
Volume 4 - Capítulo 388
Estou secretamente casada com um figurão
Qiao Mianmian era como seu calmante – ela conseguia relaxá-lo melhor do que qualquer droga. O doce aroma floral o envolvia, e ele estava completamente tranquilo. Fechou os olhos e mergulhou num sono profundo pouco depois.
Naquela noite, mesmo com Qiao Mianmian por perto, Mo Yesi teve aquele pesadelo de novo.
Em seus sonhos, ele havia voltado no tempo para o dia em que foi sequestrado.
Estava num porão imundo e úmido, com braços e pernas amarrados, um pano na boca. Seu rosto bonito estava tão sujo que mal se parecia com ele mesmo.
Era vigiado por um bandido armado e recebia apenas um pão por dia para sobreviver. Os gangsters tinham alguma coisa contra a classe abastada e encontravam prazer em torturá-lo, o deixando faminto e espancando-o.
Provavelmente o teriam espancado até a morte se não estivessem contando com um bom resgate.
No sonho, Mo Yesi era como um observador externo, olhando para a situação. Ele observava o quão quieto seu eu mais jovem era.
Esperou dias até que a família Mo chegasse com o resgate. Eles tinham chamado a polícia.
Quando os gangsters descobriram, ficaram furiosos e quiseram matá-lo na hora.
O jogaram num carro e fugiram em alta velocidade.
Quando a polícia começou a perseguição, em meio ao pânico, os gangsters jogaram o carro do penhasco.
Ele teve muita sorte.
Ele e os gangsters foram arremessados para fora do carro, e um policial o agarrou rapidamente, puxando-o para o lado.
Assim que todos pensaram que ele estava a salvo, um dos gangsters o alcançou por trás e começou a atirar, tomado pela fúria.
O policial que o ajudava a subir o penhasco o protegeu imediatamente.
Ele levou o tiro por ele.
E então, a cena ficou vermelha.
Sangue fresco jorrou do abdômen do policial, logo tingindo toda a sua roupa de vermelho. Seus olhos estavam arregalados, seu rosto jovem expressando um desejo profundo, até que parou de se mexer por completo.
Sequestrado por três dias inteiros e espancado dia e noite, Mo Yesi não tinha derramado uma única lágrima. Mas, com o policial ao seu lado, as lágrimas vieram em ondas.
Essa cena se tornara um pesadelo inesquecível.
Ele olhou para a poça de sangue e sentiu algo como uma facada no coração. A dor se espalhou para as extremidades e tomou conta de seu corpo.
Ficou difícil respirar.
Ele assistiu seu salvador morrer ali diante dele, a vida se esvaindo de seus olhos. E, no entanto, não havia nada que pudesse fazer.
Ele se afogava em culpa e desespero.
Se não fosse por ele, o policial ainda estaria vivo.
Se ele não fosse tão fraco, poderia ter se protegido.
Se ao menos…
“Mo Yesi—”
Ele estava preso em uma espiral dentro de seu sonho, como todas as vezes anteriores. Mas desta vez, ele ouviu de repente uma voz suave perto do ouvido, chamando-o com urgência e preocupação. “Mo Yesi, Mo Yesi…”
Sentiu uma mão segurando a sua, dando-lhe uma força que nunca antes conhecera.
Seu corpo frio começou a esquentar lentamente.