
Volume 10 - Capítulo 992
Pet King
O aquário que o Soldador Zhao visitou era antigo, funcionando em Binhai há mais de dez anos. Tinha ótima reputação – boas relações com autoridades e clientes, e a produção crescia lentamente. Se não fosse o incidente da Palitoxina, a loja provavelmente não teria fechado.
Como a loja era grande e os animais aquáticos eram pequenos, mesmo vendendo tudo a preços baixíssimos, as mercadorias não se esgotariam tão rápido.
O Soldador Zhao tinha anotado o endereço e foi até lá de bicicleta elétrica.
Como diziam no grupo, mesmo tarde da noite, a loja estava movimentada como de manhã. A porta principal estava lacrada com adesivos da fiscalização conjunta e inacessível, mas a porta dos fundos estava escancarada. De vez em quando, apaixonados por peixes iam e vinham, carregando várias compras.
A loja estava fazendo liquidação às escondidas, sem alarde. Nem ousavam ligar a luz principal. Funcionários e clientes usavam lanternas ou a luz do celular, como mineiros.
Muita gente chegava de carro, levando tanques e equipamentos como se fossem de graça.
Zhao ficou ainda mais ansioso, com medo de ter chegado tarde demais, de que as melhores coisas já tivessem ido.
Ele não criava peixes de água salgada havia muito tempo e só reconhecia os animais aquáticos comuns. A loja estava escura e bagunçada. Não dava para observar os peixes direito, e sua vista cansada não permitia ler os rótulos dos tanques. Só conseguia estimar o tipo dos peixes pelo preço.
Os funcionários gritavam para desovar o estoque, com preços promocionais, sem nota fiscal, sem negociar. As mãos não paravam de receber dinheiro, sem tempo para papo.
Vendo a multidão aumentar e as mercadorias diminuir, Zhao cerrou os dentes. Com o dinheiro guardado, escolheu dez peixes desconhecidos, achou um funcionário e pagou.
Sem carro, transportar os peixes valiosos era complicado. O funcionário prometeu entrega em domicílio.
Zhao achou melhor não. Ao sair, não avisou a mulher que compraria peixes. Se entregassem em casa, não seria uma surpresa? Não queria se desfazer da compra, então passou o endereço do Eletricista Wu, para a entrega no dia seguinte.
No dia seguinte, ao receber os peixes, Wu ficou confuso. A mulher achou que eram peixes comestíveis comprados pelo filho e nora, e quase os cozinhou.
Wu apostava 80% que era Zhao. Ligou para ele e confirmou a suspeita.
Zhao contou seus problemas e o ocorrido a Wu. Na noite anterior, tentara sondar a família, insinuando a compra de um peixe. Mas todos recusaram, lembrando do incidente da Palitoxina. Não queriam mais animais aquáticos tão cedo... E evitar fofocas dos vizinhos.
Sem saída, pediu a Wu para guardar os peixes temporariamente. Depois que a poeira baixasse, resgataria os bichinhos.
Wu hesitou, mas o que fazer? Os peixes eram caros, não podiam ser jogados fora… Embora menos pão-duro que Zhao, era econômico.
Então Wu suspirou, chegando ao cerne da visita: “Gerente Zhang, não vou esconder: Zhao não é lá muito confiável. Esses dias estou preocupado. Esses peixes… não reconheço e temo que haja algum perigoso…”
Wu era daqueles que, mordido uma vez por cobra, tem medo de corda por dez anos. Tinha pavor de animais aquáticos, e medo dos peixes desconhecidos.
Continuou: “Tenho um filho pequeno, muito levado. Embora eu mande ele ficar longe do aquário, é criança. Na hora da brincadeira, ele pira… Vim para o senhor verificar se os peixes são perigosos. Se houver perigo, por mais caros que sejam, jogo fora!”
Zhang Zian finalmente entendeu. Zhao estava brincando com fogo, comprando peixes desconhecidos e os deixando na casa dos outros. Usando-os de escudo!
Wu tirou o celular, sem jeito. “Gerente Zhang, sei que o senhor é famoso em Binhai, muito ocupado… Não queria incomodar. Pensei em tirar fotos e pedir sua avaliação, mas este celular… As fotos ficam borradas… Impossível tirar uma decente…”
Ele sabia que o cachorro da loja de Zhang havia ganhado prêmio em festival internacional de cinema, e resolvido o caso da Palitoxina, aparecendo na TV. Não era mais o mesmo… Era famoso em Binhai. Teria tempo para ir até sua casa? Mesmo que Zhang recusasse, ele entenderia. Já estava preparado para um “não”.
Zhang Zian olhou as fotos. Realmente borradas, impossíveis de identificar os peixes. Mesmo com celular de alta qualidade, a lentidão do obturador e o reflexo do vidro dificultavam a foto de peixes rápidos.
Devolveu o celular, pensou e disse: “Entendo. Professor Wu, por acaso tenho tempo hoje. Posso ir até sua casa.”
“Sério? Como posso incomodá-lo tanto…” Wu estava surpreso e feliz. “Nem comprei na sua loja, e estou lhe dando tanto trabalho… Me sinto mal…”
“Não tem problema”, Zhang Zian sorriu. “Quase terminei meus afazeres. E pretendia visitar velhos amigos na sua região, posso passar em sua casa. Não é incômodo, não precisa ser tão formal. Não há motivo para se sentir mal.”
Wu se levantou, esfregando as mãos, olhando para a bicicleta elétrica na rua. “Maravilha! Então… vamos agora ou…”
Ele tinha bicicleta, mas Zhang não. Para ir junto, só de carona.
Na capital, Zhang já havia pegado carona na bicicleta da polícia auxiliar para perseguir traficantes. Situação urgente e criminosa, justificava. Agora, não era urgente, e um adulto na garupa de bicicleta é ilegal.
Zhang sempre foi um cidadão de bem, e agora, um pouco famoso, era ainda mais cuidadoso. Não faria algo tão ilegal. Nem de dia. Se a polícia o multasse, seria constrangedor.