
Volume 8 - Capítulo 766
Pet King
Ao perceber que a mulher de meia-idade realmente estava prestes a chamar a polícia, a garota que tinha a barraca ficou tão assustada que mal conseguia ficar em pé.
“Me desculpe! Por favor, não chame a polícia!”, implorou ela, amargamente. “Eu ainda estou na faculdade. Se a polícia me prender, vou ser expulsa…”
Os transeuntes não estavam sendo irracionais. Eles a repreenderam com justa indignação. Ao verem o que estava acontecendo com a vendedora, porém, sentiram pena dela. Sabiam que seria sério se ela fosse presa e começaram a persuadir a mulher de meia-idade. “Senhora, olha, ela está arrependida. Perdoe-a dessa vez.”
“É verdade! Ela é muito jovem para saber de tudo. Todo mundo comete erros. Deixe-a ir dessa vez.”
“Ela aprendeu a lição e certamente não fará isso de novo.”
A vendedora pegou sua bolsa com mãos trêmulas e tirou algumas notas. “Este é o dinheiro que seu filho usou para comprar o caracol. Vou te devolver o valor total. Por favor, não chame a polícia?”
A mulher de meia-idade não pegou o dinheiro. Ela balançou o celular e insistiu em chamar a polícia.
“Dinheiro? Não estou precisando de algumas dezenas de reais! Posso comprar a vida do meu filho com algumas dezenas de reais? Se eu a deixar ir dessa vez, ela pode machucar outra pessoa na próxima! Dá pra comprar vida com dinheiro?”, gritou ela furiosamente.
Os transeuntes não sabiam mais o que fazer. Suspiraram e pararam de falar.
Na verdade, a vendedora estava vendendo criaturas perigosas e quase matou uma criança. Deixar ela aprender uma lição era justo. A mulher de meia-idade tinha o direito de chamar a polícia.
Exceto que, assim que ela chamasse a polícia, a vida da vendedora estaria arruinada.
Os outros vendedores observavam de longe, e nenhum deles planejava intervir.
A criança da mulher de meia-idade estava sem entender nada. Olhou para os adultos ao seu redor, inseguro sobre o que estava acontecendo exatamente.
A vendedora não conseguiu segurar as lágrimas. Cobriu o rosto e começou a chorar.
Snowy ficou furiosa no começo, pois achou que a vendedora era uma ambulante sem ética que estava enganando seus clientes. No entanto, depois de ouvir a história por um tempo ao lado de Zhang Zian, ela ficou em um dilema — a vendedora fez algo errado, mas a punição era pesada demais? Afinal, ela havia se desculpado com sinceridade.
As opiniões dos fãs na transmissão estavam divididas. Um grupo achava que deveriam deixá-la ir contanto que ela aprendesse com o erro. A mulher de meia-idade estava fazendo um drama desnecessário. O outro grupo achava que não era um erro insignificante. Se eles estivessem no lugar da mulher de meia-idade, como poderiam simplesmente perdoar a pessoa que quase matou seu filho?
Depois de ver que a mulher de meia-idade já havia digitado o número da polícia e estava pronta para discar, ela rapidamente se aproximou e disse: “Com licença, posso interromper? Posso perguntar o que está acontecendo aqui?”
A mulher de meia-idade viu que Snowy tinha mais ou menos a mesma idade que a vendedora. Pensou que ela poderia ser colega de classe ou amiga dela que tinha acabado de chegar para ajudá-la. Então seu rosto mudou.
No entanto, após um olhar mais atento, ela percebeu que Snowy se vestia e falava completamente diferente da vendedora. Ela não parecia estar protegendo a vendedora, apenas julgando pela maneira como falava. Além disso, o sorriso de Snowy sempre foi super amigável. A mulher suavizou o tom e disse: “O que está acontecendo? Vá perguntar a ela e veja se ela não está envergonhada demais para te contar.”
Seu tom ainda não era amigável, mas ela estava tentando se controlar.
Snowy se virou para a vendedora, entregou alguns lenços e perguntou gentilmente: “Por favor, não chore. Limpe suas lágrimas primeiro.”
A vendedora piscou os olhos lacrimejantes e olhou para Snowy e Zhang Zian. Parecia ter ouvido Zhang Zian falando sobre uma colheita na praia. Ele parecia ser um conhecedor do ramo. Além disso, a ação de Snowy para impedir a mulher de meia-idade de chamar a polícia foi tranquilizadora.
Finalmente, ela parou de soluçar e pegou o lenço para limpar as lágrimas e o nariz. Seus olhos já estavam vermelhos.
Depois de algumas respirações profundas, ela soluçou e explicou o que havia acontecido.
Bem, o sobrenome dela era Jiang. Seu nome era Jiang Feifei. Ela veio de outra cidade e estava em Binhai para estudar na universidade. Sua família era pobre, então ela trabalhava meio período dando aulas particulares quando não tinha aula.
Jiang Feifei veio do interior e nunca tinha visto o mar antes de chegar à cidade de Binhai. Desde o momento em que chegou, ela se apaixonou pelo mar. Ela costumava visitar a praia cerca de uma vez por semana quando não tinha aula ou aulas particulares para dar.
Em uma ocasião aleatória, ela passeou pelo mercado de aquários enquanto passava com os colegas de classe. Ela descobriu que algumas pessoas estavam vendendo criaturas marinhas do lado de fora do prédio do mercado, como estrelas do mar, ouriços-do-mar, caranguejos, polvos, peixinhos, etc. O negócio parecia bom.
Ela havia visto tais criaturas na praia, e uma ideia lhe ocorreu — ela não tinha nada para fazer na praia, então por que não pegar algumas criaturas e vendê-las no mercado de aquários para ganhar dinheiro extra?
A ideia cresceu desde que surgiu em sua mente. Ela tentou algumas vezes, e as criaturas que ela colheu eram bastante populares. Quanto mais raras as criaturas, mais populares elas eram.
Ela não tinha ideia sobre o mercado, e ela inventou os preços impulsivamente. As criaturas eram colhidas sem custo, e ela não precisava pagar aluguel ou contas de serviços públicos por sua barraca do lado de fora do prédio do mercado. Qualquer dinheiro que ela ganhava era lucro puro. Por que não ganhar algum dinheiro enquanto se diverte?
Às vezes ela tinha que correr para a aula, mas as criaturas ainda não tinham sido vendidas. Ela acabava vendendo-as por preços muito baixos, quase como presentes.
Ao fazer isso, ela ampliou seus horizontes e aprendeu muito sobre criaturas marinhas. Ela tinha uma ideia geral sobre quais criaturas eram populares e quais não eram.
Mesmo assim, ela ainda conseguia encontrar uma ou duas criaturas novas que nunca tinha visto antes a cada vez que visitava a praia.
A colheita e a venda de Jiang Feifei tinham ido bem e nada tinha dado errado. Ela nunca percebeu que algumas das criaturas que ela colhia poderiam ser perigosas até hoje.
Ainda eram férias de verão, e a escola ainda não tinha começado. Ela não tinha nenhuma aula particular hoje. De manhã, enquanto suas colegas de quarto ainda estavam dormindo, ela já havia arrumado sua mochila e ido para a praia. Ela colocou alguns recipientes de plástico e uma lona à prova d'água em sua mochila com antecedência.
Ela ficou na praia da manhã até o meio-dia e colheu muitas criaturas. Ela foi para sua barraca no mercado de aquários como de costume.
O negócio estava lento, mas ela não estava com pressa. Ela tirou seus livros e sentou na lona à prova d'água. Ela respondia às perguntas dos clientes quando havia alguma e lia seu livro quando não havia clientes por perto.
O tempo passou lentamente. Enquanto ela lia, um menino se aproximou de sua barraca e fixou os olhos nas criaturas marinhas nos recipientes de plástico.
Como o Ano Novo Chinês tinha acabado de terminar, as crianças ainda tinham algum dinheiro de presente em mãos. Elas eram generosas quando se tratava de gastar dinheiro, ao contrário dos adultos que contavam cada centavo. Elas eram um grupo importante de clientes.
O menino fez algumas perguntas. “Que peixe é esse? Que caranguejo é aquele?”
Ela conhecia as criaturas, mas não seus nomes oficiais. Algumas delas eram novas para ela, e ela teve que dizer a ele que também não sabia.
O menino escolheu alguns peixinhos, camarões e um belo caracol marinho. Ele a pagou generosamente, sem pechinchar.
O caracol marinho era o problema. O menino voltou para casa e encontrou um parente adulto, que ficou assustado depois de ver o caracol em sua mão. Ele disse à mãe que era um caracol-cone extremamente venenoso!