
Volume 6 - Capítulo 576
Naquela época eu adorava você
Qin Zhi’ai se virou reflexivamente. O homem que sussurrara em seu ouvido já havia sumido. Tudo o que ela via era o fluxo de passageiros carregando suas malas e bagagens da calçada, passando pelo raio-X e seguindo para a plataforma.
Qin Zhi’ai ficou parada por tanto tempo que estava atrapalhando a fila do raio-X. Um funcionário da estação teve que se aproximar e pedir que ela se apressasse, pois estava incomodando os passageiros atrás dela.
Ela recompôs a postura, pegou seu documento de identidade e entrou na estação.
Depois de entrar no trem, Qin Zhi’ai sentiu-se inquieta, então ligou para a mãe para ter certeza de que estava bem.
Após uma viagem tranquila, o trem chegou em Pequim às 20h.
Qin Zhi’ai, que ficou ansiosa a viagem toda, acabou pegando o metrô errado para casa. Quando percebeu o erro, já estava na altura da Quinta Rodovia do Anel Leste.
A viagem de metrô até seu apartamento havia levado duas horas, enquanto normalmente demoraria apenas 30 minutos.
Da primeira vez, poderia ter sido uma brincadeira, mas duas vezes já não é brincadeira de criança.
Naquela noite, ela não conseguiu dormir direito. Quando sonhou que sua mãe estava caída em uma rua ensanguentada, acordou sobressaltada, ligou a luz e se sentou na cama. A respiração estava ofegante e irregular por um bom tempo antes de voltar ao normal.
Passou o resto da noite olhando fixamente para o escuro. Ao amanhecer, ligou para a mãe novamente.
Durante o dia de trabalho, Qin Zhi’ai não foi muito produtiva. Xiaowang não havia lhe dado muito trabalho, mas ela tinha dificuldades para se concentrar. Quando finalmente terminou tudo, o céu lá fora já estava escuro.
Depois do trabalho, Qin Zhi’ai ligou para sua mãe enquanto caminhava para o metrô. Era a quinta ligação do dia, fazendo sua mãe finalmente perguntar o que estava acontecendo.
Não posso contar sobre as ameaças que recebi…
Ela rapidamente disse "nada" e explicou que estava apenas insegura desde o acidente.
Sua mãe riu e a confortou várias vezes ao telefone. Parece ter funcionado, porque depois de desligar, Qin Zhi’ai se sentiu muito melhor.
Mas assim que guardou o celular na bolsa, um homem passou e a roubou. Ele foi tão rápido que ela nem sequer o viu direito.
Ela correu para a delegacia mais próxima e registrou o roubo, deixando o número de telefone do seu apartamento.
Alguns minutos depois de chegar em casa, ela recebeu uma ligação da polícia dizendo que sua bolsa havia sido encontrada em um lata de lixo por um gari perto do metrô.
Qin Zhi’ai voltou para a delegacia, forneceu seus dados e recebeu sua bolsa. Depois de revistar tudo cuidadosamente, constatou que nada faltava e voltou para casa.
Qin Zhi’ai conseguiu manter a calma sobre o roubo da bolsa.
Era um crime aleatório que poderia acontecer com qualquer um, especialmente no fim do ano em uma cidade tão grande…
Naquela noite, porém, depois de tomar banho, ela estava deitada na cama mexendo no celular quando, de repente, descobriu uma mensagem: "Saia da Hui Shi. Não me faça avisar uma quarta vez. E não se esqueça de sua mãe e seu irmão".
A mensagem era muito mais sinistra do que os dois avisos verbais que ela havia recebido.
As mãos de Qin Zhi’ai tremeram, e o celular caiu, batendo em seu ombro. Ela franziu a testa levemente e depois se sentou com a colcha nos braços.
O sequestro na festa anual não foi um acidente, nem o acidente da minha mãe. Esses dois eventos não são o fim… mas o começo…