Pet King

Volume 9 - Capítulo 886

Pet King

O Spitz Alemão que a velhinha trouxera já tinha três ou quatro meses. Mas era pequeno, magro e sem energia. Até a pelagem estava meio feia. Não era tão esperto e fofo quanto os filhotes de Spitz da loja de animais.

Era todo branco, com duas marcas marrom-claras em formato de meia-lua sob os olhos, que pareciam olheiras. Além disso, o focinho era marrom-escuro, diferente do nariz preto dos Spitz da loja.

Apesar disso, o Spitz era muito quieto. Desde que chegou à loja, não correu nem latiu ao ver tantos outros cachorros. Em vez disso, ficou quietinho aos pés da velhinha, olhando em volta e piscando os olhos. Em certo sentido, era quieto demais — tão quieto que parecia ter perdido a energia.

Ao ver o novo amiguinho, o poodle miniatura se aproximou com passinhos alegres, circulou o Spitz e até cheirou sua traseira. Latiu baixinho, com uma vozinha animada, como se o convidasse para brincar, apesar da diferença de tamanho.

Ao ouvir o latido, o Spitz inclinou a cabeça para olhar o poodle miniatura, depois para a velhinha. Não se levantou.

A maioria dos cães da loja ficava dentro das vitrines. O poodle miniatura finalmente tinha encontrado um companheiro de idade e tamanho semelhantes, então não queria desistir tão fácil. Continuou circulando o Spitz.

A velhinha disse que estava ali para perguntar sobre o Spitz, fazendo com que todos olhassem para o cachorro ao mesmo tempo.

Ainda era cedo, mas já havia dois ou três outros clientes na loja. Talvez não fossem clientes de verdade, mas estavam lá para tirar fotos com o Famoso enquanto a loja estava vazia no início da manhã.

Um dos rapazes olhou para o Spitz e perguntou imediatamente: “É vira-lata? Por que tem marrom embaixo dos olhos? Vovó, onde a senhora comprou? O vendedor mentiu para a senhora?”

Enquanto falava, olhou para os Spitz da loja de Zhang Zian. “A senhora com certeza não comprou aqui. Aqui só tem Spitz de tipo esférico. Olha, são Spitz Hadleigh!”

De vez em quando, a pet shop recebia clientes que entendiam muito de animais. Zhang Zian não ficou surpreso. Chu Manhua interrompeu curiosa: “O que são Spitz esféricos?”

“Spitz esféricos são Spitz com formato esférico. Os Spitz Hadleigh são os melhores entre eles.” O rapaz começou um longo discurso. “Ouvi dizer há muito tempo que os animais dessa loja são de alta qualidade. Concordo com isso depois da minha visita aqui hoje. A senhora precisa saber que outras lojas vendem Spitz comuns e Spitz esféricos pelo mesmo preço alto…”

Ele olhou novamente para o Spitz da velhinha e disse: “Esse Pom parece bem ‘esférico’, mas o que são aqueles círculos marrons embaixo dos olhos? Acho que é uma mistura com outra raça. Vovó, não se deixe enganar! Leve-o de volta para onde comprou! Se o criador se recusar a devolver o dinheiro, faça o seguinte: deite no chão e não se levante. Tenho certeza que ele vai devolver seu dinheiro…”

Chu Manhua e Lu Yiyun trocaram olhares ao ouvi-lo. O que o cliente disse parecia fazer sentido, mas também parecia um pouco inadequado… Não seria incentivar mau comportamento encorajar a velhinha a se aproveitar da idade?

Zhang Zian achou que o cliente havia sugerido uma ideia péssima. Mesmo que ela tivesse sido enganada por um criador sem escrúpulos, ela deveria registrar uma reclamação no Procon. Se eles não aceitassem a reclamação, ela ainda poderia arranjar outra solução. Não deveria fazer uma cena daquelas.

Wang Qian acenou com a cabeça e sorriu com aprovação.

Ninguém esperava que a velhinha sorrisse gentilmente com seu rosto enrugado. Ela acenou com a mão e disse: “Não. Não é assim. Eu não fui enganada. Sou velha, mas não perdi a cabeça. Não me enganam tão facilmente… Eu não comprei esse cachorro. Eu o encontrei.”

“O quê?”

Todos ficaram espantados, incapazes de acreditar que a velhinha era uma caçadora tão talentosa que conseguia encontrar um cachorro daqueles na idade dela.

Zhang Zian logo percebeu o que tinha acontecido. Ele perguntou: “Senhora, a senhora o encontrou durante o Ano Novo Chinês?”

“Sim! Bem durante o Ano Novo Chinês!” A velhinha sorriu.

Então, ela contou a história de como encontrou o Spitz.

Tudo aconteceu cerca de uma semana antes da véspera do Ano Novo Chinês.

Uma noite, a velhinha saiu como de costume para recolher garrafas de água de plástico para vender e ganhar algum dinheiro.

Poucas pessoas sabiam que até mesmo os catadores de garrafas tinham seus próprios territórios. Se ela chegasse muito tarde, poderia não haver mais garrafas, e ela corria o risco de brigar com outros catadores.

A velhinha catava garrafas há mais de uma década. Ela havia encontrado uma rota com muito poucos coletores concorrentes. Era um pouco afastada, e não havia lugares movimentados pelo caminho, como cinemas e parques. Era tranquilo e sem concorrentes. Ela podia levar seu tempo e recolher o máximo de garrafas que pudesse.

Ela teve sorte naquele dia — talvez porque estivesse quase no Ano Novo Chinês. Havia mais garrafas de plástico e outras garrafas de refrigerante do que o normal. Ela encheu sua sacola muito rapidamente e foi para casa, sentindo-se satisfeita.

Ao ouvir os fogos de artifício e os rojões do subúrbio distante, ela ficou feliz com a decisão do governo da cidade de proibí-los na área urbana. Há uma dúzia de anos, os fogos de artifício das crianças haviam queimado buracos em suas roupas novas durante o Ano Novo Chinês, deixando-a chateada por um mês inteiro. Após a proibição dos fogos, ficou muito mais seguro catar garrafas.

Enquanto caminhava, ela ouviu um barulho de folhas secas ao lado da estrada.

Estava escuro, e o poste de luz piscava de tempos em tempos. Ela tinha a visão ruim, então, a princípio, pensou que tinha visto um rato grande e quis afugentá-lo com sua bengala.

Mas, ao olhar com cuidado, havia uma bola de penugem branca se mexendo em um monte de neve. Não parecia um rato grande, já que os ratos eram cinza ou pretos.

Então, ela tentou cutucar a penugem branca com a bengala. Uma criatura peluda — um cachorrinho — saiu do monte de neve.

A velhinha não sabia que raça era o cachorro. Ela simplesmente sentiu que era muito fofo e estava olhando para ela com um par de grandes olhos redondos.

“Oh, está tão frio lá fora. De onde veio esse cachorrinho?”, murmurou para si mesma.

Estava congelante. O vento noroeste cortava seu rosto como uma faca. O cachorro era tão pequeno. Ele tremia de frio e se encolheu no monte de neve para se proteger do vento. Era difícil tirá-lo de lá.

“De quem é esse cachorro? Quem perdeu esse cachorro? Ele fugiu? Quem perdeu um cachorrinho branco?”, gritou ela. Como ela achava o cachorro adorável, era muito provável que fosse um cachorro perdido.

Ela estava em uma estrada isolada. Era tarde e quase época de feriado, então quase não havia pedestres na estrada. Ao olhar ao redor, ela não conseguia ver ninguém perto dela. Ninguém respondeu também.

À noite, o vento estava ficando cada vez mais frio. Se continuasse assim, o cachorro morreria congelado em pouco tempo.

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