
Volume 2 - Capítulo 130
O Maior de Todas as Lendas
Capítulo 130: Vs Rio Ave III
Depois que o Rio Ave abriu o placar, o Porto fez o possível para empatar, mas o Rio Ave não se intimidou e ainda arriscou alguns chutes perigosos ao gol do Porto, chegando perto de ampliar a vantagem em duas ocasiões.
Isso deixou o Porto em alerta máximo, impossibilitando a equipe de se concentrar totalmente no ataque por medo de ficar mais atrás no placar.
No fim das contas, nenhuma das duas equipes conseguiu balançar as redes até o apito final do árbitro, encerrando o primeiro tempo.
Os jogadores das duas equipes deixaram o campo, rumando aos vestiários.
Os jogadores do Porto entraram no vestiário, onde Sérgio Conceição e os jogadores reservas os aguardavam.
Sérgio Conceição esperou que todos se sentassem, bebessem água e se acomodassem, mas a água parecia difícil de engolir diante do olhar furioso do treinador.
“Pensei bastante e quero saber: quem vai me explicar o que aconteceu lá fora?”, Sérgio Conceição finalmente rompeu o silêncio.
Suas palavras soaram como vidro raspando em vidro nos ouvidos dos jogadores, que encolheram em seus lugares, nenhum deles querendo assumir a responsabilidade de dar explicações.
“Ninguém?”, perguntou Sérgio Conceição, sem obter resposta.
“Ninguém quer me dizer como deixamos escapar a vantagem apenas 11 minutos depois de abri-la, contra um time teoricamente mais fraco?”
“Ninguém quer me dizer como vocês tomaram um gol apenas um minuto depois de eu dar instruções claríssimas sobre como evitar essa situação?”
“Ninguém quer me explicar como Mehdi Taremi não marcou apenas uma, mas *duas* vezes em 11 minutos, e teria feito outro se tivesse tido outra chance, hein?”
“Ninguém?”, repetiu Sérgio Conceição, em tom perigoso.
“Minhas instruções eram para vocês manterem o foco e retomarem o controle do meio-campo, mas o que eu vi lá fora?”
“Vocês quase não marcaram seus adversários e deixaram eles ditarem o ritmo do jogo, gentilmente cedendo a eles a vantagem.”
“Sabem, quando me tornei técnico deste grande clube, achei que estaria treinando Dragões com orgulho suficiente para não permitir que algo assim acontecesse.”
“Mas vocês me fazem sentir como se estivesse treinando um time de Papais Noéis, com a facilidade com que cedem gols, como se fosse Natal!”
“Pffft…” Danilo Pereira quase riu, mas tampou a boca rapidamente. Infelizmente, era tarde demais; os olhos de Sérgio Conceição já estavam sobre ele.
“Ah, você acha engraçado?”
“Acho que pareço um comediante para você?”, disparou Sérgio Conceição, em tom baixo e ameaçador.
“Bem, a piada é com você”, disse o treinador, com a cabeça levemente inclinada e um sorriso assustador no rosto.
“Sérgio!”, chamou Sérgio Conceição, dirigindo-se a Sérgio Oliveira.
“Você entra no lugar do Danilo. Ele pode ir assistir a um show de comédia se quiser rir”, declarou Sérgio Conceição, em tom que não deixava margem para contestação.
Danilo Pereira não ficou nada satisfeito com a decisão do treinador e ia protestar, sentindo-se usado como bode expiatório, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, sentiu uma mão firme em seu ombro.
Era Pepe, que o olhava e balançava a cabeça, indicando que ele não deveria fazer nada e ficasse quieto.
Furioso, Danilo Pereira obedeceu ao capitão, pelo qual tinha grande respeito, contendo sua raiva e seus protestos.
“Quando voltarem para o segundo tempo, quero ver algo melhor do que aquela apresentação lamentável que vocês fizeram antes.”
“Pepe, Ivan, marquem o Taremi de qualquer jeito, não me importo se vocês cometerem faltas, desde que não tomem cartão vermelho ou deem pênalti.”
“Não quero vê-lo levando a bola do jogo para casa no final.”
“Wilson, Alex, quero que vocês marquem os dois pontas do Rio Ave no meio-campo, grudados neles.”
“Vocês vão atuar como alas invertidos nesta partida, mas se virem uma chance de avançar com a bola, aproveitem…”
“Caso contrário, concentrem-se em impedir que esses dois pontas ajudem os meias a controlar o meio-campo”, continuou o técnico português.
“Fábio, Sérgio, não preciso dizer que o trabalho de vocês no meio-campo é garantir que os adversários não tenham a liberdade de fazer os passes que quiserem.”
“Quanto a vocês, Luiz e Jesus, quero que ajudem o meio-campo também, mas quando estivermos com a bola, quero que vocês sobrecarreguem a área adversária.”
“Precisam ajudar mais os atacantes”, instruiu Sérgio Conceição, batendo uma palma na outra.
“E vocês, quero o máximo de vocês para conseguirmos o empate. Não é hora de firulas”, disse Sérgio Conceição, olhando para Tiquinho Soares e Moussa Marega.
“Não me importo se vocês tiverem que espremer a bola para passar pelo goleiro, mas quero ver a bola no fundo das redes antes dos 70 minutos.”
“Estejam prontos para qualquer bola que chegar e não tenham medo de atropelar a defesa deles, especialmente você, Moussa.”
“Precisamos empatar rápido para termos tempo de virar o jogo.”
“Está claro?”, perguntou Sérgio Conceição em voz alta.