
Volume 4 - Capítulo 378
Escrava do Amor: A Paixão do Chefe da Máfia
"Bem, se não há perguntas, vamos começar a discussão. Ethan, que tal você contar a todos por que essa é uma ideia tão brilhante...", disse o chefe, fazendo um gesto para Ethan se levantar.
A expressão de Ethan deixava claro que ele não esperava ter que fazer nenhum tipo de discurso. Mesmo assim, ele se levantou e sorriu para todos na sala. Quando começou a falar, fiquei impressionada com o quanto ele parecia maduro e seguro.
Será que ele sempre foi assim? Provavelmente não.
Ele mudou muito desde a época em que estávamos juntos, e provavelmente para melhor, tanto para ele quanto para a gangue que agora lidera e controla. Não prestei atenção ao que ele estava dizendo, estava ocupada demais admirando o homem em que ele se tornara. Claro, ele ficou bem diferente do que eu imaginava que seria em nosso futuro juntos, naquela época.
No entanto, duvido que eu tenha me tornado exatamente como ele imaginava também.
"Para de ficar babando nele, ou eu vou garantir que essa parceria nunca saia do papel...", Hayden sibilou ameaçadoramente ao meu lado.
Suas palavras me chocaram, e eu olhei para ele. Seus olhos azuis estavam estreitados perigosamente. Forcei um sorriso de desculpas.
"Eu não estava babando nele...", murmurei em negação.
"Ah, é?", disse Hayden, com ar de descrença.
De repente, fiquei extremamente preocupada, e toda a minha atenção se voltou para Hayden, e não para o que Ethan estava dizendo em seu pequeno discurso. Hayden não está realmente bravo, está? Ele não vai acabar com a parceria, certo?
Os frios olhos azuis de Hayden se desviaram do meu rosto para os papéis à sua frente, antes que ele os afastasse com um gesto de nojo. Mordi o lábio inferior e fechei os olhos, imaginando o pior cenário possível. Os gerentes da Torex direcionaram seus olhares para Hayden, e senti como se o mundo estivesse desabando.
Por que Hayden tem que ser tão difícil de lidar e tão imprevisível?
Devo dizer algo para ele, para corrigir esse mal-entendido antes que ele leve a problemas maiores?
"Hayden... não é bem assim. Eu só estava pensando que é bom que as coisas tenham terminado entre mim e Ethan...", murmurei baixinho, para que apenas ele pudesse ouvir.
"É?", murmurou Hayden, completamente desinteressado.
Ele provavelmente achou que minhas palavras eram apenas desculpas. Estamos casados agora, o que mais ele quer?
Meus pensamentos estavam tão focados em Hayden que não percebi que Ethan havia terminado seu discurso até que a voz retumbante do chefe anunciou o início da votação. Era a primeira vez que eu participava de uma reunião com votação. Me perguntei como seria o processo.
"O mecanismo de votação é simples e completamente transparente. Pedirei aos que são a favor da proposta que levantem as mãos, e faremos a contagem. Depois, pedirei aos que são contra que levantem as mãos. Faremos um intervalo de 5 minutos para que todos decidam antes de prosseguir com a votação", anunciou o homem de antes.
Meus olhos se arregalaram com a simplicidade do processo descrito pelo homem. Então, as pessoas só precisavam levantar as mãos? Era só isso?
Naquele momento, não me ocorreu o quão político tudo aquilo era, devido à estrutura do processo de votação.
"Devo levantar a mão a favor ou contra?", Hayden me perguntou com um sorriso nos lábios.
Por que tenho a sensação de que preciso apostar algo para que ele vote a favor da proposta?
Hayden provavelmente já sabia que eu queria que a parceria avançasse. Quer dizer, se não avançar, como vamos ter paz entre as duas gangues?
"Você quer votar a favor ou contra?", perguntei, encontrando seus olhos.
"E você, o que quer que eu vote?", Hayden respondeu, antes de me dar um sorriso provocador.
Será que ele está me testando ou algo assim? O que ele quer?
"Quero que você vote a favor da proposta", respondi honestamente.
"Hmm... o que você me dá se eu fizer isso?", ele perguntou sem rodeios.
Será que ele já ouviu falar do conceito de que votos não devem ser comprados e vendidos? Acho que não...
"Vendendo seu voto?", perguntei com um sorriso irônico.
"Eu vendo... pelo preço certo", respondeu ele sem nenhuma culpa.
"Tem muitos eleitores aqui na sala. Duvido que seu voto faça muita diferença...", murmurei, olhando para os vários homens mais velhos na sala, que pareciam ocupados fazendo coisas aleatórias que não tinham nada a ver com a discussão da proposta.
"Hmm... é isso mesmo que você pensa?", disse Hayden antes de rir.
Seu tom de voz me disse que eu estava completamente enganada. Que truque ele vai aprontar agora?
"O que você quer dizer com isso?", perguntei, tentando procurar pistas em seu rosto.
Obviamente, não encontrei nenhuma. Hayden estava visivelmente divertido, e estava claro que ele estava gostando de mexer com minha cabeça. Seus olhos percorreram a sala antes de voltarem a pousar no meu rosto.
"Por que você acha que o processo de votação é estruturado dessa forma?", ele perguntou, como se me incentivasse a pensar.
"Porque... é justo?", arrisquei, embora não entendesse o que ele queria dizer.
"É transparente... muito transparente. No entanto, é tudo menos justo", Hayden sussurrou antes de rir com um brilho malévolo em seus olhos azuis.
"Não é justo?", perguntei, confusa.
Todos tinham um voto. Então, como isso não era justo?
"O chefe não vota, por sinal; caso você não soubesse. Todos os outros na sala têm um voto, independentemente do cargo", Hayden começou a explicar.
-- Continua...