Ataque do Pequeno Adorável: O Mimo Infinito do Papai Presidente

Volume 5 - Capítulo 455

Ataque do Pequeno Adorável: O Mimo Infinito do Papai Presidente

Chen Qianqian sorriu, sentindo-se vitoriosa ao ver Yan Hua em frangalhos.

Ela colocou a mão na pequena barriga, antes de se aproximar e entrar no quarto de Yan Cheng.

Yan Hua era uma jovem rica no passado, mas o que seria dela no futuro? Seria lembrada apenas como filha de um traficante!

Yan Hua desabou na escada. O golpe da realidade a fez desmaiar.

Quando acordou, estava em sua cama.

Um soro estava conectado ao dorso de sua mão.

Ela encarava o teto, vazia.

Um líquido frio escorria sem parar de seus ouvidos.

Nunca imaginara que o homem que amara tanto tinha um trabalho tão importante e… tão sujo.

Nunca imaginara que o seu querido papai era um traficante.

Há muito tempo sabia que se apaixonar por Bo Yan era um desafio.

Porque ele não nutria nenhum sentimento por ela.

Ela fizera de tudo para mudar, com a única esperança de que ele a olhasse de outra maneira.

Mas, em troca, foi usada e magoada!

Era a versão real de “Tropa de Elite” [1]!¹

Na verdade, ele provavelmente já sabia da verdade sobre a prisão do pai dela quando ela recebeu a ligação na noite anterior!

Mas não dissera uma palavra.

Nunca a tratara como sua parceira.

A seus olhos, ela era provavelmente uma ferramenta descartável!

Embora indiferente a ela durante a lua de mel, ele a protegera muito bem.

Quando alguém tentava se aproveitar dela ou a maltratava no exterior, ele sempre era o primeiro a intervir.

Na época, ela achara que ele não era tão cruel e insensível.

Acreditara que, com o tempo, ele se apaixonaria por ela.

No fim, tudo não passara de paixão unilateral.

Yan Hua sorriu amargamente. Mas, quanto mais largo o sorriso, mais lágrimas rolavam.

Não era à toa que Chen Qianqian a chamava de boba, ela era mesmo boba!

Yan Hua ficou na cama o dia todo.

Uma empregada a chamou para jantar, mas ela a ignorou. Outra queria levar a comida para o quarto, mas Chen Qianqian, a dona da casa, mandou a empregada parar.

— Ela não gosta de emagrecer? Pode continuar perdendo peso sem comer. Não é como se Bo Yan fosse olhá-la de novo, não importa o quanto ela emagreça!

Apesar de odiar Yan Hua, Chen Qianqian ainda sentia inveja e estava insatisfeita com o emagrecimento dela. Tinha medo de que Bo Yan se apaixonasse pela Yan Hua magra.

Mas, mesmo que Bo Yan tivesse sentimentos por Yan Hua, provavelmente não haveria um final feliz para os dois agora que Yan Cheng tinha sido preso…

Eram quase oito da noite.

Yan Hua, que não comera nada o dia todo, ouviu o barulho de um motor de carro lá embaixo.

Yan Hua fechou os olhos cansados, sentindo-se fraca, com raiva e tristeza.

Bo Yan levou menos de um minuto para sair do carro e subir as escadas. Seus passos eram bem mais rápidos que o normal.

Bo Yan abriu a porta do quarto e viu Yan Hua sentada perto da janela. Ele desabotoou o paletó enquanto seus olhos pousavam em seu rosto. — Ouvi dizer da empregada que você não comeu nada o dia todo?

Yan Hua se virou para olhar o homem bonito ao seu lado. Seus olhos, geralmente claros e brilhantes, estavam vermelhos, e o coração de Bo Yan se apertou ao encontrá-los.

Yan Hua observou os traços bem definidos do rosto dele. Sentia-se congelada, e a única coisa que sentia claramente era a dor no coração.

Será que ela mesma tinha deixado o lobo entrar em casa?

Se não tivesse insistido que ele fosse seu guarda-costas, se não gostasse tanto dele, papai talvez já o tivesse mandado embora da família Yan!

Yan Hua fechou os olhos. Até respirar era doloroso e difícil.

— Huahua. — Os olhos de Bo Yan escureceram ao ver Yan Hua tremendo.

Yan Hua olhou para o rosto que a fascinara tanto e conseguiu dizer: — Bo Yan, você tem algo a me dizer?

As emoções nos olhos de Bo Yan mudavam constantemente. Ele moveu os lábios, a voz baixa e rouca: — A Chen Qianqian te contou tudo?

Antes de ele voltar, Yan Hua ainda nutria a esperança de que o que Chen Qianqian dissera não fosse verdade.

Que Chen Qianqian apenas inventara uma mentira para criar discórdia entre os dois. Ela ainda queria acreditar que ele não a usara e mentira para ela, que ele realmente saíra para tentar ajudar seu pai.

Como ela era ingênua.

Qualquer ilusão que ela tinha dele se desfez em pedaços.

Yan Hua cambaleou dois passos para trás, e Bo Yan agarrou seus ombros instintivamente para estabilizá-la. Mas, assim que a tocou, recebeu um tapa forte na bochecha esquerda.

— Não me toque! — Yan Hua gritou, os cílios molhados tremendo sem parar. — Bo Yan, como você ousa aparecer na minha frente depois do que fez?

Sua visão embaçou, e ela não conseguia mais vê-lo claramente. Mas o rosto dele estava excepcionalmente nítido em sua mente, e ela poderia desenhar todo o rosto, das sobrancelhas aos lábios, perfeitamente.

— Você se casou comigo para incriminar meu pai, não é?

Bo Yan a encarou, os olhos impenetráveis. — Na verdade, nós não chegamos a… transar naquela noite em que você ficou bêbada.

Ela era inocente, nunca tinha experimentado nada com o sexo oposto. Achava que tinham tido relações sexuais, uma vez que um casal bêbado estava na cama juntos, com várias marcas vermelhas em seu pescoço.

Mas não era verdade.

Ele não a tinha tocado.

Os olhos marejados de Yan Hua se arregalaram ainda mais. Ela riu de si mesma: — Ah, entendi, entendi!

Sua visão estava completamente embaçada, enquanto sua voz tremia terrivelmente: — Você acha que pode me machucar impunemente porque não me tocou?

— Huahua — A expressão de Bo Yan escureceu. Ele deu um passo à frente para agarrar os ombros de Yan Hua com força, antes de suspirar levemente: — Seu pai foi um bom homem para você, mas é um criminoso para muitas pessoas. Não vou me justificar, e só posso pedir desculpas por tudo o que aconteceu.

Desculpas?

Ele a usou, mentiu para ela, a machucou e a fez perder o pai, e tudo o que ela recebeu foi um “desculpe”?

De uma perspectiva razoável, o pai dela era um criminoso, mas para ela, ele era sua única família!

— Você também mandou a Chen Qianqian se aproximar do meu pai, não é? O filho dela é do meu pai ou seu, hein?

— Yan Hua. — O homem apertou seus ombros. — Nunca toquei em outra mulher antes.

Yan Hua piscou forte para enxugar as lágrimas e recuperar a visão. Ela riu levemente. — Você nunca tocou em outra mulher, mas consegue fazer todas as mulheres fazerem qualquer coisa por você. Você é… realmente incrível…

Bo Yan nunca tinha visto Yan Hua daquele jeito. Embora estivesse sorrindo, esse sorriso não chegava aos olhos.

Ao olhar para ele, seu olhar não estava mais cheio de adoração, nem tinha a timidez ou a doçura de antes. Só havia desespero, ódio e frieza avassaladores.

A maneira como ela o olhava era como se o conhecesse há muito tempo, mas como se nunca se conhecessem.

— Bo Yan, você nunca gostou de mim, certo? Nem um pouco, certo? — Yan Hua se ouviu perguntar baixinho, sua voz distante, como se viesse de um país longínquo.


[1] - Tropa de Elite: Filme brasileiro que retrata a realidade da violência policial e do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. A referência serve para ilustrar a situação de Yan Hua, que se sente traída e usada, como se estivesse em meio a uma operação policial complexa e perigosa.

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