
Volume 1 - Capítulo 99
A Esposa Ousada do Sr. Tycoon
Zhao Lifei acordou com a visão extremamente embaçada. Piscou algumas vezes para limpá-la, enquanto as lembranças do que aconteceu antes de perder a consciência a invadiam, causando uma forte dor de cabeça.
Gemiu enquanto levava a mão à testa, mas descobriu que suas mãos estavam firmemente amarradas. Assim que sua visão finalmente clareou, ela percebeu o ambiente. Estava em um depósito vazio, com as mãos atadas atrás de uma cadeira, a julgar pelas caixas vazias no canto e pela estrutura de metal.
"Que clichê", murmurou, revirando os olhos para a cena. Já podia imaginar o que ia acontecer. Já havia sido sequestrada várias vezes antes. Era o preço a pagar por ser a neta predileta de Zhao Moyao e, no passado, a futura Madame Zheng.
Para testar a força e a perícia dos sequestradores, puxou os pulsos e descobriu que estavam perfeitamente atados, de forma que cada puxão ou movimento só apertava mais.
"Ótimo", suspirou, recostando-se na cadeira para aguardar as condições dos sequestradores. Qual seria dessa vez? Dinheiro? Humilhação? Segredos?
Ela ponderou as opções e se perguntou se tinha um cheque na bolsa para comprá-los. Se esses homens pudessem ser comprados com dinheiro e não com lealdade, seria fácil enganá-los, contanto que ela conseguisse triplicar o valor que receberiam.
Olhou para o telhado de zinco e viu que havia uma janela lá em cima. O céu estava escuro, o que significava que a noite havia chegado. Um sorriso surgiu em seu rosto. Esses homens tinham aprontado uma.
Yang Feng já estaria a caminho de sua casa ou já estaria lá e teria descoberto sua ausência. Ela tinha certeza de que, se alguém pudesse encontrá-la, seria ele. Ou talvez seu avô já tivesse tomado providências, já que seus seguranças-sombra teriam relatado algo a ele.
Seus olhos examinaram o ambiente novamente, desta vez avaliando cuidadosamente os arredores. Além das caixas vazias que ela viu primeiro, agora percebeu que havia caixas de madeira resistentes com capas de plástico sujas jogadas por cima. Ela franziu os olhos para ler os rótulos "manusear com cuidado" nas caixas.
O que havia dentro delas? Obviamente, não era um depósito simples. Ela se inclinou para a direita para verificar a caixa mais próxima, mas estava a alguns metros de distância.
Se ela franzis-se os olhos o suficiente, conseguiria ver que os itens dentro ainda estavam embrulhados em papel pardo. Qualquer que fosse o conteúdo dessas caixas de carga, devia ser importante para estar tão bem protegido.
Sua bolsa estava fora de vista. Se eles vasculharam, ela tinha certeza de que a adaga que sempre carregava consigo já teria sido descartada.
Quando finalmente começou a se mostrar em público novamente, Zhao Lifei não se preocupou em andar com qualquer segurança, para descrença de seu avô.
Seu relacionamento com Zheng Tianyi havia sido publicamente rompido. Não apenas isso, nesse processo, ele anunciou sua maior fraqueza. Agora, os inimigos de Zheng Tianyi tinham um alvo real em mente, e era ninguém menos que a mulher com quem ele desfilava em público.
Depois de alguns minutos de tédio absoluto, enquanto sua mente não produzia nenhuma rota de fuga, ela se cansou de esperar que seus sequestradores aparecessem. Sério, alguém não deveria estar aqui com ela para monitorá-la? Parece que essas pessoas estão bastante confiantes em suas habilidades. Afinal, ela poderia estar planejando uma grande fuga agora!
Assim que esse pensamento cruzou sua mente, ela ouviu algo lá fora. Parecia vários carros parando rapidamente. Em segundos, a porta do depósito se abriu e vários homens entraram.
Os olhos de Zhao Lifei ficaram aguçados e focados enquanto ela os observava entrar. Ela contou pelo menos trinta homens, todos vestidos de preto.
Embora seus rostos estivessem cobertos, ela percebeu que todos tinham um símbolo tatuado na mão. Era claro pela maneira como carregavam as armas nas mãos e pela formação que estavam assumindo que eles falavam sério.
"Boa noite, senhores. Que dia fino é este", cumprimentou-os com um sorriso divertido no rosto. Mostrar medo era mostrar fraqueza.
Ela decidiu agir com naturalidade, apesar de estar ficando cautelosa. As armas que eles tinham consigo eram para infligir muita dor, mas não o suficiente para matar imediatamente. Se eles fossem assustá-la para intimidá-la, ela sabia que sobreviveria. Mas se estivessem planejando assassiná-la, planejariam fazê-lo por meio de uma quantidade imensa de tortura.
"A qual prazer devo a sua presença?", acrescentou enquanto examinava os homens mascarados à sua frente.
Um homem que parecia ser o líder do grupo deu um passo à frente. Ele era o único que não estava usando máscara.
Ela se surpreendeu ao ver alguém tão jovem liderando uma gangue. Ao contrário de seus camaradas corpulentos, ele era magro e não parecia alguém que batesse em pessoas para viver. Sua aparência era bem cuidada e ele estava realmente usando um terno preto. Mas seus olhos eram uma história completamente diferente. Ela viu a sede de sangue nele. Isso a deixou muito cautelosa com ele. Ela sabia por experiência que eram aqueles que escondiam sua loucura que eram os mais perigosos.
"Boa noite, jovem senhora", cumprimentou-a com um sorriso sinistro se espalhando pelo rosto. Que interessante. Essa era a primeira vez que uma mulher não gritava de horror ou implorava para que a deixassem ir. Essa parecia inteligente.
"Espero que você não leve isso tão a sério", gesticulou para seus pulsos e tornozelos amarrados.
Zhao Lifei riu. "De forma alguma. É o seu trabalho. Eu entendo", deu de ombros, decidindo entrar no joguinho.
"Então, o que você quer tirar de mim? Dinheiro, informações ou apenas uma surra como aviso?", inclinou a cabeça, fingindo concordar com eles.
Ela se perguntou se eles ainda tinham sua bolsa. Dentro do seu telefone e carteira havia rastreadores que seu avô havia instalado caso algo assim acontecesse com ela.
Eles poderiam ter sido espertos o suficiente para destruir seu telefone, mas ninguém imaginaria que havia um pequeno botão em sua carteira que funcionava como rastreador.
O líder sentiu seu sorriso se espalhar com suas palavras.
Parecia que ela já estava acostumada com sequestros, que eram divertidos e chatos ao mesmo tempo. Chato porque ela já conhecia o protocolo e ele não conseguiria sentir o medo irradiando dela.
Essa era geralmente a melhor parte desses sequestros! Mas era divertido porque suas reações seriam extremamente refrescantes e inesperadas, o que o fazia ansiar por lidar com ela.
"Uma surra", respondeu ele, acenando com a cabeça para seus homens que deram um passo à frente.
Ela arqueou uma sobrancelha. Só uma surra? Nada mais? "E quanto vocês foram pagos?" Seus olhos examinaram a variedade de armas à sua frente.
Não parecia tão ruim, mas parecia limpo, o que significava que eram novos ou que tinham sido limpos muito bem. Ela esperava que fosse o primeiro caso.
"Isso, jovem senhora, é informação privada", refletiu ele, observando seus olhos examinarem seus homens. Apesar de ver os bastões de metal, facas e soqueiras, ela não pareceu tremer ou se encolher de medo.
Isso estava ficando realmente interessante.
"Hm, eu suponho que vocês foram solicitados a manter o número exato em sigilo. Mas posso ter uma quantia aproximada?", ela esperava ganhar tempo ou pelo menos comprá-los.
"Temo que seu pequeno plano não funcione comigo", o líder riu e fez um gesto com dois dedos. Isso foi tudo que levou para o primeiro golpe atingir sua barriga.