Naquela época eu adorava você

Volume 2 - Capítulo 145

Naquela época eu adorava você

“O Capitão Gu pode parecer tão bonito e delicado quanto um astro. Mas te digo, o Capitão Gu era o cara mais casca-grossa da equipe. Na nossa primeira missão, tínhamos que lidar com contrabando de armas. A gente treinava tiro todo dia. Quando a gente enfrentou inimigos de verdade, ninguém ousou atirar. Adivinha o que aconteceu? O Capitão Gu abriu fogo sem pestanejar. Cinco tiros seguidos. Cada tiro na cabeça de um deles. Nenhum erro.”

“Eu via o Capitão Gu como um herói. Ele nunca falava muito, mas a gente não o desgostava. Na verdade, a gente gostava dele. Por fora, ele parece frio, mas tem um coração de ouro. Nasceu para ser militar. Quando a gente enfrentou desastres naturais, tipo o terremoto, ele tentou salvar um menino, mas ficou soterrado. Ficou três meses no hospital. Por sorte, sobreviveu. O Capitão Gu é supercalmo. A pessoa mais calma e controlada que eu já vi. Nosso instrutor dizia que o Capitão Gu era um gênio raro, uma arma fria perfeita”, disse Qin Yang.

O que Qin Yang contou era algo que Qin Zhi’ai nunca tinha ouvido falar sobre Gu Yusheng.

Ela não disse nada, mas ouviu com muita atenção.

Gu Yusheng devia ter vivido momentos tão aventureiros e incríveis nos anos em que ela havia perdido o contato com ele. Ele era tão durão e respeitado.

“Se o Capitão Gu tivesse ficado no Exército, teria se dado muito bem e chegado a um alto posto. Quando ele saiu, dois anos atrás, já era coronel. Que pena que ele foi embora”, disse Qin Yang. “Você acha que o Capitão Gu é muito frio? Te digo que ele se importa com os outros. Se não se importasse, não teria deixado o Exército. Ele saiu por causa do avô. Antes de ir embora, ele disse que o avô era a única família que tinha no mundo.”

Qin Yang ficou um pouco sentimental. Sacudiu a cabeça e acendeu outro cigarro. Parecia que estava pensando em algo, então inclinou a cabeça e perguntou a Qin Zhi’ai: “Você já viu o Capitão Gu chorar?”

Chorando? Gu Yusheng chorando? Ela tinha visto Gu Yusheng levar surras do pai quando era criança. Nunca o tinha visto chorar. Não conseguia acreditar que algo o tivesse feito chorar depois.

Qin Zhi’ai ficou chocada, olhando para Qin Yang.

“Eu vi o Capitão Gu chorar três vezes”, disse Qin Yang. “A primeira foi logo que entramos para o Exército. Uma noite, fui ao banheiro tarde da noite e o vi chorando num canto. Ele murmurava que sentia muito. Não sei a quem ele estava pedindo desculpas. A segunda foi quando ele deixou o Exército. Ele riu e disse que finalmente ia embora na frente de todos nós. Mas, quando se virou e saiu, estava chorando como uma criança sozinho no campo de treinamento. A última vez que ele chorou foi quando os pais dele faleceram.”

Qin Zhi’ai não respondeu nada, mas sentiu os olhos marejados.

Qin Yang achou que talvez tivesse sido muito melodramático, então deu algumas tragadas rápidas e parou de falar.

Chegaram rapidamente ao estacionamento. Qin Yang não entrou.

Depois que Qin Zhi’ai voltou para o carro, levou um tempo para digerir o que Qin Yang tinha dito antes de dar a partida. Já estava escuro quando ela saiu do estacionamento. No caminho para casa, passou por uma rua de bares. Viu Gu Yusheng encostado em uma árvore pelo espelho retrovisor. Ele tentava abrir um maço de cigarros com a cabeça baixa.

Havia uma pilha de pontas de cigarro de vários tamanhos na lata de lixo ao lado dele.

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