
Volume 4 - Capítulo 363
Naquela época eu adorava você
Ela aos poucos entrou no clima. O corpo, enrijecido pela dor, começou a relaxar.
Ele a penetrou lentamente. O olhar dele era frio, mas aquela frieza foi se dissipando à medida que ela se entregava.
A temperatura do quarto subiu enquanto eles continuavam. A respiração deles ficou mais ofegante.
No auge do prazer, ela levou as mãos ao pescoço dele. Ele resmungou, achando o sofá pequeno demais, que teria sido melhor em outro lugar. Sem se separar dela, ele a carregou no colo até a cama, segurando-a pela cintura.
Ela ainda não havia tirado todas as roupas. O tecido a impedia de sentir sua pele, então ele fez amor com ela enquanto desabotoava suas peças. A excitação o dominou de tal forma que seus dedos pareciam desobedecer. Tentou algumas vezes, mas não conseguia abrir o zíper. Usou a força, rasgando o tecido, jogando os pedaços no chão e se deitando sobre ela para sentir a pele macia.
…
Qin Zhi’ai se aconchegou nos braços de Gu Yusheng, ofegante, após o sexo. Parecia um gatinho, toda aconchegada, sem vontade de se mexer.
Dizem que sexo apaga brigas. Ela tinha ficado chateada ao vê-lo chegar em casa com aquele ar frio. A intimidade do momento amenizou um pouco a irritação.
Esperou recuperar um pouco das forças e então o olhou.
Gu Yusheng fitava o teto, pensativo. Nenhuma emoção em seu rosto, apenas a mandíbula tensa. Ele não parecia feliz.
Qin Zhi’ai mordeu os lábios e perguntou, baixinho: “O que foi hoje?”
O corpo de Gu Yusheng enrijeceu. Ele sacudiu a cabeça: “Nada.”
Até um cego veria que algo o incomodava, pensou Qin Zhi’ai. Insistiu: “O que você quis dizer com isso?”
Gu Yusheng não respondeu. A mandíbula ficou ainda mais cerrada.
Preocupada, ela tentou novamente, depois de um tempo: “Algo te deixou chateado? Ou fui eu…”
Qin Zhi’ai queria perguntar: “Fui eu que te deixou chateado?”, mas Gu Yusheng a interrompeu, antes mesmo que terminasse a frase: “Estou um pouco cansado. Vamos dormir.”
Qin Zhi’ai abriu a boca para falar, mas Gu Yusheng afastou o braço de seus ombros e virou-se de costas para ela.
O suor do sexo repentinamente lhe pareceu frio na pele. Embaixo dos lençóis, ela tremia de frio.
Observando as costas dele, Qin Zhi’ai começou a se sentir triste. Era como se uma pedra enorme lhe esmagasse o peito, a sufocando.
Ainda queria perguntar o que havia acontecido, mas as palavras se recusavam a sair ao ver as costas dele, frias e distantes.
Na verdade, não seria apropriado perguntar.
Não era da conta dela o tipo de relacionamento que Liang Doukou e ele tinham. E mesmo que ela perguntasse como Qin Zhi’ai, nada mudaria. Ele a deixaria de qualquer maneira. Ninguém poderia alterar essa situação.
Triste, Qin Zhi’ai mordeu os lábios e se afastou um pouco, deslizando para a sua própria metade da cama. Virou-se de costas para ele, imitando sua postura.
Um silêncio pesado pairava no quarto. Roupas jogadas pelo chão, o cheiro intenso do sexo ainda no ar…
No entanto, uma distância intransponível separava aqueles dois que há pouco estavam unidos. Na mesma cama, pareciam habitar mundos diferentes.