
Volume 2 - Capítulo 127
A Esposa Ousada do Sr. Tycoon
Zhao Lifei sentiu o coração amolecer com a voz dele, tão fininha e submissa, como a de uma criança amedrontada. Seu comportamento a deixou toda arrepiada. A razão a repreendia por ter ido tão longe, enquanto o coração gritava para confortá-lo e aliviar seus medos.
"Você vai fazer de novo?", perguntou baixinho, fazendo círculos em suas mãos grandes e ásperas. Imediatamente, os dedos dele agarraram os dela, entrelaçando-os completamente, de modo que ficaram de mãos dadas. O coração dela deu um salto com o gesto, um pequeno sorriso surgindo em seu rosto.
"Não posso prometer um 'não' definitivo, mas vou tentar ao máximo ser indulgente." Ele encostou a cabeça no ombro dela, respirando seu perfume delicioso. A fragrância suave de jasmim o embriagava.
Ela ficou quieta por um momento, o que o levou a apertá-la.
"Você ainda está brava comigo?", perguntou ela, ao que ele negou com a cabeça.
"Não."
Ela sorriu, feliz por finalmente ter conseguido domar sua raiva, mesmo que por meios antiéticos. Virou a cabeça, encostando a bochecha na maciez de seus cabelos. "Bom, porque eu também não estou mais brava com você." Brincou ela.
Ele suspirou aliviado, o que o surpreendeu em seguida. Desde quando ele estava tão apaixonado por ela que acalmar sua raiva causava uma sensação tão pura de alívio?
"Então me abrace de novo." Ele exigiu, querendo sentir os braços dela ao redor dele novamente. Isso lhe trazia segurança e a confirmação de que ela realmente não o abandonaria.
Zhao Lifei se surpreendeu com o pedido repentino. Confusa, ela se virou e o abraçou levemente. Ela gritou quando ele a abraçou mais forte, esmagando seu rosto contra o peito dele. "Uhm, Yang Feng—"
"Não me abandone assim. Eu odeio isso." Ele rangeu os dentes, lembrando-se do passado, quando voltou ao país para se encontrar com ela. Ele a viu em um banquete e tentou se aproximar, mas ela entrou em pânico e fugiu, sua reação o deixando completamente desolado.
"Yang Feng," ela começou, levantando a cabeça para olhá-lo. A garganta dela secou ao ver seus traços perfeitos. Seu rosto envergonhava os deuses. "Eu não vou ir embora, contanto que você não tente me prender." Quando viu seu olhar suavizado endurecer, ela ergueu a mão para acariciar suavemente seu rosto.
"Eu não gosto quando você é muito dominante. Não gosto quando você está tão determinado a me confinar assim." Ela observou seu olhar se intensificar ainda mais. Ele não ficou satisfeito em ouvir suas palavras, mas ela não se importou. Ela precisava estabelecer limites se eles fossem iniciar um relacionamento.
"Eu tenho tantas cicatrizes do meu passado, estou tentando seguir em frente, mas é tão difícil. Fui controlada pelos meus pais no passado, eu... eu não quero um relacionamento assim." A voz dela tremeu ao lembrar dos dias sombrios em que seus pais ditavam cada um de seus movimentos. Cada nota errada que ela tocava no piano era um tapa na parte de trás dos joelhos. Houve dias em que ela quis experimentar sua infância, mas seus pais a forçavam a voltar para a cadeira do piano.
O medo de ser controlada como um fantoche a assustava. Tudo o que ela sempre quis era liberdade. Ela entendia que seu comportamento de empurra e puxa nesse relacionamento não era saudável, mas o comportamento dominante dele também não era.
Yang Feng apertou os lábios, as palavras dela ecoando em sua mente. Ela achava que seu comportamento carinhoso era aprisionamento?! A ideia o enfureceu. "Eu não posso fazer promessas. É da minha natureza."
"Bem, eu também não posso prometer não fugir. Quanto mais você me prende, mais eu quero ir embora." Como ela poderia prometer a ele quando ele não podia fazer o mesmo?
Ele franziu a testa com suas palavras, pronto para abrir a boca e dar-lhe uma bronca, mas desistiu. Se ele dissesse as palavras erradas, ela poderia afastá-lo e parar de abraçá-lo. Ele gostava bastante de ter o corpo dela contra o seu. A pele dela sempre estava fria por algum motivo estranho, e para ele, que esquentava facilmente, abraçá-la era extremamente reconfortante para sua pele superaquecida.
"Eu sei que você não gosta do hospital, mas você tem que entender, ficar aqui e descansar é para o seu próprio bem. Você é teimosa demais para pedir ajuda, então eu tenho que intervir e fazer isso por você."
Será que ele a via como uma criança? Por que ele era tão insistente em mantê-la ali? Ela poderia se recuperar em outro lugar com um médico particular — qualquer coisa estava bem, contanto que não fosse aquele local cheio de produtos químicos e repleto de memórias dolorosas.
Sua voz ficou amarga. "Eu não preciso da sua intervenção."
Os olhos dele ficaram sérios, o que o fez parecer mais intimidador do que nunca. "Não seja teimosa—"
"Você é um hipócrita." Ela disse secamente, mas interiormente se amaldiçoou porque ela também, em certa medida, era hipócrita.
"Você exige que eu não seja teimosa, mas aqui está você, sendo teimoso também. Por que você não respeita meus desejos e minhas palavras?" Ela fez uma pausa, pensando na forma como reagiu quando ele rejeitou seu pedido mais cedo naquele dia. "Tudo o que eu queria era dar um passeio nos jardins. Eu poderia ter pedido gentilmente, mas você não me permitiria fazer isso de qualquer maneira."
Sua testa se franziu ainda mais. Ela estava certa. Ele não a teria deixado ir, não importava como ela o pedisse.
"Eu não sou uma criança, Yang Feng, eu consigo cuidar de mim mesma. Eu não preciso que você fique constantemente pairando sobre mim como um cão de guarda." Ela acrescentou, sem perceber os sinais de alerta.
As pupilas dele ficaram completamente pretas, a cor era mais escura que a noite. Sem vida e árticas, seus olhos emitiam uma intenção de matar. Os dedos dele se cravaram na palma da mão e a mandíbula se contraiu com suas palavras. Uma coisa era chamá-lo de teimoso, mas insultá-lo abertamente chamando-o de hipócrita era algo que não poderia ficar impune.
Tudo o que ele queria era cuidar dela, protegê-la, mantê-la segura, garantir que ela se recuperasse adequadamente, mas ela estava ignorando descaradamente tudo o que ele estava fazendo por ela.
Ele rangeu os dentes com raiva, os olhos brilhando perigosamente. A escuridão estava se aproximando dela, as sombras ao redor dele eram como fantasmas etéreos do inferno, cercando-o, prontos para atacá-la. Seus olhos ficaram sem emoção, sua expressão difícil de decifrar. Ela estava em guarda, mas a dele estava mais alta.
"Tudo bem, faça do seu jeito." Sem outro olhar em sua direção, ele se dirigiu à porta.
A porta se abriu com tanta intensidade que a parede atrás dela rachou.
*BANG!*
Ela pulou quando a porta bateu, a força fazendo as paredes tremerem. Pareceu mais alto do que um tiro. A força que ele usou para bater a porta abalou seu coração, fazendo-o tremer de medo. Mas ela era tão teimosa quanto ele, ou talvez até mais, e talvez essa fosse a maior falha deles.
"Bruto teimoso," ela murmurou baixinho. Ela ignorou a pontada de dor em seu peito, o anseio do coração por correr atrás dele.
Ela sentiu o coração sendo dilacerado enquanto milhares de agulhas choviam sobre ele. A dor a sufocava, a pura agonia a enfurecia e a frustrava. Ela queria ignorar, queria esquecer, mas não conseguia.
Ela tentou se manter confiante, levantando o queixo arrogantemente, mas não conseguiu. Seus olhos ardiam de dor, queimando enquanto algo ameaçava transbordar.
Ela pegou a coisa mais próxima que encontrou e jogou na porta, que por acaso era um vaso inestimável. A porcelana se estilhaçou, assustando os homens lá fora.
Ela se recusou a chorar. Ela se recusou a dar a ele o conhecimento de que ele a havia machucado. Ela respirou fundo e praticou as técnicas ensinadas por sua terapeuta. Não demorou muito para que seus olhos secassem. Ela se recusou a chorar por ele.
Indo até a porta, ela acendeu a luz, mas algo a surpreendeu. Havia algumas sacolas no chão perto do sofá e da mesa de centro. Quando ela deu alguns passos em direção a elas, um cheiro delicioso a envolveu. O nariz dela coçou com o aroma familiar de seus pratos favoritos. A boca dela salivou ao ver a enorme variedade de pratos dispostos na mesa de centro.
Ele queria jantar com ela. O peito dela ficou cheio de culpa e, por um segundo, ela hesitou.
Mas sua frustração voltou quando ela viu o vaso quebrado. Relutantemente, ela embrulhou tudo, pegou as sacolas e levou para os seguranças. Eles ficaram surpresos quando a porta se abriu. Instantâneamente, eles formaram uma barreira humana, uma mais espessa e forte que a anterior.
"Vocês devem estar com fome de ficar do lado de fora. Estou muito satisfeita para comer essas comidas, por favor, comam." Ela passou as sacolas de pratos de luxo para os homens atônitos que a olharam com espanto. Até um tolo reconheceria a qualidade do restaurante La Roche! Um simples aperitivo lá valia algumas centenas e, pelo tamanho da sacola, a comida devia ter custado pelo menos algumas dezenas de milhares!
"Uhm, Senhora, tem certeza—"
"Se vocês não quiserem a comida, joguem fora. Não consigo comer nada no meu estado atual." Ela disse secamente, sem humor para ficar ali e convencê-los. Sem palavras, ela fechou a porta e apagou as luzes.
Os seguranças trocaram olhares. "É caro demais para ir para o lixo." Alguém disse, o que rendeu concordâncias. Relutantes e animados ao mesmo tempo, eles começaram a comer os pratos.
Zhao Lifei esperou alguns minutos antes de ir para sua cama e encher os travesseiros com cobertores. Ela aproveitou a distração momentânea dos seguranças para pegar rapidamente o telefone, ir para o canto do quarto do hospital e ligar para alguém que ela não pensava que jamais contactaria novamente.