Pet King

Volume 8 - Capítulo 799

Pet King

Depois que Zhang Zian foi embora, Sihwa começou a brincar com o celular. Ela gostou muito e tentou tirar algumas fotos.

Finalmente entendeu por que – seja em novela ou na vida real – todo mundo fica grudado no celular, nem por um instante larga. Até os trabalhadores de escritório, de manhã, ainda olhavam para os telefones enquanto corriam para o trabalho. Nem perceberiam se pisassem em cocô, de tão divertido que era o celular!

Era difícil imaginar que com um telefone se podia fazer tantas coisas!

Mas… Ela olhou preocupada para o ícone da bateria no topo da tela. Achava que a bateria do celular estava acabando rápido demais, embora pudesse ser só impressão. Parecia que a porcentagem da bateria mudava num piscar de olhos.

“Esquisitão!”, reclamou baixinho. Se Zhang Zian tivesse dado o carregador, ela poderia brincar com o celular tranquilamente. Em vez disso, tinha que controlar o tempo e ser cuidadosa.

“Vou parar, vou parar de brincar! Se continuar, não vou poder usar mais hoje à noite!”, trancou a tela e colocou o celular cuidadosamente na prateleira ao lado da banheira. Fechou os olhos e tentou tirar a imagem do telefone da cabeça.

Sem o celular, o tempo parecia muito lento, e o banheiro, particularmente chato.

“Meia hora já passou, né? Posso brincar um pouco…”

Ela pegou o celular rapidamente e desbloqueou, mas se decepcionou ao ver que só tinham se passado dez minutos. Se continuasse assim, o celular ia descarregar antes da noite.

“Tio horrível, fedorento! Mesmo que não me dê o carregador, pelo menos carregue antes de me dar o celular!”

Sihwa estava cheia de reclamações. Ela estava louca para brincar com o celular, mas também preocupada em descarregar antes da noite.

De repente, um brilho dourado chamou sua atenção; imediatamente, ela olhou para a porta do banheiro, vigilante.

Fina apareceu ali – mostrando só a cabeça e metade do corpo –, os olhos verdes brilhando para Sihwa.

“Você… o que você quer agora? Deixe-me dizer, eu não tenho medo de você!”, Sihwa agarrou o celular com força, e debaixo da água, sua forte cauda de peixe estava tensa como uma bandoleira; ela estava pronta para se defender.

O que ela estava segurando na pata, escondido atrás da parede? Pimenta em pó? Areia de gato? Cominho? Pimenta-do-reino? Ou uma arma nova, nunca vista antes?

Ela sentiu que Fina estava ali para brigar, mas não tinha medo, já que a tinha descoberto a tempo. Nessas circunstâncias, Fina não conseguiria pegá-la de surpresa. Sihwa podia usar a vantagem do seu território para ter total vantagem. Ela podia facilmente transformar o banheiro num reino d'água.

Logo, percebeu que Fina não estava olhando para ela, mas para o celular em suas mãos.

O celular novinho em folha era muito bonito e, embora a tela estivesse bloqueada, o design do vidro duplo, na frente e atrás, era como uma joia, uma verdadeira obra de arte.

“Viu? Esse é meu celular, é muito divertido! Você não tem um, né?”, ela orgulhosamente ergueu o celular para mostrar.

Fina desviou o olhar do celular. “Hmph! É só um celular… esta rainha não se importa com isso!”

Sihwa não aguentava que Fina menosprezasse as coisas que ela amava. Ia começar uma discussão. Ela sabia que Fina não se importava – o celular era tão divertido, como alguém não poderia se importar? – porque não tinha dedos flexíveis como os humanos, então não conseguia usar o celular. Mas estava fingindo que não se importava.

Sihwa ia esticar os dedos para Fina, para mexer na frente dela e ridicularizar a gata laranja boba, arrogante e insegura!

No entanto, quando as palavras estavam na ponta da língua, ela se lembrou do que Zhang Zian havia dito antes: “Não faça aos outros o que você não quer que façam a você.” De repente, sentiu um pouco de pena e engoliu as palavras. Sabia que, assim que as palavras saíssem, Fina ia certamente retaliar, chamando-a de peixe salgado fedorento que nunca conseguiria sair da banheira na vida. Aí começaria outra batalha sangrenta.

Fina viu os lábios de Sihwa tremerem enquanto seus olhos estavam fixos em suas patas. Não parecia que ia dizer nada de bom, então Fina também fixou o olhar na nadadeira caudal azul-clara de Sihwa, planejando ridicularizá-la por não ter pernas; até pensou no apelido “peixe sem pernas”. O apelido provavelmente veio do programa de TV que o Chá da Vovó assistia. Fina ouvia ocasionalmente que havia uma pessoa com o nome Lu Youjiao, que significava Lu com pernas…

No fim, Sihwa estendeu os dedos, mas não mexeu. Em vez disso, segurou o celular e disse baixinho, fazendo beicinho: “Você… quer brincar com o celular?”

O desenvolvimento inesperado deixou Fina momentaneamente confusa. Fina não pôde deixar de olhá-la com suspeita, pensando que era uma armadilha. Ela estava usando o celular para atrair a rainha, para depois salpicá-la com água suja… O peixe salgado estúpido e fedorento já sabia armar armadilhas?

Fina não se aproximou de Sihwa descuidadamente, porque, uma vez molhada, a pelagem grudaria no corpo, sua graça habitual desapareceria, e Sihwa certamente riria dela. Fina não se moveu da entrada; sua posição atual permitia que ela atacasse ou recuasse com facilidade – estava esperando para ver o que Sihwa planejava.

Sihwa levantou o celular. Oferecer o celular era o máximo de boa vontade que ela podia oferecer. O celular era atualmente seu maior prazer, então o que aconteceria se Fina fugisse com ele? E se Fina danificasse o celular ao derrubá-lo? O pão-duro do Zhang Zian certamente não compraria um novo, e ela só poderia continuar seus dias chatos olhando para o teto.

Seu braço estava começando a doer, então ela trocou de mão.

“Você… você não quer brincar?”

Em algum lugar no fundo do coração, ela esperava que Fina rejeitasse sua oferta. Até desejava que Fina pegasse a iniciativa de ridicularizá-la e começar uma briga para que elas simplesmente lutassem.

Fina levantou as pernas e deu dois passos para dentro do banheiro. A maior parte do corpo estava exposta, mas ainda estava vigilante; estava preparada para sair do banheiro a qualquer momento.

Fina tinha total confiança em sua visão e velocidade dinâmica. De seus dias de observação, sabia que quando os músculos abdominais de Sihwa se contraíam, significava que ela ia usar a cauda de peixe para atacar. Fina nem precisava esperar a cauda de Sihwa sair da água para saber.

No entanto, o abdômen de Sihwa permaneceu relaxado o tempo todo. Não havia sinal de força sendo usada, e os braços macios e flexíveis de Sihwa não representavam ameaça alguma.

Enquanto Fina se aproximava, Sihwa acenou com o celular e disse relutantemente: “Não tem muita bateria, então só posso deixar você brincar um pouco – só um pouco, ok? Só um pouquinho! Eu mesma não consigo nem aguentar brincar!”

Fina hesitou por um momento. Se continuasse caminhando em direção a Sihwa, não teria mais confiança para evitar o ataque de água de Sihwa. A nadadeira caudal de Sihwa era muito forte e a água que ela esguichava atingia como uma bala. Se Fina recebesse o ataque de frente, poderia até ser jogada contra a parede.

Fina sempre via Zhang Zian brincando com o celular, então sabia que havia muitas coisas divertidas lá dentro. Mas também sabia que não conseguia usar o celular com as patas, então sempre fingia que não se importava.

O que Fina realmente queria saber era o que Sihwa estava planejando.

A única maneira de obter a resposta era se arriscar.

Mas ela era Fina Paris XIII, a guardiã do Reino da Eternidade. Ela nem tinha medo do poderoso César, então por que teria medo de um pequeno peixe salgado?

Então, Fina pulou para a frente num relâmpago e pousou na borda da banheira perto de Sihwa.


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