O Maior de Todas as Lendas

Volume 1 - Capítulo 18

O Maior de Todas as Lendas

Capítulo 18: Encontro no Café

***Sábado, 11 de janeiro de 2020***

O carro de Jason parou em uma vaga disponível na frente do Tilt Coffee Bar, onde ele deveria se encontrar com o olheiro do FC Porto.

Sua mente voltou ao dia anterior, quando contara a Daphne sobre a ligação do olheiro, sobre o time do FC Porto e sobre o que aconteceu depois.

Ela ficara muito feliz por ele, o parabenizara e dissera que o acompanharia para encontrar o olheiro, já que era fim de semana.

"Por que você está me olhando assim? Vamos descer", Daphne o chamou, pois ele parecia perdido em pensamentos.

"Tá, tá", respondeu ele revirando os olhos, abriu a porta do seu lado antes de sair e ir abrir a porta para Daphne, que parecia ter problemas para abrir a dela. Diferentemente de seu Mercedes, este carro tinha um botão para pressionar, e não uma maçaneta para puxar.

Ele abriu a porta rapidamente antes que ela se confundisse mais e a puxou para ela sair.

"Você vê? É por isso que não gosto de BMWs. Por que tudo tem que ser tão complicado?", resmungou ela enquanto ele a ajudava a sair do carro.

"Você só precisava ler o manual ou procurar no YouTube", Jason respondeu com um sorriso malicioso, claramente se divertindo com a situação.

Daphne o olhou demoradamente, com uma expressão levemente irritada, antes de responder:

"Tudo isso por um carro que eu nem vou dirigir?"

"...Bom ponto", Jason não conseguiu rebater e fechou a porta.

"Será que um olheiro parece com...?" murmurou ele enquanto caminhavam em direção às portas do café.

"Você não perguntou?", Daphne questionou enquanto atravessavam as portas. Ela apertou o xale mais perto do corpo, pois o clima de Los Angeles em janeiro estava um pouco frio demais para o seu gosto.

"Por que eu perguntaria uma coisa dessas?", Jason respondeu enquanto tirava o celular e discava o número de Rafael.

"Alô, Sr. Hernandez, acabei de chegar ao local e queria saber onde você está", Jason disparou assim que sentiu a vibração indicando que a chamada havia sido atendida.

"Estou no lounge ao lado do jardim. Vou levantar a mão para você me ver", respondeu a voz de Rafael do outro lado da linha.

"Ele disse que está no lounge", Jason tampou o microfone e sussurrou para Daphne antes de responder a Rafael:

"Ok, obrigado", disse ao telefone e então ambos se dirigiram ao lounge.

Logo avistaram um homem de cinquenta e poucos anos, de terno e sobretudo, sentado em uma das mesas do lounge, com a mão levantada.

"Eu te vi", disse Jason, desligando o telefone enquanto caminhavam até a mesa para encontrá-lo.

Rafael viu Jason, a quem reconheceu caminhando em sua direção com uma mulher que ele não conhecia, e levantou-se para cumprimentá-los com um aperto de mão.

"Já me apresentei por telefone, mas sou Rafael Hernandez, pode me chamar de Rafa", disse Rafael, estendendo a mão para Jason.

"Jason", respondeu Jason apertando a mão de Rafael.

"E a bela dama?", perguntou Rafael, seus olhos se voltando para Daphne que estava ao lado de Jason.

"Minha tia, Daphne Bolu", Jason apresentou Daphne, e ela e Rafael trocaram um aperto de mão antes de Rafael gesticular para Jason e Daphne se sentarem.

*'Seus arquivos dizem que ele é órfão e vive com um tutor. Acho que ela é a tutora', Rafael pensou, seus olhos demorando-se em Daphne por um tempo antes de voltarem para Jason, o motivo daquela reunião.*

"Podem pedir alguma coisa enquanto conversamos, por minha conta", Rafael declarou antes de tirar o celular e a carteira.

Em seguida, abriu a carteira e mostrou dois cartões: um cartão de visita com seus dados de contato e outro crachá de funcionário com sua foto, nome e a informação de que trabalhava para o FC Porto.

"Como mencionei antes, sou olheiro do time português FC Porto, e isso deve ser suficiente para comprovar minha identidade."

"Vocês podem pesquisar meu nome online para qualquer verificação adicional", ele certificou-se de confirmar sua identidade primeiro, pois era um requisito ao lidar com jogadores jovens.

Era uma forma de tranquilizar os jovens jogadores e construir confiança, e ele pôde perceber pela expressão um pouco mais tranquila nos rostos de Jason e Daphne, enquanto olhavam os cartões de identificação, que sua ação teve o efeito desejado. A expressão de Jason, porém, só se aliviou um pouco porque percebeu que a pessoa era experiente e seria mais fácil trabalhar com ela.

Quanto à verificação de identidade, ele já a havia feito no dia anterior e confirmado que Rafael era realmente um olheiro do FC Porto.

"Não sei se vocês me viram nos últimos dois dias, mas eu estava nos testes e fiquei impressionado com a sua maneira de jogar. Após uma reunião com a diretoria, gostaríamos de contratá-lo para o time juvenil do FC Porto e, com sorte, para o time principal em breve", Rafael continuou, vendo que tinha a atenção deles.

"Isso significa que você assinará um contrato juvenil primeiro e se juntará ao time juvenil. Se você provar no time juvenil que tem o que é preciso para jogar no time principal, terá a chance de ser promovido mais cedo do que imagina", Rafael explicou, mas Jason o interrompeu:

"Então, se eu assinar com o FC Porto agora, tenho a chance de me juntar ao time principal e jogar contanto que eu prove meu valor para o técnico do time principal, correto?", perguntou Jason com uma sobrancelha arqueada, mas o entusiasmo era visível em seus olhos.

"Potencialmente, sim, pois devido à sua idade isso não violaria as regras da FIFA. Então, se você se apresentar em um nível atraente o suficiente para o técnico do time principal, sim, você pode se juntar ao time principal já nesta temporada", respondeu Rafael e acrescentou:

"Devo dizer, no entanto, que entrar no time principal não garante automaticamente tempo de jogo. Se você quiser ser escolhido para a escalação, terá que mostrar isso ao técnico do time, mas confio que você será capaz de fazer isso."

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