Naquela época eu adorava você

Volume 5 - Capítulo 492

Naquela época eu adorava você

— Hum. — Gu Yusheng não era exatamente fã de séries de TV coreanas, mas respondeu com sinceridade ao comentário dela.

A conversa descontraída entre os dois aliviou a tensão no ar. Qin Zhi’ai ficou menos nervosa, seu corpo relaxou um pouco. Continuou a conversar com Gu Yusheng de forma confortável e natural. Sem perceber, deixou escapar um pensamento em voz alta: — Mestre Gu, por que o senhor não voltou para o seu quarto?

Qin Zhi’ai só se deu conta do que perguntara depois de ouvir a própria voz. Embora Gu Yusheng não soubesse o que se passava em sua mente, ela inevitavelmente sentiu um frio na barriga. E se ele me mandar cuidar da minha vida?

— Se eu pudesse voltar atrás, eu não… — Talvez por ter conversado tão à vontade com ela, Gu Yusheng não achou nada demais na pergunta. Não estava tão desconfiado, então, ao continuar a resposta, foi mais franco do que costumava ser.

Gu Yusheng interrompeu-se bruscamente, pegou o copo d'água agora frio, deu um gole e olhou nos olhos dela.

Seus olhos escuros e límpidos pareciam reunir toda a luz ao redor, tornando-os tão brilhantes e deslumbrantes que seu rosto se refletia nitidamente em sua beleza.

Talvez por estar muito cansado à noite e sua consciência meio à deriva, ou talvez porque os olhos dela se pareciam com os da pequena encrenqueira, ele ficou totalmente absorto neles. Olhou fixamente para ela e, finalmente, disse: — Pequena encrenqueira…

Ele não diria?

Ainda esperando o restante de suas palavras, os olhos de Qin Zhi’ai estavam cheios de dúvidas. Ela nunca esperou, no entanto, que ao abrir a boca novamente ele dissesse “pequena encrenqueira”.

Como se algo a tivesse atingido com força, seu coração e sua respiração pararam instantaneamente.

Pequena encrenqueira… Quando eu era a substituta de Liang Doukou, ele sempre me chamava assim… Agora, o que ele quis dizer ao dizer essas palavras de repente?

Qin Zhi’ai, que há pouco havia chorado em silêncio duas vezes, sentia os olhos marejados novamente. A ponta dos dedos, agarrados à grade da sacada, tremiam violentamente. Seus lábios também começaram a tremer.

Uma rajada de vento atingiu seu rosto. Sentiu um frio doloroso.

Qin Zhi’ai voltou subitamente aos sentidos e parou de olhar para Gu Yusheng. Então, olhou para baixo e repetidamente se assegurou de que estava calma. Sorriu levemente e falou baixinho para Gu Yusheng com um certo espanto: — Mestre Gu, o que o senhor acabou de dizer?

Sua voz era bem diferente de “minha pequena encrenqueira”… Gu Yusheng voltou subitamente de um transe.

Ele virou a cabeça levemente e fixou os olhos nela por um tempo. Então, silenciou, olhando para o lado e dizendo: — Está um pouco frio, e já está tarde. Volte para o seu quarto e descanse.

Com isso, ele entregou a Qin Zhi’ai o copo que estava em sua mão.

Qin Zhi’ai pegou e disse em tom normal: — Até mais, Mestre Gu. Boa noite.

— Hum. — Gu Yusheng não olhou para ela, mas fixou o olhar no céu, pensativo. Quando ela estava quase na porta, ele acrescentou: — Boa noite.

Qin Zhi’ai fez uma pausa de alguns segundos e entrou no quarto sem se virar ou dizer uma palavra.

Ao alcançar a maçaneta para fechar a porta, ela levantou a cabeça e olhou para Gu Yusheng, que estava de pé perto da janela na varanda.

Ela não sabia se era imaginação, mas sempre sentiu que, naquele momento, o coração de Gu Yusheng estava cheio de solidão e tristeza.


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