Naquela época eu adorava você

Volume 2 - Capítulo 181

Naquela época eu adorava você

O sangue de Qin Zhi’ai pareceu gelar e seu coração parou na mesma hora.

Ela não reagiu. Seu cérebro ainda não havia processado o estrondo. Só entendeu o que era aquele barulho ensurdecedor antes mesmo que Gu Yusheng a empurrasse com força. Cambaleava para trás alguns passos, olhando para cima, para ele, antes de conseguir se firmar.

Havia um corte profundo em sua omoplata. O sangue escorria, tingindo metade da camisa de vermelho num tempo assustadoramente curto.

Um dos caras de terno preto que estava caído no chão havia pegado uma faca de algum lugar e se atirou em Gu Yusheng, sem hesitar.

Aquela cena sangrenta e violenta parecia coisa de filme de ação. Qin Zhi’ai, em choque e apavorada, a assistia na vida real.

Os olhos do sujeito de terno preto brilhavam de fúria. Ele desferiu a faca com violência e rapidez.

Gu Yusheng reagiu rápido. Conseguiu desviar dos golpes, mas parecia perigoso, a um passo de se machucar.

O coração de Qin Zhi’ai batia tão forte que ela sentia como se fosse saltar pela garganta. Assistir à luta a deixava com as pernas bambas e a respiração ofegante. Ela olhou em volta, recuou dois passos e se encostou na parede. Nem assim conseguia se sustentar direito.

Gu Yusheng era ágil. Mesmo ferido, parecia não sentir dor. Movia-se rápido e com precisão. Depois de um minuto de luta, ele levantou o pé subitamente. Com tanta velocidade que Qin Zhi’ai não viu onde ele ia chutar. Um estrondo ecoou pela sala. A faca caiu da mão do sujeito de terno preto. Gu Yusheng o atingiu com o cabo da faca. O cara caiu no chão e parou de se mexer.

Parecia com medo de que alguém pegasse a faca e o ferisse de novo. Ele levantou o pé e chutou a faca para longe de outro sujeito de terno preto que estava perto. A faca foi parar na porta do banheiro. Gu Yusheng se abaixou, pegou o blazer que havia jogado no chão quando começou a luta, virou-se e foi até Qin Zhi’ai.

Tão chocada estava Qin Zhi’ai que nem percebeu que Gu Yusheng já estava à sua frente. Ela permaneceu ali, em estado de choque.

Gu Yusheng acenou a mão diante do rosto dela, mas não obteve reação. Pegou-a pelo pulso, abriu a porta e a arrastou para fora.

Qin Zhi’ai só se recuperou do choque ao chegarem ao carro. Inconscientemente, virou-se para olhar Gu Yusheng. Ele parecia tão calmo que parecia não ter se machucado. Girou o volante para dar ré.

“Seu...” Qin Zhi’ai notou que a voz tremia ao tentar falar. Respirou fundo, tentando se recompor, antes de continuar: “Ferimento?”

Gu Yusheng inclinou levemente a cabeça para olhá-la. Não respondeu. Pisou no acelerador e entrou na rua principal em direção à casa. Depois de uns dez minutos, passaram por um hospital. Qin Zhi’ai gritou: “Hospital!”

Gu Yusheng não pisou no freio, nem demonstrou intenção de diminuir a velocidade. Num piscar de olhos, o hospital desapareceu no retrovisor.

Enquanto esperavam no sinal, Gu Yusheng procurou um cigarro no bolso da calça. Colocou-o entre os dentes enquanto procurava um isqueiro no bolso, apalpando, mas sem encontrá-lo. De repente, lembrou-se de que o havia deixado na Casa de Chá Tingyin. Abriu o porta-luvas e procurou um novo. O sinal abriu; ele teve que olhar para a rua. Uma mão no volante, a outra apalpando o porta-luvas.

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