como se estivesse a sua procura e se recusasse a ir embora.
“Fina! Você voltou!”
Deve ter sido areia nos olhos, porque de repente deu vontade de chorar.
Quem era?
Queria falar, mas a voz parecia presa na garganta, e não conseguia emitir nenhum som.
Depois de algumas tentativas, disse algo contra a própria vontade.
“Eu... voltei.” Abriu a boca e murmurou, sem querer.
“Bem-vinda de volta. Você veio me visitar?”
Lembrava dessa voz... dessa voz...
A cabeça doía ainda mais.
Droga! Por que a cabeça doía tanto?
Era ela! Era a voz dela!
Uma gota d’água caiu do céu, mas foi o suficiente para romper a barreira, a gota d’água que fez o copo transbordar.
A porta da memória foi destruída pelas torrentes, e as cenas de dois mil anos atrás apareceram diante dela como um filme.
O vento que havia soprado ali dois mil anos atrás também era tão suave.
Templo Sagrado de Bastet!
Aquele era o Templo Sagrado de Bastet!
Aquele era seu lar!
A enxurrada de memórias levou a dor de cabeça embora, mas seu corpo tremia violentamente.
Aquele era o Templo Sagrado de Bastet?
E os canais que serpenteavam pelo templo, elegantes como uma fina gaze?
E o grande portão que humilhava os mortais como formigas?
E as altas muralhas ao redor do templo e as árvores antigas dentro das muralhas?
E a estrada principal por onde Bastet havia caminhado inúmeras vezes durante os rituais, sendo adorada por milhares de pessoas?
E aquele palácio repleto de joias preciosas que valiam cidades, e o lugar onde ela guardava inúmeras memórias preciosas?
E... e ela?
Fina olhou ao redor, sem expressão. O vento eternamente imutável ainda estava lá, mas tudo o mais que conhecia havia desaparecido.
Tudo, seja o que gostava, ou o que desgostava, odiava, considerava comum... tudo havia sumido.
Tudo o que restava eram as ruínas com suas paredes desmoronadas e o mato.
Se era assim, por que precisava voltar ali?
Por que não virava e ia embora?
De qualquer forma, não havia mais razão para ficar ali.
“Fina!”
A voz soou novamente.
Isso não estava certo.
Fina sacudiu a cabeça. Era uma alucinação. Ela já havia desaparecido com o Templo Sagrado de Bastet.
O vento girou ao seu redor algumas vezes e depois seguiu adiante.
Ela acompanhou o vento com o olhar, deixando que o vento levasse suas alucinações embora.
Era hora de ir.
“Fina!”
Levantou uma pata dianteira, e estava prestes a se virar e partir quando ouviu a voz novamente.
O que estava acontecendo?
Por que ainda conseguia ouvir a voz?
“Fina! Você acabou de chegar! Já vai embora?”
Fina explodiu de raiva e gritou: “Você não está mais aqui, então para que eu estou aqui?”
Sua voz era muito aguda e ressoou naquela terra e céu áridos por muito tempo.
Outra brisa soprou.
“Me desculpe, Fina! Me desculpe!”
A voz soou novamente, cheia de arrependimento sem fim.
Fina engasgou e disse: “Você disse que voltaria. Você realmente disse que voltaria! Eu voltei. Onde você está?”
“Me desculpe! Fina, eu não cumpri o acordo.”
Desculpas? Mas desculpas não compensavam nada.
“Fina, eu não deveria ter partido, mas eu sou a faraó da terra negra. Eu só pude partir. Você entende, não é?”
Sim, Fina entendia.
Se estivesse no lugar dela, provavelmente também teria partido.
Ela não queria ter partido, mas só pôde partir para proteger o povo do antigo Egito, para proteger o brilho do antigo Egito. Sabia que tinha poucas chances de vencer e só conseguiu lutar pelo antigo Egito para manter um pedaço de terra entre duas grandes potências que estavam em guerra.
Ela havia feito o seu melhor, mas havia falhado.
O vencedor, o príncipe, o perdedor, o bandido.
O grandioso e belo antigo Egito foi extinto assim.
O magnífico Templo Sagrado de Bastet foi arrasado.
Ela, grandiosa e talentosa, morreu.
E agora, estrangeiros vagavam pela terra, desfrutando da glória do vencedor.
Ela poderia ter vivido, mas em vez de viver miseravelmente como uma perdedora, preferiu escolher a morte.
Fina entendia. Ninguém a entendia melhor do que ela.
A razão pela qual Fina sentia tanta dor e amargura não era porque ela havia partido ou porque havia quebrado seu acordo. Era porque se arrependia de não ter lutado ao lado dela como uma soldada até o último momento. Ela havia sido jogada no turbilhão do tempo por uma força que poderia ter sido mais forte do que os deuses egípcios antigos e apareceu no mundo dois mil anos depois.
“Fina, não chore.”
Fina ergueu a cabeça, com lágrimas nos olhos.
“Eu não estou chorando. Eu não vou chorar por causa de uma boba!”
A voz soou como se estivesse rindo.
“Fina, você não mudou nada! Estou muito feliz que você veio me visitar. Estou muito feliz que você não mudou nada!”
Fina sacudiu a cabeça.
Isso não estava certo. Ela deveria ter mudado muito.
“Fina, você está bem?”
A voz a questionou gentilmente, cheia de afeto sincero.
Os pensamentos de Fina voltaram aos acontecimentos recentes, pedaços de eventos na pet shop passando diante de seus olhos.
Acostumada à quietude do Templo Sagrado de Bastet, às vezes achava a pet shop muito barulhenta, mas não desgostava disso.
“Mais ou menos.”
Fina escolheu essas palavras para responder porque sentiu que, se respondesse que estava muito bem, isso machucaria ela.
“Você...”
Também queria perguntar como ela estava, mas percebeu que essa pergunta não tinha sentido algum.
“Eu também estou muito sozinha, então estou muito feliz que você veio me visitar.”
A voz soou muito feliz, e até um pouco travessa.
“Mas eu não estou aqui. Você sabe, este é o Templo Sagrado de Bastet, não o lugar onde eu escolho dormir.”
Fina ficou atônita.
“Fina, eu quero te ver. Estou com tanta saudade que estou ficando louca. Você pode me deixar te encontrar uma vez?”
Fina não respondeu, e a voz ficou em silêncio.
Virou a cabeça, olhando para o oeste, a direção de onde o vento soprava.