
Volume 11 - Capítulo 1056
O Resto da Minha Vida É Para Você
Jogando os papéis no lixo, ela se aproximou do homem e o encarou.
Ele levantou a cabeça e a observou também.
Parecia achar que ela era uma pessoa discreta.
Embora não a tivesse convidado para comer, também não a tinha mandado embora.
As roupas e os cabelos de Tan Bengbeng estavam encharcados pela chuva, e seria muito fácil ela pegar um resfriado se continuasse com as roupas molhadas.
Além disso, depois daquilo tudo na noite anterior, ela não ousara tomar banho ao acordar, pois não sabia onde estava.
A sensação de grudado no corpo ficou ainda pior depois que ela foi pega na chuva.
Ela parecia um gato selvagem abandonado ao lado do lixo, naquele estado lastimável.
Mas o estado lastimável dela não se comparava à terrível sensação de fome que roía sua barriga.
Assim que se aproximou um pouco da mesa de jantar, seu estômago roncou descontroladamente de novo.
Se um cavalheiro visse uma dama com tanta fome que o estômago roncava, ele teria tomado a iniciativa e a convidado a comer.
No entanto, o homem diante dela parecia surdo, pois apenas lançou um olhar para ela e voltou a comer.
Tan Bengbeng teria pensado que ele realmente não tinha ouvido os roncos de sua barriga, não fosse o sorriso sutil que apareceu por trás de seus olhos longos e estreitos.
Ela percebeu que o homem não a convidaria para comer depois de ficar ali parada por pouco tempo.
Teria que se mostrar esperta e tomar a iniciativa se não quisesse morrer de fome…
Tan Bengbeng não era uma garota que se inibia facilmente, e seu desejo de sobreviver era muito maior do que qualquer outra coisa.
Seu único pensamento agora era voltar para a Cidade H viva e impedir que Nian Xiaomu sofresse algum acidente.
O resto não importava.
Depois de organizar seus pensamentos, Tan Bengbeng se virou e olhou para confirmar a localização da cozinha.
Entrou, pegou um par de palitos e uma tigela de arroz e saiu.
Sentou-se à mesa de jantar e começou a comer.
Vendo que ela havia se sentado, o homem, que estava no meio da refeição, parou de comer. Quando levantou a cabeça para olhá-la, seu olhar ficou ainda mais brincalhão.
Parecia que ele havia descoberto um brinquedo novo e interessante e estava ansioso para experimentá-lo…
Tan Bengbeng estava faminta.
Com a cabeça baixa, ela devorava furiosamente sua tigela e não percebia os pensamentos da pessoa sentada em frente a ela.
Ela comia rápido, mas não de forma grosseira.
Ela até mesmo demonstrava bons modos apesar da pressa.
Por exemplo, ela comia suavemente, sem emitir ruídos desagradáveis enquanto engolia a comida em grandes bocados.
Após a refeição, ela não se levantou para trocar de roupa, mesmo estando encharcada. Em vez disso, colocou os palitos e a tigela delicadamente e disse com sua voz rouca, parecendo um pato macho: "Eu posso… ajudar a lavar a louça… como forma de compensar a minha refeição."
"Hahaha!"
O homem riu novamente.
Ela não tinha certeza se ele estava rindo dela ou de outra coisa.
Tan Bengbeng apenas sentiu que o jeito como ele ria era muito melhor que o de muitos outros, mas também muito mais irritante.
Se não estivesse se sentindo mal, e se não fosse sua relutância em agredir alguém com deficiência, ela já teria pegado a faca e cortado aquele rosto arrogante!
No fim, Tan Bengbeng continuou sentada na cadeira e esperou que ele terminasse de comer. Então, ele limpou os pratos antes de ir trocar de roupa.
"Espirro!"
Como ela havia usado roupas molhadas por muito tempo, não conseguiu evitar e espirrou ao entrar no quarto.
Quando pegou as roupas no armário, as palavras que o homem havia dito antes invadiram sua mente: "Você me deu uma vontade imensa de fazer algo quando veste minhas roupas…"
Sua mão, que segurava as roupas, parou de se mover.
Depois de vasculhar o armário de cima a baixo e ter certeza de que não havia outras roupas que pudesse usar, ela desistiu e entrou no banheiro com um conjunto de roupas masculinas na mão.