Pet King

Volume 9 - Capítulo 801

Pet King

Sihwa abaixou-se e examinou a foto. Ela deu zoom para dentro e para fora da imagem, usando a técnica que Zhang Zian a ensinou, olhando para a esquerda e para a direita, mas não ficou satisfeita. A foto não conseguia refletir sua beleza incomparável. Seus dedos fazendo o sinal de paz pareciam estar muito afastados… parecia um pouco artificial. Fina nem estava olhando para a câmera; parecia desinteressada em tirar a foto.

“Essa foto não ficou boa… tiramos outra?”

Embora tivesse concordado em tirar apenas uma foto, ela automaticamente mudou isso em sua mente para: “Apenas uma foto que fique ótima; as ruins não contam”.

Ela estava prestes a chamar Fina para tirar outra foto, mas Fina já havia pulado para a entrada do banheiro, obviamente sem nenhum interesse em tirar outra. Fina também não respondeu, então ela só pôde desistir da ideia.

Esquece; essa foto está ok… Haverá mais chances no futuro. Tirarei quantas fotos quiser depois que o celular estiver totalmente carregado.

Com seus pensamentos a mil, ela moveu o olhar para o ícone da bateria e levou um choque imediato.

“Oh, não, isso é terrível! Tirar fotos gasta muita bateria!” Ela coçou a cabeça e exclamou com arrependimento: “Será que a bateria desse celular é falsificada? Por que está descarregando tão rápido!”

Fina ficou parada na entrada; não saiu imediatamente. Embora quisesse virar e ir embora, ela ainda perguntou friamente: “Se não tem bateria, por que você não carrega? Precisa ficar tão deprimida assim?”

A implicação subentendida era: “Por que você é tão burra?”

Sihwa reclamou. “Eu sei que posso carregar, mas aquele pão-duro não me deu o carregador. Ficou dizendo que ia dar um curto-circuito se entrasse em contato com a água. Ele acha que está mentindo para uma criança?”

Fina hesitou por um momento, então pulou de volta para a beira da banheira.

“Haha! Você também quer tirar outra foto?” Sihwa pensou que havia compreendido os pensamentos de Fina. “Mas não, podemos tirar outra amanhã. Só tem um pouquinho de bateria e eu ainda quero fazer a live hoje à noite!”

Fina bufou com desdém. “Me dá o celular, sua majestade.”

Sihwa ficou surpresa. Ela não sabia para que Fina queria o celular… Será que queria ficar com ele?

“Rápido! Não atrapalhe a hora da soneca de sua majestade!” Fina disse ferozmente.

Sihwa não queria entregar o celular para Fina porque tinha medo que Fina não o devolvesse, e o celular era seu único entretenimento. Sem o celular, ela ia enlouquecer naquele banheiro pequeno.

Mas… Fina era sua amiga — sua primeira amiga — e Sihwa foi quem tomou a iniciativa de ser amiga dela. Mas agora sua amiga tinha um pedido, então ela ia recusar?

Sihwa não tinha contato com a sociedade real, mas assistia muitas novelas. Nessas novelas, os amigos eram sempre leais — pelo menos a maioria, embora também houvesse alguns amigos ruins que faziam coisas para prejudicar o protagonista pelas costas.

Então, Fina era uma má amiga?

Sihwa não conseguia se decidir.

A única maneira de obter a resposta era arriscar e entregar o celular para Fina.

Se Fina fugisse com o celular ou o jogasse no chão com um sorriso malicioso, ela ia perder duas coisas preciosas em um único dia — seu celular e sua amiga.

Sihwa esfregou as costas do celular com os dedos. Suas palmas estavam suadas da luta mental.

“Então… tá bom, eu te empresto, mas você tem que me devolver, ok?” Sihwa relutantemente entregou o celular, mas não sabia como Fina ia recebê-lo.

Fina já estava irritada de esperar. Ela pegou o celular com a boca, virou-se e saiu correndo do banheiro.

“Ai! Meu celular!” Sihwa exclamou.

Ela sentiu que era o fim. Os dentes de Fina eram muito afiados; ela certamente ia danificar o celular, ou talvez até quebrar a tela com os dentes.

Depois que Fina saiu, não houve mais sons ou movimentos.

Sihwa olhou para a porta. Tentou chamar: “Fina?”

Não houve resposta.

Estava silencioso fora do banheiro. Sihwa só conseguia ouvir os sons do macaco lá fora digitando no teclado e virando as páginas de um livro.

“Fina, onde você foi?” ela perguntou novamente.

Ainda não houve resposta.

“Fina? Não me assusta! Volta! Esse é meu celular! O pão-duro comprou para mim e eu só estou te emprestando, não te dando! Se você também quer um celular, pode pedir para ele te comprar um!

Nossa. Como as coisas ficaram assim!”

Sua má premonição parecia ter se tornado realidade. Não importava o quanto ela chamasse, Fina não respondeu nem reapareceu. Ela realmente sentiu que havia perdido seu celular e sua amiga ao mesmo tempo.

Ela abaixou a cabeça e começou a chorar; suas lágrimas escorriam para a banheira. Sihwa nunca tinha chorado, nem mesmo no pior momento quando era importunada por Fina. Claro, as lágrimas causadas pela pimenta não contavam.

Acontece que, não importa o quão feliz alguém fique ao fazer um amigo, vai doer mais quando for traído.

Talvez por causa do choro dela, o som de digitação lá fora parou. A cadeira giratória rangeu e, momentos depois, o rosto de um macaco apareceu na entrada do banheiro.

“Zhi zhi?” Ele se encostou na parede e começou a gesticular.

Sihwa limpou os olhos vermelhos de tanto chorar. Ela balançou a cabeça e disse: “Não consigo te entender.”

Ela parecia se lembrar que o nome dele era Pi — que nome estranho — e ele sempre estava sentado na frente de um computador, digitando todos os dias. Ele nunca parecia se cansar.

“Zhi zhi.” Pi coçou a cabeça e as bochechas. Ele olhou desajeitadamente para fora antes de sair.

Um tempo depois, o som de digitação continuou.

Depois que Sihwa foi interrompida por Pi, ela parou de chorar e murmurou para si mesma: “Assim… Todo mundo pode me deixar sozinha. Eu não preciso que ninguém cuide de mim, e eu não quero amigos de qualquer jeito… Eu só preciso do oppa.”

Ela olhou para sua longa e forte cauda e nadadeira caudal larga. Se ao menos ela tivesse pernas como as de um humano, então ela seria capaz de correr e perguntar a Fina por que a traiu… Não, se ela tivesse pernas, ela nem estaria presa naquele banheiro pequeno. Ela seria capaz de corajosamente perseguir seu verdadeiro amor como a heroína da série de televisão.

Certo!

Eu não tenho pernas, mas ainda tenho minhas mãos!

Ela se virou para olhar o pequeno banheiro. Não eram nem quatro metros da banheira até a entrada do banheiro. Se é só essa curta distância, então talvez eu possa tentar rastejar para fora daqui…

Ela queria ver se Fina ainda estava lá fora. Ela ia desistir depois de dar uma olhada.

Ela agiu sem demora.

“Hei!”

Ela tentou usar seus braços delicados como apoio na borda da banheira. Ela tentou ao máximo levantar sua cauda de fora da água e empurrá-la para fora da banheira. A água de sua cauda escorria pelo chão.

Sua cauda, que normalmente era leve e flexível, de repente ficou muito pesada assim que saiu da água, e cada centímetro que se movia esgotava toda sua força.

Seus braços, que a sustentavam na borda da banheira, tremiam como galhos mortos no vento de outono. Ela cerrou os dentes e puxou sua cauda para fora da água pouco a pouco.

Tudo o que ela queria era dar uma olhada na entrada do banheiro. Ela nem considerou como ia voltar depois de olhar, ou se ainda seria possível voltar.

Já era tão difícil para ela levantar sua pesada cauda da banheira… E levantar do chão? Ela não tinha pensado nisso.

Se ela não conseguisse voltar, o que ia acontecer?

Zhang Zian já tinha saído e não voltaria antes da meia-noite. Só quando ele voltasse ela seria encontrada no chão do banheiro…

“Você realmente quer virar um peixe salgado seco?” A voz fria de Fina soou ao lado.

Sihwa olhou para cima surpresa. Ela não sabia quando Fina tinha voltado para o banheiro, mas estava sentada no armário enquanto abaixava a cabeça para colocar o celular no balcão e olhava friamente para Sihwa.

Splash!

Os braços de Sihwa enfraqueceram com o choque e ela escorregou de volta para a banheira, tanto o corpo quanto a cauda espirrando quase um terço da água da banheira.

Fina parecia ter esperado Sihwa tentar sair, então não tinha ficado na beira da banheira. Ela queria evitar o desastre.

Pu!

Sihwa emergiu da água. Ela limpou a água do rosto, sem saber se era água da torneira ou suas lágrimas.

“Fi… Fina, onde você foi? Por que demorou tanto para voltar?” Sihwa perguntou chorosa. “Eu… eu achei que você não ia mais voltar…”

“Demorou? Sua majestade só ficou fora alguns minutos. Não é tão exagerado como você disse.” Fina empurrou o celular para frente com as patas. “Seu celular — aqui.”

Com medo de que Fina voltasse atrás em suas palavras, Sihwa se lançou para frente com grande velocidade e pegou o celular. Como se fosse um tesouro precioso, Sihwa verificou o celular inúmeras vezes da frente para trás. Ela ficou surpresa ao ver que não havia marcas de dentes no celular, apenas um pouco de saliva de Fina.

O que estava acontecendo? Ela claramente viu Fina morder o celular com a boca e sair correndo…

Se Zhang Zian estivesse lá, ele certamente diria a ela que os gatos conseguem segurar seus filhotes na boca sem machucá-los, então como Fina poderia danificar um celular que era muito mais duro que um filhote?

Ela abraçou o celular bem forte contra o peito. Ela olhou para Fina e perguntou: “Você… onde você foi antes?”

“Onde eu fui?” Inicialmente, Fina não queria responder à pergunta, mas como Sihwa era burra — tão burra que estava planejando sair da banheira que dependia para sobreviver — ela disse: “Claro, eu fui procurar o carregador — já que não posso levar o carregador para o banheiro, só posso levar o celular para carregar.”

“Carregar?” Sihwa piscou os olhos. A parte de trás do celular realmente estava um pouco quente… Estava até um pouco quente.

“Claro que eu fui carregar o celular. Você não disse que o celular estava sem bateria? Eu não deveria carregar o celular já que não tem bateria?” Fina virou a cabeça. Ela achava que não dava para ajudar o QI de Sihwa.

Sihwa piscou os olhos novamente. Ela finalmente pensou em desbloquear a tela do celular para dar uma olhada.

“Ah! O que está acontecendo?” Ela gritou surpresa. A barra da bateria do celular estava fora da linha de alerta e era muito maior do que antes! Até o número que representava a energia tinha mais que dobrado!

“Sua majestade não disse que foi carregar o celular? Você não tem cérebro ou está carente de conhecimento?” Fina perguntou irritada.

“Eu sei, claro que eu sei o que é carregar! Mas… você só saiu por alguns minutos e já tem tanta bateria?” Sihwa estava tão animada que seu coração pulava do peito e ela nem conseguia falar direito.

“Hmph! Tão burra!” Fina sentiu que estava gastando muito esforço conversando com Sihwa — até mesmo se comunicar com uma formiga era mais fácil do que com ela. Fina suspeitava fortemente que todos os nutrientes do corpo de Sihwa tinham ido para o peito…

“Você não gosta de assistir televisão?” Fina perguntou com desdém. “Você nunca ouviu um anúncio na televisão — ‘Carregue por cinco minutos, sua ligação pode durar duas horas’?”

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