
Volume 7 - Capítulo 658
Naquela época eu adorava você
— Mm… — Qin Zhi’ai sorriu levemente. — Meu voo é ao meio-dia.
— Ah. — Não estava claro no que Gu Yusheng estava pensando, parecia distraído e um pouco aéreo. Depois de uns 10 segundos, ele olhou para Qin Zhi’ai com entusiasmo e perguntou: — Você já terminou de fazer a mala?
— Já terminei de arrumar…
Sem abrir a boca, Gu Yusheng soltou um “mm” quase inaudível. Tirou um cigarro do bolso, acendeu e deu duas tragadas profundas. Através da fumaça, ele olhou para a rua movimentada à sua frente, e mergulhou em um devaneio novamente.
Outro longo silêncio pairou entre eles, com apenas algumas palavras trocadas. Com a separação iminente, o clima pesou.
As palavras que Lu Bancheng havia dito mais cedo, durante o almoço, voltaram à mente de Qin Zhi’ai. Em seguida, ela se lembrou de como o Velho Mestre Gu inconsciente havia agarrado a mão de Gu Yusheng naquela noite e as palavras que ele murmurou enquanto estava deitado na cama do hospital. Seus olhos começaram a arder e ela abaixou a cabeça.
Quando estava prestes a se despedir, Gu Yusheng, que ainda olhava para a rua com uma expressão vazia, chamou-a bruscamente:
— Qin Zhi’ai.
As palavras que Qin Zhi’ai queria dizer saíram como um:
— Mm?
— Será que… — ele começou e parou.
Será que você não poderia ir embora?
Sei que você já recomeçou a sua vida, e não quero te causar nenhum incômodo.
Além disso, o vovô ainda não acordou e tenho um monte de problemas para resolver em casa.
O que eu posso fazer para você ficar comigo?
Mas mesmo que você ficasse, ainda teria que lidar com meu avô.
Agora que você está bem, se eu realmente te amasse, não teria coragem de te empurrar para essa situação.
Eu não sou mais o jovem do passado, nem o menino que conheceu a pequena travessa quando não sabia amar ninguém.
Quando se ama alguém, uma parte do coração é egoísta e deseja possuir…
Mas quando estamos apaixonados de verdade, a pessoa amada sempre será nossa prioridade em cada passo que damos e em cada decisão que tomamos. Vamos considerar se nossa escolha afeta a pessoa e se estamos sendo suficientemente bons com ela… Coisas assim… Só queremos o melhor para o outro.
Gu Yusheng sorriu de forma irônica e deu uma tragada profunda em seu cigarro. A fumaça pareceu prendê-lo na garganta, sufocando-o e fazendo seus olhos e nariz arderem. Ele prendeu a respiração até o desconforto passar, e então finalmente abriu a boca novamente. As palavras “Será que você não poderia ir embora?” que ele havia repetido inúmeras vezes em seu coração saíram como:
— Posso te convidar para um café na cafeteria do outro lado da rua?
…
A cafeteria era decorada de forma simples, com apenas cinco mesas. Felizmente, era tarde o suficiente para que apenas alguns clientes ainda estivessem lá.
Escolhendo a mesa mais distante do balcão, Gu Yusheng e Qin Zhi’ai se sentaram. Cada um pediu uma bebida e, enquanto o garçom os servia, uma nova música começou a tocar ao fundo.
— Sirvam-se, — disse o garçom, abraçando sua bandeja e fazendo uma reverência educada após servir as bebidas.
— Obrigada, — respondeu Qin Zhi’ai.
Quando o garçom estava prestes a sair, a letra da música dizia: “Em outro universo, com outra identidade e origem, espero que eu ainda possa reconhecer seus olhos.”
Os dedos de Gu Yusheng tremeram e cinzas caíram da ponta do seu cigarro. Virando a cabeça para o garçom, ele perguntou:
— Qual o nome dessa música?
— Mito das Estrelas e da Lua, — respondeu o garçom antes de sair.