
Volume 12 - Capítulo 1128
Pet King
Viajar para o exterior era ótimo com um guia confiável, familiarizado com as condições locais. Eles entendem os costumes e evitam problemas. Cem benefícios, zero desvantagens. Mas Zhang Zian recusou Jack.
Um motivo: tinha elfos. Outro: tempo de sobra. Em um lugar novo, ele gostava de explorar sozinho, sem saber nada. Era como jogar sem ver as estratégias iniciais, perdia a graça.
Como Famous já usava óculos de proteção, Zhang Zian não podia ficar atrás. Tirou um óculos escuro enorme do bolso da camisa, sentindo-se 20 vezes mais bonito.
“E agora? Onde vamos comer? Restaurante ou comida de rua?”, consultou os elfos.
Old Time Tea opinou primeiro: “Pelo que vi, melhor explorar as ruas, sentir a vida local. O que acham?”
Os outros elfos não tinham opinião. Restaurantes tinham muitas restrições.
“Beleza, vamos ao Mercado de Khan el-Khalili. Deve ter várias comidinhas de rua.” Zhang Zian pegou o mapa turístico.
Saindo do Four Seasons Hotel, atravessando a ponte para leste e um pouco para nordeste, o Mercado de Khan el-Khalili, o maior do Cairo, era ideal para turistas comprarem lembrancinhas e produtos locais. Cairo tinha lojas de luxo com marcas internacionais, mas não fazia sentido comprar produtos chineses no exterior.
Richard, no ombro direito de Zhang Zian, sentiu o sol forte. Pulou para o esquerdo, na sombra da cabeça dele, e reclamou: “Ai! Minha carne… Onde está minha almofada de jade? Esqueceu, seu idiota?”
“Não esqueci a gaiola. Calma, não está tão quente assim!”, disse Zhang Zian. “Aliás, ainda não acertei as contas com você. O que você disse sobre a Tchecoslováquia agora há pouco…”
“Ai! Só ouvi que o nome dele era Jack, me deu uma ideia.” Richard mudou de assunto. “Olha essas pessoas, tão tampadas!”
De fato, os egípcios que passavam estavam muito agasalhados para o calor, diferente de Zhang Zian, só com camisa de manga comprida e jeans. As mulheres, vez ou outra, usavam túnicas pretas que as cobriam inteiras. Só se via olhos e dedos. Os olhos, até, com uma gaze por cima.
Com aquele sol, roupas compridas e brancas poderiam evitar queimaduras, mas uma túnica preta comprida absorvia muito calor, devia ser desconfortável.
Claro, muitas mulheres não eram tão conservadoras, só usavam um pano na cabeça. Os véus eram delicados e bonitos. Havia até garotas sem nada na cabeça.
Zhang Zian sussurrou, avisando Richard para se calar na hora certa, principalmente para não brincar com as mulheres de burca. Homens não podiam ter contato físico com elas. Senão, ia dar problema.
Antes da viagem, Wei Kang havia enfatizado a importância de respeitar os costumes locais, por cortesia e segurança.
Richard falava árabe e não tinha papas na língua. Facilmente irritaria alguém com suas piadas.
Vendo a seriedade de Zhang Zian, entendeu que não tinha como negociar. Demonstrou compreensão, com ar de pena.
Não só ele observava os locais, como eles o olhavam com curiosidade.
Pele amarela e cabelo preto eram raros na região. O Egito não era destino popular para chineses, japoneses ou coreanos. A maioria dos turistas eram europeus e americanos. Era como os chineses olhando estrangeiros no começo da abertura econômica do século passado. E ele ainda tinha um gato e um cachorro.
“Que lugar sujo.”
Depois da ponte, Famous esquivou-se cuidadosamente do lixo. A quantidade só aumentava.
Fina abanou as orelhas. Não gostou da observação. Mesmo sem voltar há anos, era sua terra natal. Ninguém gosta de ouvir que sua casa é suja.
Mas os fatos eram irrefutáveis: era sujo, mais que há dois mil anos, com ar ruim, seco e cheio do cheiro forte de gasolina e escapamento.
De repente, percebeu que, sem notar, se acostumara ao clima úmido e levemente salgado da cidade litorânea, às quatro estações, às nuvens, ventos, geadas, chuvas e neve, às ruas limpas e ao cheiro de desinfetante da pet shop…
No fundo, também detestava a sujeira e a desordem, e sentia vergonha. Sabia que não devia pensar assim, afinal, era sua casa.
Praticamente deitou a cabeça no chão.
“Realmente está sujo. Prestem atenção onde pisam”, disse Zhang Zian. “Quase ninguém limpa o lixo, não chove o ano inteiro. A água da chuva não leva o lixo, que só se acumula.”
Famous ficou sem palavras por um instante. “Os egípcios são muito preguiçosos. Querem viver num lixão! Até no meu tempo de canil numa fazenda americana era mais limpo que aqui!”
“São os egípcios *modernos* que são preguiçosos, não os antigos”, corrigiu Zhang Zian. “Não esqueça que são totalmente diferentes. Seja em trabalho ou inteligência, os antigos egípcios não ficavam atrás dos chineses ou de qualquer outra nação antiga. Senão, não teriam construído pirâmides incríveis e outras maravilhas com ferramentas rudimentares, enquanto outras civilizações ainda comiam terra. O método ainda é um mistério.”
Famous assentiu. “Já ouvi falar das pirâmides. Você está certo. Falei besteira.”
Fina se emocionou.
Claro!
Por que sentir vergonha?
Era sua terra natal, mas ocupada por estrangeiros. Qual a relação dele com os estrangeiros que fizeram aquela bagunça?
Por que assumir a culpa dos erros deles?
Pelo contrário, quanto mais os estrangeiros destruíssem o lugar, mais se mostraria a grandeza da Sagrada Terra Negra!
Com esse pensamento, a vergonha desapareceu.
Olhou sorrateiramente para Zhang Zian. Às vezes, aquele servo inútil sabia falar bem.
Então, orgulhosa, ergueu o peito e a cabeça, observando tudo com olhar crítico e compassivo.
“Está mesmo muito sujo”, concordou, em rara demonstração de apoio.