Naquela época eu adorava você

Volume 11 - Capítulo 1024

Naquela época eu adorava você

“Ele chamava seu nome toda vez que entrava em coma… Nuannuan… Nuannuan… Sem parar…”

Mais lágrimas escorreram dos olhos de Xu Wennuan. Guoguo fez uma pausa e pegou um lenço para lhe entregar. “Você está bem?”

“Estou bem. Por favor, continue”, respondeu Xu Wennuan, fungando. A dor era tanta que a deixava sem palavras, a voz trêmula e embargada.

“O irmão Bancheng sempre foi muito sociável, gostava de sair, cantar… Encontrava os amigos em restaurantes e bares. Mas, depois da paralisia, quase não saía, a não ser que fosse algo muito importante.”

“Ele acordava às 3h da manhã todos os dias e ficava olhando fixamente para o celular, mas nunca o tocava.”

“No começo, achei estranho, me perguntei no que ele estava pensando. Só depois entendi que ele mantinha contato com você no jogo, que ele estava sempre te procurando lá. Mas tinha medo de não conseguir controlar os sentimentos, de você descobrir e se sentir culpada. Por isso se afastou de todos. Por isso se esforçava tanto para se reprimir.”

“Ah, certo. Espere um pouco…” Guoguo levantou-se de repente e correu para o escritório, como se tivesse se lembrado de algo.

Três minutos depois, voltou com uma pilha grossa de papéis, que entregou a Xu Wennuan antes de retornar ao sofá. Depois de falar tanto, levantou o copo d'água e tomou metade antes de continuar.

“Como você pode ver, esses papéis estão cheios de piadas escritas à mão por ele. Todas para você…”

Xu Wennuan esperava ansiosamente pelas piadas dele todos os dias, e quando ele parou de mandá-las, ficou desorientada.

Ela achou que ele não sentia mais aquela química que, sem querer, mas genuinamente, havia surgido entre eles, mas não era o caso. Ele sempre pensou nela, apenas usou outro meio, que ela desconhecia, para matar a saudade.

Xu Wennuan chorou a noite toda, e agora as lágrimas transbordavam, escorriam e caíam no papel como pérolas frágeis.

“Você se lembra da vez em que nos encontramos na confeitaria, há pouco tempo?”

“Fiquei chocada ao te ver, reconheci você na hora como minha cunhada.”

“Eu te reconheci porque vi o irmão Bancheng olhando a sua foto no celular por horas a fio. Às vezes, via seus dedos acariciando a tela, o olhar sereno.”

“Olha só como estou falando sem parar! Tem outras coisas que quero te dar…” Guoguo levantou-se de novo, mas desta vez foi para o quarto, em vez do escritório. Quando voltou, trazia alguns embrulhos nos braços.

“São os presentes que o irmão Bancheng comprou para você. Esses são do Dia dos Namorados… Esses do Ano Novo Chinês… Obviamente, ele não os mandou…”

“E…”, enquanto Guoguo falava, examinou a sala e, vendo um papel na varanda, abaixou-se, pegou-o e entregou a Xu Wennuan. “Isso foi o que ele escreveu ontem à tarde.”

“Nuannuan” estava escrito em tamanhos grande, médio e pequeno, por toda a folha, na frente e atrás. Às vezes com letra cuidadosa, outras vezes rabiscada. Xu Wennuan mordeu o lábio e começou a soluçar.

“Na verdade, eu sempre quis te procurar e te contar tudo, mas o irmão Bancheng não deixava. Perguntei várias vezes por que ele era tão bobo. Ele disse que, quando decidiu se afastar do seu mundo, há muito tempo, os sentimentos por você se tornaram coisa dele, uma coisa particular.”


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