Pet King

Volume 11 - Capítulo 1073

Pet King

Era quase meia-noite.

O burburinho de Binhai finalmente começava a se acalmar.

Quem precisava estudar ou trabalhar no dia seguinte tomou banho, escovou os dentes, fuçou o celular na cama, e só então, a contragosto, largou o aparelho para dormir.

Os reclusos, sentados diante dos computadores, travaram suas próprias batalhas intensas, os rostos brilhando de tanto esforço. Para eles, a noite ainda era jovem.

Quem trabalhava no período noturno bocejava, lutando contra o sono.

Mas para outro grupo de pessoas, a noite estava apenas começando.

Vrum!

Vrum!

Em um determinado prédio em uma rua próxima, os moradores já estavam a caminho do país dos sonhos, quando foram brutalmente despertados por um barulho ensurdecedor. Se reviraram na cama, frustrados, abafando os ouvidos com os travesseiros e resmungaram: “Os filhinhos de papai estão correndo de carro de novo! Esses moleques são uns sem noção!”

É, quem diria de onde esses garotos ricos tinham surgido — talvez houvesse outro grupo de pessoas por perto que foram desalojados e receberam uma fortuna como indenização, ficando ricos da noite para o dia. Eles aproveitavam a madrugada, quando a polícia de trânsito não estava presente e havia poucos carros na rua, para correr racha, pisando fundo no acelerador. Alguns até modificaram os carros, trocando os escapamentos para deixar o barulho ainda mais irritante do que já era.

Eram apenas garotos ricos no pior sentido da palavra. Seus carros esportivos eram apenas modelos básicos, de 1 a 2 milhões de dólares. Mas ainda assim, eram inacessíveis para a maioria das pessoas comuns.

Eles devem ter assistido a muitos filmes ou jogado muitos games, somados ao excesso de dinheiro sobrando. Se reuniram ali como moscas em uma estrada longa, larga e reta, competindo com seus novos esportivos, com o som da música no último volume, soltando gritos de entusiasmo ocasionalmente. Não tinham muita habilidade ao volante. Só sabiam pisar no acelerador para ganhar velocidade, sentindo a satisfação e queimando adrenalina.

Os moradores próximos estavam todos incomodados, frequentemente acordados bruscamente quando estavam prestes a pegar no sono. Talvez suportassem se fosse inverno ou primavera, quando fechavam as janelas à noite para dormir. Mas com a primavera se transformando em verão, todos mantinham as janelas abertas durante a noite para aproveitar a temperatura agradável, e o barulho era insuportável. Algumas pessoas com problemas cardíacos poderiam até sofrer sustos com o barulho repentino, seus batimentos acelerando, e os estudantes se preparando para exames tinham ainda mais dificuldades.

Os moradores haviam comunicado o problema às autoridades competentes, mas não havia sinais de melhora. Os garotos ricos sempre apareciam no meio da noite, mas não todas as noites, e seria impossível para a polícia de trânsito ficar esperando ali todos os dias até de noite. Além disso, eles sempre mandavam algumas pessoas para dirigir normalmente e observar a área antes das corridas e, se vissem a polícia, mudavam de lugar ou de data.

“Vocês sabem como isso se chama? Isso é guerrilha!”

Depois de correr várias vezes para frente e para trás, os garotos ricos juntaram todos os carros em um círculo na beira da estrada deserta. Sentados nos capôs, discutiam as corridas em voz alta, elogiando a emoção.

Um deles usava um boné de beisebol virado para o lado e uma jaqueta de couro listrada em preto e branco. Tinha uma lata de cerveja na mão esquerda e a namorada grudada na direita. Exclamou para os outros. Aparentava ter pouco mais de vinte anos, mas já se notavam os sinais da vida noturna em seu rosto.

“Recuar se eles avançarem, atrapalhar se eles descansarem, atacar se estiverem cansados, perseguir se recuarem! Se a polícia vier atrás da gente, a gente foge. As placas dos nossos carros são todas falsas, e os carros da polícia não conseguem nos alcançar. Se a polícia estiver aqui, a gente muda de lugar. Se eles estiverem cansados e recuarem, então esse será nosso território! Essa polícia burra não pode fazer nada contra a gente!”

Ele exibiu seu conhecimento para os outros garotos ricos, recebendo uma onda de admiração.

“O chefe é demais, até sabe disso!”

“O chefe não só dirige muito bem. Ele também sabe muita coisa!”

“Ha! Eu pedi para vocês, bando de moleques, não pensarem só em mulheres. Vocês deveriam estudar mais. Se estudarem mais, as mulheres vão atrás de vocês, assim como essa minha aqui. Ela adora ouvir minhas conversas!”

O garoto do boné riu alto. A mão direita beliscou a cintura da namorada, provocando um gemido insinuante enquanto ela se aconchegava em seus braços novamente.

Dizem que no mundo dos cegos, o ciclope é rei. Apesar de ser apenas formado no ensino médio, entre aquele grupo de pessoas que em média tinham abandonado a escola no fundamental, ele era surpreendentemente esperto.

Quando as risadas cessaram, alguém perguntou com uma certa malícia: “Chefe, para onde vamos agora? Dar mais umas voltas? Ou vamos para o karaokê e ver se pegamos umas gatas bêbadas?”

“Vamos dar mais umas voltas!” Outro rapaz deu uma palmada no Porsche 911 sob seu traseiro. “Eu não estava com pique no começo, e não pisei fundo no acelerador, mas dessa vez eu não vou perder!”

“Tsc! Para de mentir, viadinho!”, gritaram os outros.

“Estou com sono. Vamos arranjar um quarto”, a namorada bocejou, sussurrando para o garoto do boné.

Ele há muito tempo nutria uma paixão intensa pela namorada, insatisfeito em apenas tocá-la e apertá-la e querendo saciar seu desejo arrumando um quarto. Mas seu ego era muito inflado para aceitar que os outros garotos ricos o menosprezassem.

Enquanto ele hesitava, houve uma repentina gargalhada vinda da escuridão não muito distante.

“Quem? Quem diabos está rindo?”

O garoto achou que alguém estava rindo dele. Ele conhecia suas próprias habilidades. Podia se exibir na frente daqueles seguidores idiotas, mas não ficaria bom se alguém mais o ouvisse.

A risada era suave e desapareceu após um curto período.

Os outros garotos pararam de rir, perguntando: “O que... O que foi?”

“Não estou falando de vocês! Vocês não ouviram alguém rindo antes?”, disse o garoto do boné.

Os outros se entreolharam. Não tinham prestado atenção.

“Não, eu não ouvi nada.”

“Alguém está rindo? Chefe, você deve ter se enganado. Já está muito tarde, e não tem muita gente por aqui...”

“E você? Ouviu alguma coisa?” O garoto apertou a namorada em seus braços novamente.

Ela estava tão exausta que mal conseguia abrir os olhos e sacudiu a cabeça.

“Tsc! Você só tira uma soneca no carro. Já volto.” Ele jogou a garrafa de cerveja fora, deixando a namorada no carro esportivo. Fechou a porta e caminhou na direção da risada, o álcool funcionando como uma injeção de coragem.

“Chefe, o que você está fazendo?”, perguntaram os outros.

“Eu bebi muito, então vou fazer xixi! E ver quem ousou rir de mim!”, disse ele sem nem se virar.

“Espera! Eu vou também!”

“Chefe, você não bebeu tanto e ficou com os rins fracos, né?”

“Hahaha!”

“Cala a boca!”

Quase todos os garotos foram, alguns para urinar, outros para queimar energia extra e alguns apenas para apoiar os outros.

Embora a noite estivesse avançada, eram todos jovens, ganhando confiança em grupo. Não havia muito do que tinham medo.

Se algum deles levantasse a cabeça agora, veria um gato, ou melhor, algo parecido com um gato, sentado em um prédio de três andares próximo, brilhando intensamente como metal sob o luar.


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