Pet King

Volume 2 - Capítulo 120

Pet King

Não muito ao norte da Pet Shop Destino Incrível, ficava o terminal de ônibus da Rua Zhong Hua.

O ônibus número 39 se aproximou lentamente do ponto e parou. As duas portas se abriram ao mesmo tempo. A multidão que esperava pelo ônibus imediatamente se aglomerou na porta da frente. Lá de trás, uma senhora desceu do ônibus com um menino pequeno.

Quando não havia mais ninguém entrando ou saindo, o motorista apertou um botão. As portas se fecharam. O ônibus saiu do ponto e seguiu para a próxima parada.

A senhora tinha cerca de trinta anos. Parecia bem mais jovem. Pela forma como estava vestida e pelo fato de estar de ônibus, dava para imaginar que vinha de uma família comum.

Seu nome era Gu Le. Ela acabava de buscar o filho na festa de aniversário de um amigo e estava a caminho de casa. A parada da Rua Zhong Hua era a mais próxima de sua residência. Daí, ainda teria que andar um bom pedaço.

O menino, Yi Le, fez um bico e caminhou relutantemente. Não parecia muito feliz. Gu Le teve que praticamente arrastá-lo.

Ele deveria estar radiante depois da festa. O que o deixara tão desanimado?

A festa foi num hotel. Todo mundo se divertiu. A comida estava ótima. O bolo de aniversário era tão gostoso que as crianças comeram tudo. Todas estavam bem alimentadas. Quando a festa estava quase acabando, o aniversariante perguntou casualmente para Yi Le: “Na semana que vem é seu aniversário. Que tal a gente fazer outra festa aqui?” Yi Le concordou na frente de todo mundo, sem pensar duas vezes. “Claro! Por que não?!”

Foi um momento constrangedor para Gu Le. Uma refeição daquelas custaria pelo menos alguns milhares de yuans naquele hotel chique. Eles não tinham muito dinheiro sobrando depois de pagar a hipoteca e estavam economizando para comprar um carro. Uma despesa extra como aquela seria um fardo. Por isso, ela disse: “Vamos convidar seus amigos para a nossa casa para a festa. Vou preparar umas comidinhas gostosas para vocês!” Todos os outros pais foram muito compreensivos, incluindo os pais do aniversariante. Todos concordaram com a ideia. No entanto, Yi Le sentiu que sua mãe o havia "queimado" na frente dos amigos, então ficou emburrado desde que saíram do hotel.

Gu Le tentou consolá-lo. Porém, quanto mais ela tentava, mais emburrado Yi Le ficava. Gu Le não levou muito a sério. O que estava em sua mente era chegar em casa, cozinhar e depois conversar com o marido sobre como acalmar a criança. Yi Le era um bom menino. Logo estaria bem.

Nesse momento, o celular dela tocou. Ela recebeu uma mensagem. Soltou a mão de Yi Le e pegou o telefone. Era a professora de Yi Le! Ela começou a ler a mensagem imediatamente.

A professora estava satisfeita com Yi Le. Disse que ele se comportava bem e participava da aula. Era amável com os colegas também. A única coisa era que às vezes ele era um pouco travesso e rabiscava o quadro-negro depois que ele tinha acabado de ser limpo.

Gu Le primeiro agradeceu à professora. Ela pensou cuidadosamente na redação da mensagem e prometeu que conversaria com Yi Le sobre o hábito de rabiscar o quadro.

Ela não percebeu que, depois de soltar a mão de Yi Le, o garoto emburrado ficou para trás.

Quando passou pela Pet Shop Destino Incrível, Yi Le olhou para dentro e viu uma gatinha preta e branca olhando para ele com seus olhos cinza-prateados. Yi Le adorava cachorros, mas não gatos. Achava que gatos eram muito "menininha". Ele era um homem de verdade, então não queria nada com gatos. Franziu as sobrancelhas e encarou a gatinha.

Ele estava a quase 15 metros atrás de Gu Le. Ela estava concentrada no celular, ocupada respondendo à mensagem da professora.

Yi Le estava chateado e desanimado. Pensou que sua mãe não o amava mais. “Será que foi porque eu quis fazer a festa no hotel? A mamãe é tão pão-dura!”, pensou ele.

Eles passaram pela Pet Shop Destino Incrível. Havia um cruzamento à frente deles. Depois desse cruzamento, se seguissem para oeste, chegariam em casa.

Yi Le teve uma ideia estranha. Queria pregar uma peça na mãe.

Então, decidiu se esconder dela. Se a mãe não o encontrasse e ficasse preocupada, significaria que ainda o amava.

Mas não havia nenhum lugar para se esconder! Do outro lado da rua, havia algumas barracas de vendedores ambulantes vendendo espetinhos. Vários clientes pararam ali para comprar. Se ele se escondesse atrás dos vendedores, sua mãe talvez não conseguisse encontrá-lo. Então, ela ficaria muito preocupada e ele poderia aparecer. Ela ficaria radiante ao vê-lo e talvez concordasse em fazer a festa no hotel.

Ele estava um pouco preocupado que sua mãe ficasse brava, mas já tinha uma desculpa: “Eu só estava brincando de esconde-esconde com você. Que menino sapeca!”

Crianças da idade dele agem imediatamente quando pensam em algo. Yi Le correu para a rua.

Em velocidade normal, o motorista não esperava que uma criança saltasse na rua de repente.

Ouviu-se um estrondo agudo dos freios de um carro…

Havia sangue…

Havia a multidão…

Chegou a ambulância…

Tristeza…

Duas famílias estariam em tragédia desde…

Zhang Zian achou que Xinghai não estava se sentindo muito bem naquele dia. Normalmente, ela concordava com outra partida, mas não naquele dia. Seus olhos brilhantes cinza-prateados o preocupavam. Ele disse a ela para não usar sua magia para coisas pequenas. Se ela usasse magia para atrair clientes, mesmo que o cliente fosse o presidente dos Estados Unidos, ele ficaria bravo com ela.

“Xinghai, o que houve?”

Enquanto ele perguntava, Yi Le fez uma careta para Xinghai, que estava passando pela loja.

Xinghai se virou para olhar para Zhang Zian.

Parecia que ela queria dizer algo. Então, olhou para o Chá do Tempo Antigo e pensou por um segundo. A luz prateada desapareceu de seus olhos.

Xinghai ainda não havia mudado o futuro.

Ela levantou uma pata, apontou para Yi Le e disse: “Zian, aquela criança vai ser atropelada por um carro.”

“O quê?!” Zhang Zian ficou chocado. Olhou na direção para onde Xinghai apontou.

Havia um menino pequeno, com sete ou oito anos. O cabelo era curto. Ele usava uma camisa com estampa de urso. Com as mãos atrás do corpo, parecia estar andando sem olhar para onde ia.

Zhang Zian olhou para a rua. Pensou que alguém faria algo estúpido, como subir na calçada, mas não viu nenhum carro estranho. Todos pareciam normais.

Ele confiava que Xinghai não brincaria com aquilo. Então, o que era?

Sem hesitar, Zhang Zian saiu correndo da loja em direção ao menino.

Yi Le ligou o modo “traquinagem”. Estava prestes a atravessar a rua quando ouviu a voz de um homem atrás dele. “Ei! Fica aí!”

Isso assustou Yi Le. Ele parou, se virou e olhou. Era um homem que ele não conhecia, então ficou bastante alerta.

Ao mesmo tempo, um carro passou voando. O motorista estava pensando em sua esposa recém-casada. Um sorriso feliz surgiu em seu rosto. Ele não sabia que acabara de escapar de uma tragédia que mudaria a vida dele e de sua esposa.

Zhang Zian não sabia o que ia acontecer. Não tinha certeza de qual carro ia atingir o menino. Olhando ao redor, ele se aproximou rapidamente do menino e parou bem na frente dele.

Yi Le ficou com medo. Chorou: “Mamãe! Mamãe! Me salva! Alguém vai me bater!”

Gu Le apertou o botão “enviar” e respirou fundo. Sabia que não podia ofender a professora. Caso contrário, a professora poderia ser má com seu filho. Na reunião de pais, ela era ainda mais cuidadosa ao falar com a professora do que ao falar com seu chefe… As palavras da professora eram a verdade e ninguém ousava refutá-las. Uma mensagem da professora era como uma ordem do rei – simplesmente não podia ser ignorada.

Ela estava fazendo o seu melhor pelo filho.

Estava quase chegando o Festival da Lua. Ela ainda não conseguia decidir o que dar para a professora. Um cartão-presente de 500 yuans no supermercado seria suficiente? Ela ouvira dizer que a professora não aceitava presentes e devolvia todos os presentes que lhe eram enviados. Gu Le não tinha certeza se a professora era realmente uma boa pessoa ou se não queria receber presentes pequenos… Seja como for! Ela finalmente decidiu que deveria ir para casa e discutir o presente com o marido.

Ao mesmo tempo, ela ouviu a voz de Yi Le. Com a mão tremendo, o celular caiu e a tela quebrou. Ela esticou a mão para o lado, mas não havia nada lá. Desde quando Yi Le tinha desaparecido? Ela se virou e o viu a cerca de 18 metros de distância, com um homem o impedindo de seguir.

Ela quase explodiu!

“Você! O que você está fazendo!”, gritou ela, correndo.

Em segundos, ela estava na frente de Yi Le e o puxou para trás.

Zhang Zian também ficou surpreso. Pensou que o menino estava brincando sozinho na rua e não esperava uma mulher!

Ele deu alguns passos para trás e colocou as mãos acima da cabeça, mostrando que não estava fazendo nada. Ao mesmo tempo, estava olhando ao redor para garantir que não houvesse mais crises inesperadas.

“Mamãe! Esse é um bandido! Ele me parou do nada e não me deixou atravessar!”, usando a mãe como escudo, Yi Le apontou para Zhang Zian e gritou.

“Eu não sou um bandido!”, Zhang Zian explicou, sem jeito.

Cheia de raiva, Gu Le não acreditou em uma palavra sequer. “Você não é um bandido? Se você não é um bandido, por que parou meu filho?”, ela elevou a voz na esperança de atrair alguns pedestres para que Zhang Zian não pudesse fazer nada para prejudicá-los.

“Seu filho ia atravessar a rua. Eu estava preocupado que ele fosse atropelado, então o parei”, Zhang Zian continuou a explicar.

Gu Le ficou furiosa, virou-se e perguntou a Yi Le: “Você queria atravessar a rua?”

Yi Le negou imediatamente: “Não! Ele está mentindo!”

Zhang Zian ficou sem palavras.

Gu Le encarou Zhang Zian. Seus olhos mudaram de confusos para hostis. Entre as histórias de um estranho e a de seu próprio filho, ela escolheu acreditar em seu filho. Isso era normal.

Alguns pedestres pararam e os observaram de longe. Estavam curiosos para saber o que estava acontecendo. Os pais da criança estavam brigando na rua? Não parecia ser o caso.

“Eu estou te avisando. Não se aproxime de nós! Vou chamar a polícia”, Gu Le se sentiu muito mais confortável quando havia mais pedestres por perto.

“Eu não quis dizer nada de mal”, parecia ser tudo o que Zhang Zian podia dizer. O que mais ele poderia dizer? Sua gata sabia que a criança ia se machucar? Ninguém acreditaria nisso!

Gu Le não escutou. Pegou a mão de Yi Le, encarou Zhang Zian e começou a recuar.

Yi Le se escondeu atrás da mãe. Ele até fez uma careta para Zhang Zian. Sentiu que era o grande vencedor! Não só chamou a atenção da mãe, como também pregou uma peça naquele homem.

Adultos são tão bobos!

Gu Le pegou o celular do chão, esfregou a tela quebrada e lançou outro olhar severo para Zhang Zian.

“Yi Le, vamos!”, ela segurou a mão de Yi Le e andou rapidamente até o cruzamento. Continuou olhando para trás para garantir que Zhang Zian não os estivesse seguindo.

Sabia que teria que contar tudo ao marido quando chegassem em casa. Eles precisavam fazer planos sérios para comprar um carro. Aquele mundo era muito perigoso!

Em pé no crepúsculo deprimente, Zhang Zian estava um pouco triste. Os pedestres o olhavam com uma expressão estranha. Quando Gu Le e Yi Le desapareceram na escuridão, ele então voltou lentamente para a loja.

“Zian, você é o melhor!”, disse Xinghai alegremente.

Zhang Zian forçou um sorriso: “Xinghai, você é a melhor! Se não fosse por você, quem sabe o que teria acontecido.”

Fina acordou. Murmurou friamente: “Cuide da sua vida!”

Zhang Zian sentou-se novamente na poltrona, observando as pessoas passarem. A loja ficou cada vez mais escura. Ele havia esquecido de acender as luzes.

“Amigo”, disse o Chá do Tempo Antigo.

Ele se animou: “O que foi, Srta. Chá? O chá esfriou? Posso ferver um pouco de água.”

“Não”, o Chá do Tempo Antigo sorriu, “Quando você saiu daquela porta, o que estava em sua mente?”

Zhang Zian pensou por um segundo: “Aquela criança poderia estar em perigo e eu queria salvá-la.”

“Isso mesmo. Você teve a benevolência desejada. Você não deveria estar triste.”

O Chá do Tempo Antigo ficou satisfeito: “Quando faço algo, desejo manter a benevolência em meu coração. Contanto que seja honesto comigo mesmo, não me importo se outras pessoas entendem.”

O coração de Zhang Zian se alegrou.

Era verdade. Seu único pensamento era salvar o menino, não se tornar um herói. Ele não queria gratidão da mãe. Tudo o que ele queria era evitar uma tragédia.

Ele já havia recebido o que desejava. Não havia nada para lamentar.

Crianças travessas deveriam receber uma lição, mas não de uma maneira tão cruel que custasse a vida.

Ele se animou quando pensou nisso.

“Xinghai, vamos lá! Vou ganhar desta vez!”, ele acendeu as luzes e pulou da poltrona.

“Mentiroso! Mentiroso!”, Xinghai estava animada.

“Ok. Me testa! É melhor você se apressar. Vou começar a contar!”, de costas para a parede, Zhang Zian começou a contar: “Um, dois, três…”

Xinghai reclamou: “Isso não é justo. Você está contando muito rápido!”

Então, ela desapareceu novamente.

Observando Zhang Zian brincando com Xinghai, os olhos do Chá do Tempo Antigo brilhavam.

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