
Volume 4 - Capítulo 320
Escrava do Amor: A Paixão do Chefe da Máfia
— Entendi. É sobre isso que você queria falar? — perguntou Harvey, como se esperasse por aquilo o tempo todo.
— Hayden me disse que o tempo está acabando. Em menos de um mês, se ela não acordar… — comecei a dizer, minha voz se perdendo enquanto meus olhos se voltavam para a figura que dormia pacificamente na cama.
— Vou deixá-la ir. O corpo dela provavelmente não vai durar muito mais tempo também… — disse Harvey passivamente.
Ele vai deixá-la ir, no sentido de… desligar os aparelhos e deixá-la…
— Tudo bem, Malissa… — disse Harvey, antes de me dirigir um sorriso suave e gentil.
Naquele momento, eu não fazia ideia do porquê eu estava sendo consolada, quando era Harvey quem estava prestes a perder sua noiva… para sempre.
— Se ela só acordasse… — murmurei baixinho para mim mesma.
Rapidamente percebi que isso não resolve nosso problema imediato. A linha do tempo não bate. O acordo vence em cerca de um mês, enquanto eu tenho que dar a resposta para o chefe em seis dias. O que devo fazer? De repente, parecia que todos estavam apenas tentando ganhar tempo.
— Do que você está tão preocupada, Malissa? — perguntou Harvey, e eu pude sentir seus olhos preocupados sobre mim.
Eu estava preocupada com tantas coisas que eu nem sabia por onde começar.
— Você e a Amelia já conversaram sobre ter filhos? — perguntei, olhando diretamente para Harvey.
— Filhos? Claro. A Amelia queria filhos, enquanto eu era meio neutro em relação a isso. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde nós teríamos filhos — respondeu Harvey casualmente.
— Já incomodou a Amelia que, sabe, os filhos dela teriam que entrar para a gangue? — perguntei a primeira coisa que me veio à mente.
Harvey não pareceu surpreso com minhas perguntas ou com o que eu estava sugerindo. Ele apenas sorriu para mim, e eu senti que ele me entendia, ou pelo menos estava tentando.
— Bem, a Amelia também não era de uma família normal. Eles são um bando obscuro e duvidoso, embora não sejam exatamente considerados máfia. Ela também cresceu sabendo que ia acabar se casando com um chefe mafioso, então acho que ela se acostumou… — respondeu Harvey.
— Ainda assim, aposto que ela estava preocupada com o futuro dos filhos… — insisti ainda mais.
— Ela estava, e foi por isso que ela ficava me dando sermões sobre paz e formar parcerias pacíficas com as outras gangues. As coisas pareciam estar indo bem no começo, mas eu via coisas que ela não conseguia ver. A Amelia era muito confiável, e ela pagou caro por isso. Foi em parte minha culpa por ter dado a ela muita liberdade — disse Harvey com pesar.
— Ela foi traída? — perguntei, para ter certeza de que eu havia entendido corretamente.
— Claro que foi. É o que os gangsters canalhas sempre fazem. Enganar uma mulher inexperiente provavelmente foi uma das coisas mais fáceis para eles. Foi minha culpa; eu deveria ter prestado mais atenção a ela e ao que ela estava lutando desesperadamente, em vez de simplesmente rir disso como um sonho. No fim, eu nunca acreditei no conceito de paz. Ainda não acredito — disse Harvey secamente.
— Isso é só… — murmurei, mas não consegui terminar a frase. Isso é só triste. É muito triste.
— A Amelia acabou assim porque se envolveu demais. As outras gangues a viram como um bom alvo. Machucá-la significaria que eles poderiam me machucar também. O Hayden também aprendeu uma lição difícil com isso, e é por isso que a fraqueza dele não anda por aí em público — disse Harvey, apontando um dedo diretamente para mim.
— A Amelia provavelmente só queria uma vida pacífica com você e os filhos… — disse eu, percebendo o que a Amelia realmente queria.
— Será que é tão ruim nascer em uma família de gangsters, me pergunto? — disse Harvey, antes de olhar para o teto com espanto.
— Desculpa, não quis te ofender assim… — me desculpei rapidamente, antes que ele me entendesse mal.
— De jeito nenhum. Eu amo minha família e todos na gangue. Todos são como família para mim. O Hayden pode pensar diferente, mas estou feliz por ter nascido nessa família. Não é como se todos os seus filhos tivessem que passar pelo que eu passei. Eles podem ter uma vida normal, como o Hayden teve antes de ter que voltar para me ajudar, e com muito apoio financeiro, diga-se de passagem.
Afinal, nós somos ricos pra caramba… — disse Harvey, finalizando com uma gargalhada alta.
Bem, não há risco de acordar a Amelia nem mesmo com uma gargalhada alta dessas. Se ela acordasse, talvez todos os nossos problemas fossem resolvidos.
— O que você acha que o Hayden está pensando? — perguntou Harvey depois que parou de rir.
— Não tenho certeza, para ser honesta… — respondi derrotada.
— Acho que sei o que ele está pensando — disse Harvey confiantemente.
— Sério? Pode me dizer? O que ele está pensando? — perguntei, suas palavras chamando toda a minha atenção.
— Claro… não… — respondeu Harvey, antes de continuar rindo de mim.
Eu tinha a sensação de que ele estava apenas me provocando. Mesmo que ele realmente soubesse o que Hayden estava pensando, ele não me diria tão facilmente. Isso não me decepcionou nem um pouco. Uma das lições que aprendi lidando com Hayden é que não existem atalhos. Se eu quisesse saber mais sobre ele ou entendê-lo melhor, eu teria que me esforçar.
— E você, Harvey? O que você vai fazer? — perguntei.
— Infelizmente, não tenho tanta certeza. É como se nós estivéssemos apenas esperando a outra pessoa decidir para podermos tomar nossa decisão. Hayden, você e eu, todos estamos apenas esperando a outra pessoa decidir — Harvey apontou, e eu tive que admitir que ele estava absolutamente certo.
— Então, quem você acha que deveria decidir primeiro? — fiz a ele a mesma pergunta que me fiz a mim mesma.
— Você… — ele respondeu sem hesitar.
— Eu? — perguntei incrédula, apontando um dedo para meu próprio rosto.
— Sim, você. Malissa, você deve decidir primeiro — afirmou Harvey resolutamente.
— Por quê? — perguntei, mais em choque do que em curiosidade.
— Eles não dizem sempre que as damas têm preferência? — respondeu Harvey, provocando-me.
— Continua…