O 99º Divórcio

Volume 18 - Capítulo 1771

O 99º Divórcio

Capítulo 1771: Mesmo na Morte, Amarei

Ye Qianqian levantou a cabeça e viu o hotel cinco estrelas em frente. Ao lado do hotel, havia um karaokê.

Ye Qianqian alugou uma sala e pediu duas caixas de cerveja. Era a melhor promoção: leve uma, ganhe outra.

Pediu a menor sala, no canto mais afastado do karaokê. Escolheu as músicas mais populares, as mais agitadas, aquelas que mais pareciam os lamentos e uivos de um fantasma. Subiu na mesa e, sem emitir som, cantou: “Mesmo na morte! Amarei!”.

O garçom, parado na porta, franziu a testa ao ouvir:

“Que porra de canto horrível!”.

No começo, os garçons vinham checar a situação algumas vezes, mas acabaram não aguentando mais a desafinação de Ye Qianqian. Ninguém mais ousou se aproximar.

Ela esvaziou garrafa após garrafa de cerveja. Nunca soube controlar a bebida. Antes, tomava uma ou duas latinhas em ocasiões normais. Depois que começou a namorar Shen Zhilie, parou de beber. Primeiro, porque ele não gostava; segundo, porque ele se recusava a comprar.

“Desta vez, vou beber à vontade.”

Depois de várias garrafas, uma melodia familiar soou: “Um Verão, Um Outono”, da Christine Fan, uma música que ela adorava.

“Se não fosse você, eu nunca teria certeza

de que amigos podem ser ainda mais leais que amantes.

Mesmo que eu esteja muito ocupada com meu próprio relacionamento e te negligencie,

você nunca vai me odiar, apenas vai me repreender levemente.

Se não fosse você, eu nunca teria certeza

de que amigos escutam mais atentamente que amantes.

Minhas implicações mais profundas e minhas palavras involuntárias.

Não posso deixar meu amor, mas, mais importante, não posso te deixar...”

Ye Qianqian cantou aos berros, jogando o microfone no chão:

“Vai se foder, minha maldita melhor amiga!”.

Depois do grito, ela desabou em lágrimas. Sentou-se e abriu mais algumas garrafas, das 11h às 13h. Já tinha tomado mais de dez. Deitada no sofá, estava tão tonta que mal parecia viva.

Arrrgh! Soltou um arroto. Esticou as costas, cambaleando até o banheiro. Mesmo depois de vomitar, a música alta continuava. Ela estava sozinha na salinha, o chão coberto de garrafas de cerveja. Encostada no sofá, parecia uma estrela do mar.

“Ah…”

“Ah…”

De repente, começou a mexer na bolsa, pegando o celular – desligado havia muito tempo – e ligando-o. As letras na tela estavam borradas, ela não conseguia distinguir se eram uma ou duas palavras. Depois de algum tempo, viu que Shen Zhilie tinha feito mais de 20 ligações, mais de 40 chamadas perdidas. Eram dele, de Fang Tongtong, Yu Lili e Ye Youyou…

“Hmm…

Nossa, muita gente.”

Havia também mais de cem mensagens no WeChat, uma enxurrada de textos. Ye Qianqian riu, digitou um número de telefone decorado e, assim que fez a ligação, o nome “Shen Zhilie” apareceu na tela. Parecia que ele estava esperando a ligação, atendeu imediatamente: “Alô?”

Arrrgh!

Ye Qianqian arrotou, sem falar nada. Ao ouvir o som, ele sentiu uma pontada de alegria: “Qianqian, é você? Onde você está?”.

“Shen… Zhilie?”

“Sou eu, sou eu! Você está bêbada? Vou te buscar agora!”.

Comentários