
Volume 3 - Capítulo 263
Naquela época eu adorava você
Mais tarde, ele ficou ainda mais bêbado. Estava tão bêbado quanto da vez que atirou com uma arma pela primeira vez em anos, por causa de Qin Zhi’ai.
Ela soube, pelas palavras dele, que o dia em que seus pais faleceram foi o mesmo dia em que ele recebeu alta do Exército.
19 de agosto foi o dia em que ele perdeu os pais e seu sonho.
Ela não conseguia esquecer a cena em que vira o pai dele o batendo.
Ela também não se esqueceria da expressão teimosa no rosto dele quando apanhou muito do pai.
Ela nunca esqueceria a expressão determinada em seu rosto enquanto ele deitava na grama, contando sobre seus sonhos para ela.
Mesmo que o pai não tivesse sido um bom pai, ele ainda o amava.
Mesmo que seu sonho parecesse tão distante, ele ainda decidira ir atrás dele.
No entanto, ele não tinha feito nada naquela noite. Como ela não poderia se sentir mal por ele?
Ela havia pensado muito sobre o que dizer a ele. Queria confortá-lo, mas sentia a garganta travada. No fim, apenas o abraçou.
Ele não a afastou. Ela o abraçou silenciosamente enquanto ele dormia.
Na verdade, ela pretendia ir embora depois que ele acordasse, se Qin Jiayan não a tivesse chamado. Naquela época, seu pai ainda não havia morrido. Ele havia pegado dinheiro emprestado, e os credores foram até a casa para forçá-los a devolver o dinheiro. Eles até empurraram a cabeça da mãe dela contra a parede, fazendo-a sangrar.
Ela saiu às pressas depois de ver que ele estava bem.
Depois que ela foi embora, eles não se viram novamente até que ela foi a uma festa com sua professora.
Desde aquela noite, ele não se lembrava quem ela era.
Ela não tinha certeza se ele ainda se lembrava de que ela estivera lá por ele em seu dia mais difícil, quatro anos antes. Talvez ele se lembrasse, mas estava muito escuro naquela noite, e ele não havia realmente conversado com ela. Ele poderia não saber quem ela era.
Qin Zhi’ai pensou que Gu Yusheng poderia não estar em Pequim, já que Lu Bancheng tentou encontrá-lo por tanto tempo, mas ainda não conseguiu. Ele poderia estar no cemitério dos pais.
Qin Zhi’ai se virou para verificar a chuva do lado de fora da janela. Ela havia ficado muito mais forte, mas ela guardou o celular sem hesitação. Foi até o armário para pegar roupas e um guarda-chuva, antes de descer às pressas. Lembrou-se de que ele estava com febre antes de sair de casa, então foi procurar uma caixa de primeiros socorros. Pegou alguns remédios e uma garrafa de água antes de ir para a garagem, ligar o carro e dirigir até o cemitério.
Quando Qin Zhi’ai chegou ao cemitério, a chuva havia parado.
Estava úmido. O ar úmido soprava em todas as direções no cemitério.
Ela estacionou o carro na entrada do cemitério e entrou com os remédios e a água. Ela viu o carro de Gu Yusheng.
Era exatamente como ela pensou — ele estava lá.
O túmulo dos pais de Gu Yusheng ficava no meio da montanha. Acabava de chover, então as estradas estavam escorregadias. Qin Zhi’ai levou cerca de meia hora para chegar lá.
O cemitério havia sido reformado, então havia mais luzes à noite do que quatro anos antes.
A luz estava fraca, mas Qin Zhi’ai viu Gu Yusheng sentado no chão molhado, com as costas encostadas na lápide imediatamente.
Havia cigarros apagados e pacotes de cigarros vazios perto de seus pés.
Ele franziu a testa, com força. Não tinha certeza se estava apenas se sentindo mal ou ainda bêbado. Seu rosto estava pálido.
Qin Zhi’ai apenas parou por um segundo antes de caminhar em direção a ele.
Parecia que ele não conseguia sentir ninguém se aproximando, pois manteve a mesma posição com os olhos fechados.
Qin Zhi’ai se abaixou e estendeu a mão para sentir a testa dele. Estava quente. Ela queria acordá-lo para pedir que ele tomasse um remédio e fosse ao hospital quando ele, de repente, agarrou seu pulso e abriu os olhos.